Entrevista:O Estado inteligente

quarta-feira, outubro 01, 2008

Clipping do dia 01/10/2008


Correio Braziliense
BUSH SE AJOELHA...
...o Mercado reza...
Papai Noel chega antes na Câmara
Folha de S. Paulo
EUA VOTAM PACOTE NO SENADO HOJE
Brasil estuda ajuda do Tesouro a exportadores
Minc agora diz que não checou lista de desmate que inclui Incra
Protógenes fala que Presidência deu ordem para investigar Dantas
Gazeta Mercantil
AGORA, BANCOS NEGAM CRÉDITO A AGRICULTORES
Oi vai ter que gasta mais na Compra BrT
Mercador tentar Popularizar a TV digital
Varejistas ainda projetam um bom Natal
Jornal do Brasil
NATAL SEM CRISE
Investidores reagem, mas prejuízos são maiores que socorro
Superávit do Brasil já supera o de todo o ano passado
O Estado de S. Paulo
SAFRA, EXPORTAÇÃO E BNDES TERÃO MAIS VERBAS, DIZ GOVERNO
Lista que cita Incra como desmatador abre crise
Relatório aponta fraude em fundos de 3 Estados e 112 municípios
Meirelles: "Crise exige serenidade"
O Globo
GOVERNO ABANDONA OTIMISMO E DECIDE MUDAR ORÇAMENTO
Minc admite rever lista que publicou sem ler
Brasil já faz célula-tronco de embrião
Exército dispensa recrutas por falta de verbas
Valor Econômico
Congresso dos EUA negocia ajuda a bancos
EMPRESAS PAGAM CARO POR RECURSOS ESCASSOS
Candidatos do NE copiam o Bolsa Família
Brasil - BC pode reduzir mais o compulsório
Entrevista
'Brasil pode se resguardar' (O Globo)
'Lamento toda essa cortina de fumaça num momento dramático como este' (O Globo)
Entrevista - Joseph E. Stiglitz (Correio Braziliense)
Entrevista: Há alternativa ao plano, diz ex-FMI (Folha de S. Paulo)
Especial
Candidatos do NE copiam o Bolsa Família (Valor Econômico)
Brasil
Brasil já faz célula-tronco de embrião (O Globo)
Com Chávez, Lula reconhece gravidade da crise mundial (Valor Econômico)
Curta - Linhagem brasileira (Valor Econômico)
Em São Paulo, mais crianças buscam sustento nas ruas (Valor Econômico)
Ipea vê baixo impacto do Bolsa Família (Valor Econômico)
Minc agora diz que não checou lista de desmate que inclui Incra (Folha de S. Paulo)
Minc admite revisão de lista de desmatadores (Valor Econômico)
Oi vai ter que gasta mais na Compra BrT (Gazeta Mercantil)
Ritmo de queda do trabalho infantil diminui (Valor Econômico)
Agronegócio
Banco estrangeiro fecha porta aos grandes (Gazeta Mercantil)
CMN prorroga prazo para a renegociação de dívidas (Valor Econômico)
EUA produzem quase 50% mais etanol (Gazeta Mercantil)
JBS/Friboi ganha com câmbio R$ 722 milhões (Gazeta Mercantil)
Empresa e Tecnologia
Anac pretende adotar sistema de rodízio para "slots" em Congonhas (Valor Econômico)
Crise faz Localiza adiar emissão de debêntures (Valor Econômico)
Estaleiros têm pedidos de US$ 8 bi no fundo da Marinha (Valor Econômico)
EMPRESAS PAGAM CARO POR RECURSOS ESCASSOS (Valor Econômico)
Colunas
Ancelmo Gois - Leão corre perigo (O Globo)
Ari Cunha - Brasil treme com a inflação (Correio Braziliense)
Brasil - BC pode reduzir mais o compulsório (Valor Econômico)
Brasil S.A - Razões profundas (Correio Braziliense)
Brasília-DF - Sobras de campanha (Correio Braziliense)
Celso Ming - A fonte vai secar (O Estado de S. Paulo)
Clóvis Rossi - O cassino e a chantagem (Folha de S. Paulo)
Dora Kramer - Imunidade preventiva (O Estado de S. Paulo)
