O Rio de Janeiro já tem um pólo gás-químico em funcionamento, que expandirá indústrias já existentes e deve atrair várias outras para a região metropolitana. E está por se decidir mais um grande investimento neste setor: uma refinaria de petróleo que terá sua produção voltada para insumos petroquímicos.
A escolha do estado para abrigar essa refinaria se deve à proximidade das fontes de matéria-prima (será processado óleo pesado, extraído da Bacia de Campos) e dos centros consumidores.
Mas a microlocalização da refinaria vem sendo motivo de disputa, que poderia ser até saudável se não resvalasse para o plano político. O governo estadual tem preferência por uma localidade em Campos, no Norte Fluminense, base política original da governadora Rosinha e do seu secretário e marido Anthony Garotinho, pré-candidato à Presidência da República.
Os investidores que inspiraram o projeto e convenceram a Petrobras a assumi-lo se inclinam por Itaguaí, entre outras razões, porque acreditam que ali já existe infra-estrutura adequada para uma indústria com essas caraterísticas, incluindo a proximidade com o Porto de Sepetiba.
Prefeitos da Baixada que no momento são adversários políticos do casal Garotinho têm feito pressão junto ao presidente Lula, para que o governo federal influencie sua controlada Petrobras a optar por Itaguaí.
Existe o risco de a disputa, resvalando para o plano político, inibir os investidores. Se a escolha recair em Itaguaí e isso for interpretado como derrota da governadora, órgãos estaduais responsáveis pelo licenciamento da obra poderiam ter má vontade com o projeto, onerando-o até a ponto de inviabilizá-lo. Mas a opção por Campos não deve ser feita apenas por causa desse temor.
Na verdade, é justo que o governo estadual se proponha a conceder benefícios para que uma região como o Norte Fluminense, que tem menos oportunidade de atrair grandes projetos propulsores de desenvolvimento, possa compensar suas deficiências. No entanto, qualquer que seja a decisão dos investidores, ela precisa ser respeitada e comemorada pelo Estado do Rio de Janeiro como um todo.