Élio Gaspari - "Nosso negócio é salsicha" (O Globo)
Fernando Rodrigues - Cronologia possível da crise (Folha de S. Paulo)
Informe JB - Eduardo Campos é o noivo da vez (Jornal do Brasil)
Mercado Aberto - BC deve baixar compulsório, diz Austin (Folha de S. Paulo)
Merval Pereira - A grande vítima (O Globo)
Míriam Leitão - O que fazer (O Globo)
Mónica Bérgamo - PETRODÓLAR 1 (Folha de S. Paulo)
Painel - PSDB saudações (Folha de S. Paulo)
Política - Candidatura impertinente (Valor Econômico)
Ponto do Servidor - Erros serão corrigidos (Jornal de Brasília)
Política
GOVERNO ABANDONA OTIMISMO E DECIDE MUDAR ORÇAMENTO (O Globo)
Minc admite rever lista que publicou sem ler (O Globo)
Aécio em Niterói para apoiar Gegê (Jornal do Brasil)
Alagoas: PF indicia prefeito de Maceió e dirigente de banco por desvio (Folha de S. Paulo)
Alckmin e Kassab dizem que não sabem de acordo (O Globo)
Alckmin e Kassab reforçam discurso anti-PT (Gazeta Mercantil)
Arruda estuda outras alterações (Correio Braziliense)
Até terça-feira, prisão só em caso de flagrante (O Globo)
Baixada Santista deve ter reeleição na maioria de seus municípios (Valor Econômico)
Belo Horizonte: Lacerda cresce, mas ainda não garante eleição no primeiro turno (Folha de S. Paulo)
Bloquinho caminha para implosão (Jornal do Brasil)
Brasileiros conseguem avanço (Jornal do Brasil)
Cartórios ainda resistem a contratar por concurso público (O Estado de S. Paulo)
Cesar aumenta previsão de gastos com pessoal (O Globo)
Cessão de terra será mais difícil a quilombola (O Estado de S. Paulo)
Ciro: telemarketing para pedir votos em Patrícia (O Globo)
Com candidatura indeferida, filho de Lula pode ser eleito (Valor Econômico)
Corrupção é esquecida pelo Congresso (Gazeta Mercantil)
Crise global poderá adiar a aprovação do Fundo Soberano (Gazeta Mercantil)
Crise pode prejudicar projetos (Jornal do Brasil)
Críticas à saúde em Buritis (Correio Braziliense)
Crivella abre fogo contra pesquisas (Jornal do Brasil)
Curitiba: Petista sobe, mas ainda não ameaça a reeleição de Richa (Folha de S. Paulo)
Curtas - Tropas (Valor Econômico)
De olho em 2010, Serra evita briga PSDB-DEM (O Globo)
Decisão do STF atrasa demissão de não-concursados (O Estado de S. Paulo)
DEM pode ficar sem PSDB no 2º turno de Salvador (O Estado de S. Paulo)
Eleições 2008 / Na estrada: Prefeito índio leva adversário a focar campanha em causa indígena (Folha de S. Paulo)
Eleições 2008 / Porto Alegre: PT e PC do B disputam vaga no 2º turno em Porto Alegre (Folha de S. Paulo)
Eleições 2008 / Recife: João da Costa se mantém 24 pontos à frente de adversário (Folha de S. Paulo)
Eleições 2008 / Rio de Janeiro: Crivella e Gabeira disputam vaga no 2º turno (Folha de S. Paulo)
Eleições 2008 / Salvador: Três candidatos dividem a liderança em Salvador (Folha de S. Paulo)
Eleições 2008 / São Paulo: Globo cancela debate; Alckmin culpa Kassab (Folha de S. Paulo)
Empresas dão "brindes" para servidoras da União (Folha de S. Paulo)
Empresas e fundos acusados negam fraudes (O Estado de S. Paulo)
Empresas fazem festa no Planalto para secretárias (O Estado de S. Paulo)
Estudo clínico em humanos está longe de ser realizado (O Estado de S. Paulo)
Força Nacional tem a sua tropa de elite (Jornal do Brasil)
Fraudes paralisam obras do PAC (Correio Braziliense)
Fundação terá de levar internos para votar (O Estado de S. Paulo)
Gabeira quer obrigar TV a dizer que candidato pagou pesquisa (Folha de S. Paulo)
Globo cancela debate e frustra tática de Alckmin (O Estado de S. Paulo)
Ibope: Washington Reis cresce em Caxias, vai a 43% e empata com Zito (O Globo)
Inquérito contra governador do Amapá vai ao STF (O Estado de S. Paulo)
Juiz aceita ação contra Aécio, Pimentel e Lacerda (Folha de S. Paulo)
Justiça proíbe Rosinha de usar imagem de Lula (Folha de S. Paulo)
Justiça suspende repasse do Incra a ONG em Goiás (O Globo)
Kassab abre vantagem sobre Marta no 2º turno (Folha de S. Paulo)
Kassab se isola em segundo com 8 pontos sobre Alckmin (Folha de S. Paulo)
Lacerda é alvo de ação de inelegibilidade (O Estado de S. Paulo)
Laudo do Exército contradiz Jobim (Valor Econômico)
Licitação com novas regras (Correio Braziliense)
Lobby dentro do Planalto (O Globo)
Marta volta a apelar a Lula contra novo avanço de Kassab (Valor Econômico)
Mostra no STF conta seus 200 anos de história (Folha de S. Paulo)
MP: ação contra Aécio e Pimentel (O Globo)
MPE pede cassação de Lacerda (Gazeta Mercantil)
Mulher de ministro não decola (Correio Braziliense)
Municípios de SP tiveram perdas de R$ 80 milhões (O Estado de S. Paulo)
Orçamento para investimentos é de R$908 milhões (O Globo)
Paes festeja rejeição unânime do TSE de recurso de Solange Amaral (Valor Econômico)
Paes negocia o apoio do PT (O Globo)
Pára-quedas não abre e dá susto em Jobim (O Estado de S. Paulo)
Paulo Ramos, com 1% em pesquisas, inviabiliza debate do Rio na TV Globo (O Globo)
PF conclui inquérito sobre desvio em Alagoas (O Estado de S. Paulo)
Planalto estuda retorno de Paulo Lacerda à Abin (Correio Braziliense)
Protógenes fala que Presidência deu ordem para investigar Dantas (Folha de S. Paulo)
Planalto mandou investigar Dantas, afirma Protógenes (Folha de S. Paulo)
Prefeito propõe elevar Orçamento em 16% (Folha de S. Paulo)
Protógenes grava apoio a candidato em Minas (O Estado de S. Paulo)
PSDB e DEM fazem acordo para 2º turno em SP (O Globo)
PT substitui candidato em cidade gaúcha (O Estado de S. Paulo)
PTB paulista repudia articulações pró-Marta (O Estado de S. Paulo)
Reação: Marta afirma que São Paulo não pode eleger "partido em extinção" (Folha de S. Paulo)
Relator assegura que a Carta continua atualizada (Jornal do Brasil)
Serra assina acordo com governo de PE em clima de campanha (Gazeta Mercantil)
Serra busca aproximação com Campos (Valor Econômico)
Serra quer aliança entre PSDB e DEM para disputa no 2º turno (Folha de S. Paulo)
Serra tenta mostrar que apóia Alckmin e nega que se licenciará para campanha (O Estado de S. Paulo)
Papai Noel chega antes na Câmara (Correio Braziliense)
TCU aponta problemas em 48 obras (Gazeta Mercantil)
TCU defende suspensão de 13 obras do PAC (O Estado de S. Paulo)
TCU encontra irregularidades em 48 obras, 13 do PAC (Jornal do Brasil)
TCU ordena paralisação de treze obras do PAC em dez Estados (Valor Econômico)
TCU recomenda paralisação de 54 obras federais (O Globo)
TRE flagra crime eleitoral em protesto de vans (O Globo)
Tropas federais atuarão domingo em grupos menores e de forma itinerante (O Globo)
Relatório aponta fraude em fundos de 3 Estados e 112 municípios (O Estado de S. Paulo)
Economia
AGORA, BANCOS NEGAM CRÉDITO A AGRICULTORES (Gazeta Mercantil)
EUA VOTAM PACOTE NO SENADO HOJE (Folha de S. Paulo)
NATAL SEM CRISE (Jornal do Brasil)
BUSH SE AJOELHA... (Correio Braziliense)
...o Mercado reza... (Correio Braziliense)
Brasil estuda ajuda do Tesouro a exportadores (Folha de S. Paulo)
SAFRA, EXPORTAÇÃO E BNDES TERÃO MAIS VERBAS, DIZ GOVERNO (O Estado de S. Paulo)
Investidores reagem, mas prejuízos são maiores que socorro (Jornal do Brasil)
'Cheques imensos ainda terão de ser assinados' (O Estado de S. Paulo)
'Não somos uma ilha de sossego' (O Estado de S. Paulo)
'O mundo jamais voltará a ser o mesmo', diz Hugo Chávez (O Estado de S. Paulo)
'Sucessor de Lula deve fazer reforma da Previdência logo' (O Estado de S. Paulo)
Acordo entre Petrobras e PDVSA deve sair este ano (Gazeta Mercantil)
Ajuda urbana é maior (Correio Braziliense)
Alta do dólar facilita liquidação de empréstimos obtidos com a matriz (Valor Econômico)
Americana Anadarko acha petróleo no pré-sal (O Estado de S. Paulo)
Anadarko anuncia descoberta no pré-sal (Valor Econômico)
Análise: Rejeição ao plano foi resposta do povo para a elite (Folha de S. Paulo)
Aperto do crédito no mundo se intensifica (Folha de S. Paulo)
Após pressão de Obama e McCain, Senado vota nova versão do pacote (O Estado de S. Paulo)
Aprovação de Bush despenca para 27% (Jornal do Brasil)
Artigo: Decisão do Congresso foi tão compreensível quanto errada (Folha de S. Paulo)
Bancários ameaçam nova paralisação (Gazeta Mercantil)
Bancários fazem paralisação de 24 horas (O Estado de S. Paulo)
Bancários mantêm greve (Correio Braziliense)
Bancários podem fazer greve nacional (Valor Econômico)
Bancários: greve será por tempo indeterminado (O Globo)
Banco estrangeiro restringe crédito (Jornal do Brasil)
Bank of China vai operar no Brasil (O Globo)
Bernanke sabe o que temer (O Globo)
BNDES poderá emprestar até R$ 12 bi à Petrobras (Folha de S. Paulo)
BNDES terá reforço de R$ 7 bilhões do FGTS (O Estado de S. Paulo)
BNDES vai poder emprestar mais à Petrobras (Valor Econômico)
Brasil não é ilha de tranqüilidade, afirma Serra (Folha de S. Paulo)
Câmbio ajuda a reduzir dívida em agosto (Valor Econômico)
Cenário de crise alcança indústria de transformação, mostra FGV (Folha de S. Paulo)
Chávez desiste de construir Gasoduto do Sul (O Estado de S. Paulo)
CMN amplia crédito do BNDES para Petrobrás (O Estado de S. Paulo)
Com queda de 11%, Bolsa é a pior aplicação do mês (Folha de S. Paulo)
Compras fazem bolsa subir 7,6% e dólar cair para R$ 1,906 (Jornal do Brasil)
Confiança da indústria cai 1,9% e sinaliza arrefecimento (Gazeta Mercantil)
Confiança da indústria cai para menor nível em 4 meses (O Estado de S. Paulo)
Consórcio faz 1ª descoberta no pré-sal (Folha de S. Paulo)
Crédito externo de exportação cai 19% (O Estado de S. Paulo)
Crise eleva resgate de fundos de investimento (Folha de S. Paulo)
Desaceleração global afeta investimento, diz Pastore (Valor Econômico)
Deutsche Bank aponta riscos para bancos brasileiros (Gazeta Mercantil)
Doação a políticos orientou votação na Câmara dos EUA (Folha de S. Paulo)
Dólar forte reduz relação entre dívida e PIB (O Globo)
Dúvidas ainda rondam o plano de US$700 bi (O Globo)
Em meio à crise, estrangeiros desistem de leilão (Valor Econômico)
Emprego agora está nas grandes metrópoles (O Globo)
Encontrado mais óleo no pré-sal (Jornal do Brasil)
Estamos prontos para agir, diz Meirelles (Gazeta Mercantil)
Estrangeiras acham óleo no pré-sal brasileiro (O Globo)
Europa cobra ação dos EUA e articula resposta à crise (Folha de S. Paulo)
Exportadores podem ter mais crédito, diz Jorge (Gazeta Mercantil)
França e Reino Unido articulam socorro (O Globo)
Gasto público cresce menos (O Estado de S. Paulo)
Governo estuda suavizar custo para exportadores (Folha de S. Paulo)
Governo pode apoiar pequeno e médio exportador (Valor Econômico)
Governo sustenta custo de crédito para investimentos (Gazeta Mercantil)
Governo teme efeito da crise na safra e reforça crédito à agricultura (O Estado de S. Paulo)
Hugo Chávez prevê preço entre US$ 80 e US$ 95 (Gazeta Mercantil)
Índice de confiança da indústria cai 2,2% (Valor Econômico)
Investidor vai à caça de pechinchas e bolsas disparam (O Estado de S. Paulo)
Ipea vê risco de retração do mercado de trabalho (Gazeta Mercantil)
Leilão de energia reforça tendência de alta na tarifa (Gazeta Mercantil)
Lula diz agora que a crise é 'muito séria' e o Brasil pode correr riscos (O Globo)
Lula se declara apreensivo, mas garante recursos (O Estado de S. Paulo)
Lula se diz "apreensivo", e Chávez compara tensão a "cem furacões" (Folha de S. Paulo)
Mais fechado ao exterior, Brasil sofrerá menos (O Estado de S. Paulo)
Meirelles: "Brasil está preparado para agir" (Jornal do Brasil)
No Brasil, crédito seca até para as grandes empresas (Folha de S. Paulo)
Nova York: Um dia depois do pior pregão em 21 anos, Dow Jones sobe 4,7% (Folha de S. Paulo)
Novo Plano de Outorgas chega à Anatel em 20 dias (Folha de S. Paulo)
Oi/Telemar é uma das maiores prejudicadas (Jornal do Brasil)
Pacote para exportador é urgente, diz Miguel Jorge (O Estado de S. Paulo)
Pacote pode garantir depósitos de US$250 mil (O Globo)
Para analistas, crise ajudará o BC contra inflação (O Estado de S. Paulo)
Para Meirelles, a crise é grave e exige serenidade (O Estado de S. Paulo)
Para o Bradesco, emergentes atuam para amenizar crise (Gazeta Mercantil)
Paralisação de bancários tem adesão em 22 capitais (Folha de S. Paulo)
Pessimismo contamina mercados asiáticos (Folha de S. Paulo)
PIB de 5% em 2008 é garantido. Para 2009, aposta fica em 3% (O Estado de S. Paulo)
Plano B: Republicanos estudam novo projeto, diz TV (Folha de S. Paulo)
Por uma alimentação infantil saudável (O Globo)
Portabilidade em São Paulo foi adiada para 2 de março de 2009 (Folha de S. Paulo)
Presidente e congressistas esperam aprovação do plano (Gazeta Mercantil)
Presidentes reforçam negócios bilaterais (Valor Econômico)
PT tenta evitar um fiasco nas capitais do Sul (O Estado de S. Paulo)
Real em baixa reduz dívida pública em R$ 40 bilhões (Folha de S. Paulo)
Salário aumenta 3,2% em 2007 (Jornal do Brasil)
São Paulo: Bovespa tem valorização de 7,6% com procura por pechinchas (Folha de S. Paulo)
SEC relaxa regra de marcação de títulos podres (O Estado de S. Paulo)
Serra critica a queima de reservas (O Globo)
Sobem os juros para compra de carro (O Estado de S. Paulo)
SP e PE assinam acordo tributário (Valor Econômico)
Stiglitz prevê longa recessão nos EUA (O Globo)
Superávit chega a 5,78% do PIB (O Estado de S. Paulo)
Superávit fecha agosto em R$ 10,18 bi (Gazeta Mercantil)
Superávit do Brasil já supera o de todo o ano passado (Jornal do Brasil)
Superávit primário bate recorde (Jornal do Brasil)
TCU aponta problemas em Angra 3 e no Rodoanel (Folha de S. Paulo)
Telecomunicações: Texto do PGO será votado pela Anatel em até 20 dias (Folha de S. Paulo)
Tensão faz juro subir e reduz prazo de crediário (Folha de S. Paulo)
Um dia depois do caos, bolsas se recuperam (O Globo)
Varig velha: Juiz exclui réus de processo movido pelo MP (Folha de S. Paulo)
Votorantim construirá distribuidora no DF (Correio Braziliense)
Meirelles: "Crise exige serenidade" (O Estado de S. Paulo)
Varejistas ainda projetam um bom Natal (Gazeta Mercantil)
Opinião
A campanha agüenta a crise (Jornal do Brasil)
A farra dos anistiados não pode parar (Gazeta Mercantil)
A festa da anistia não pode parar (Jornal do Brasil)
A nostalgia da catástrofe (Folha de S. Paulo)
A nova e subversiva latinidade (Jornal do Brasil)
Artigo: Não intervir não é opção (Folha de S. Paulo)
Clássicos da ditadura (Folha de S. Paulo)
Com horizonte (O Globo)
É sensato preservar a TJLP para enfrentar crise externa (Gazeta Mercantil)
Eleições e segurança - uma agenda vazia (Folha de S. Paulo)
Eles brigam. Nós pagamos (Correio Braziliense)
Estado, governo e agências reguladoras (Folha de S. Paulo)
Levando a crise a sério (O Estado de S. Paulo)
Loteria (O Globo)
Mais poder a Correa (Folha de S. Paulo)
Na crise, engenheiro também faz falta (Gazeta Mercantil)
O Brasil não está preparado para crise (O Estado de S. Paulo)
O Brasil no vendaval (Folha de S. Paulo)
O espanto do ministro (O Estado de S. Paulo)
O Estado perdulário e o próximo presidente (Gazeta Mercantil)
O fim do que nunca foi (Folha de S. Paulo)
O legado de Bush (Correio Braziliense)
Ontem, há 20 anos (Correio Braziliense)
Papel do Congresso (Folha de S. Paulo)
Patrulha sem-terra (O Globo)
Pirotecnia terceiro-mundista (O Estado de S. Paulo)
Pouca inovação (O Estado de S. Paulo)
Exército dispensa recrutas por falta de verbas (O Globo)
Separando o joio do trigo (Correio Braziliense)
Tolo é quem pensa que o povo é bobo (O Estado de S. Paulo)
Violência (O Globo)
Internacional
América do Sul: Chávez exalta vitória de Correa em referendo no Equador (Folha de S. Paulo)
Correa mantém expulsão da Odebrecht (O Estado de S. Paulo)
Correa: 'sem tempo' de ler carta da Odebrecht (O Globo)
Despreparo de Palin leva até direita a pedir por sua saída (Folha de S. Paulo)
Congresso dos EUA negocia ajuda a bancos (Valor Econômico)
Presidente perde votação na maior cidade do Equador (O Estado de S. Paulo)
Turbulência não se compara à de 1929 (Gazeta Mercantil)
Geral
'Não existia nenhuma lista em minha gestão' (O Estado de S. Paulo)
Temperatura na Europa sobe rápido (O Estado de S. Paulo)
USP produz 1ª linhagem brasileira de células-tronco embrionárias (O Estado de S. Paulo)
Lista que cita Incra como desmatador abre crise (O Estado de S. Paulo)
Mercador tentar Popularizar a TV digital (Gazeta Mercantil)

Eles brigam. Nós pagamos



Coluna - Nas Entrelinhas
Correio Braziliense
1/10/2008

Os americanos não estão debruçados sobre uma crise mundial. Disputam, na verdade, votos no próprio quintal e não parecem dispostos a cooperar em escala planetária

Tal qual Lula, acordei invocado. Mas não liguei para o Bush. Em vez disso, resolvi olhar pelo buraco da fechadura da política do império. Que visão perturbadora, meus amigos! Ao fim e ao cabo, comecei a torcer secretamente por um evento fantástico e solitariamente capaz de resolver a nova crise mundial: o sobrevôo de uma nave extraterrestre em Mannhatan. Explico-me, explico-me. Antes, porém, um resumo panorâmico do que está em jogo.

Num passado recente, naquela grande nação ao norte, o Banco Central deixou a taxa de juros menor do que a inflação. Queria estimular a economia para evitar uma recessão. Com a margem de lucro limitada pela política monetária, os bancos tiveram que ampliar a escala. Começaram a emprestar dinheiro a quem lhe passasse na porta. Os tomadores nem sempre tinham o perfil aconselhado pela boa técnica bancária para receberem o crédito. Mas fazer o quê? Pegaram o capital e foram às compras. Onde? No mercado imobiliário.

Quando alguém toma empréstimo em banco, os pagamentos futuros, “recebíveis” no jargão da área, tornam-se ativos da instituição financeira. Como tal, podem ser vendidos. Ou dados como garantia de outras operações — “alavancagem”, em financês. Pois os bancos americanos inundaram o mundo com suas carteiras de subprime (apelido dos empréstimos de má-qualidade no ramo imobiliário), seja vendendo-as a terceiros, seja alavancando posições com elas.

Mas e o Banco Central? Permitiu isso? Lá, ao contrário de cá, o sistema é auto-regulado. Nem o BC nem o governo se metem na vida de seus bancos nesse nível de gestão. Eles têm liberdade para fazer o que bem quiserem com o dinheiro que captam e com o crédito que concedem.

Aí, o perigo de recessão passou, mas o de inflação chegou. As taxas de juros voltaram a subir. E aqueles tomadores de empréstimos fizeram o que todo mundo faz quando o dinheiro falta: deram calote. Todos os bancos pelo mundo que adquiriram papéis de alguma forma relacionados com os subprime se viram, de uma hora para outra, com um baita buraco no caixa.

O sistema inteiro entrou em colapso e chegamos ao ponto atual. O governo Bush pediu autorização do Congresso para usar dinheiro dos impostos e comprar dos bancos americanos todas as carteiras de subprimes, sejam créditos diretos ou outros títulos neles lastreados. O pacote custaria US$ 700 bilhões!

É onde entra a política miúda. Maioria no Congresso, o Partido Democrata queria incluir no texto da lei mandada por Bush uma cláusula beneficiando mutuários que fazem parte de sua base eleitoral. Era uma espécie de chantagem. Algo como, “ok, republicanos, nós lhes salvamos se vocês perdoarem as dívidas dos nossos eleitores”.

Minoritário, o Partido Republicano representa o que se chama de “América profunda”. São aqueles caipiras conservadores, com certa ojeriza tanto ao modo de vida dos garotões ricaços do mercado financeiro, como às intervenções do governo sobre negócios privados.

O deputado texano John Culberson é um deles. Eleito pelos votantes do distrito de Houston, ele exerce o quarto mandato. Chegou à Casa dos Representantes pregando a limitação da ação governamental, a auto-regulação dos mercados e a liberdade individual. Foi quem liderou a reação ao pacote. “Não podemos endividar nossos filhos e netos em mais US$ 700 bilhões, além dos US$ 9,2 trilhões da atual dívida pública”, discursou. Em outras palavras, “nós, desbravadores do Oeste, não queremos pagar pelos erros daqueles sujeitinhos de Wall Street”.

Como se vê, os americanos não estão debruçados sobre uma crise mundial. Disputam, na verdade, votos em seu quintal. De onde concluo que só o vôo ameaçador de alienígenas sobre o céu da Grande Cidade os fará cooperar em escala planetária. Caso contrário, iremos todos juntos para o buraco, inclusive este velho e otimista país ao sul do Equador.

Com horizonte EDITORIAL O Globo





1/10/2008

Por mais séria que seja a dificuldade enfrentada pelo sistema financeiro americano neste momento, a economia dos Estados Unidos não está a ponto de quebrar - essa é a principal diferença entre a crise atual e as que o mundo enfrentou há poucos anos, quando de fato vários países estiveram à beira da bancarrota.

Isso talvez explique em parte a montanha-russa em que os mercados financeiros se transformaram, com grandes oscilações nos preços das ações e demais títulos. Ontem, dos 777 pontos perdidos na véspera, Wall Street recuperou 485, com alta de 4,7%. No Brasil, a Bovespa subiu 7,6%, depois de ter caído 9,3% na segunda.

O receio em relação à saúde de instituições financeiras renomadas faz com que o humor dos mercados mude a toda hora e, por isso, foi criada uma grande expectativa em torno de um pacote de salvamento para o qual o Tesouro americano precisa de autorização legislativa específica. O primeiro pacote foi rejeitado, porque parte da opinião pública americana o identificara como um programa que beneficiaria mais banqueiros imprudentes do que propriamente o conjunto da economia. Ao meio de uma campanha eleitoral que se acirra a cada minuto - envolvendo não só a escolha do novo presidente, mas também a disputa pela Câmara dos Representantes e de um terço do Senado - os deputados prefeririam não contrariar seus potenciais eleitores.

Mas não há saída sem traumas maiores do que os que já ocorreram se não houver o pacote. Um novo está em gestação, novamente com apoio de lideranças democratas e republicanas, e ele provavelmente sairá mais em consonância com o preço que a sociedade americana está disposta a pagar para solucionar a crise financeira.

Tecnicamente, ninguém tem hoje condições de aferir o volume de recursos necessários para recuperar as instituições debilitadas. No entanto, o que os mercados precisam efetivamente é que se restabeleça algum grau de confiança para que as operações financeiras sejam retomadas de maneira progressiva. Banco evita emprestar a banco, o que não pode continuar por muito mais tempo. Quando os vasos comunicantes do sistema financeiro voltarem a fluir o crédito, ficará mais fácil separar o joio do trigo, e os próprios mercados ajudarão a se encontrar saídas para a recuperação da economia.

Assim, os sistemas financeiros não estão condenados a desaparecer. É claro que se pode aprender com os erros cometidos e, sem dúvida, passada a crise, não haverá espaço para a negociação de derivativos sem um tipo de regulação como a que já existe para as transações bancárias tradicionais.

A economia brasileira é mais espectadora do que participante ativa desta crise, pois é quase irrelevante a participações de instituições nacionais e capitais originários do Brasil no processo de elevado teor especulativo que desembocou na atual confusão. Embora enfrente reflexos negativos por causa da escassez de crédito e do desaquecimento mundial.

Nosso calcanhar-de-aquiles tem sido as contas governamentais, mas nesse sentido não deixam de ser animadoras as projeções feitas ontem pelo Banco Central quanto à trajetória da dívida pública: até o fim de 2008 estima-se que o endividamento líquido cairá para menos de 40% do Produto Interno Bruto (PIB), o que será um bom indicador de solvência no momento em que o crédito se torna mais seletivo no mundo. Evitar atropelos fiscais é vital para o Brasil.

Patrulha sem-terra EDITORIAL O Globo







Não é a primeira vez no governo Lula que há sinais explícitos de patrulha contra alguém do primeiro escalão que divulga alguma informação ou dá declarações consideradas politicamente incorretas pelos aparelhos que ocupam espaço na máquina pública. Foi assim no primeiro mandato do presidente, quando o hoje ministro da Justiça, Tarso Genro, assumiu o Ministério da Educação com posição contrária às cotas raciais. Deixou claro o que pensava numa entrevista, e foi forçado a recuar no dia seguinte.

Agora, é o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que muito provavelmente se curvou ao ágil e poderoso lobby dos sem-terra que atua a partir do Incra e de dentro do Ministério do Desenvolvimento Agrário desde o início da Era Lula. Não se trata de segmentos da máquina burocrática do Estado brasileiro, mas capitanias hereditárias doadas ao MST e satélites.

É a única explicação plausível para o recuo de Minc na divulgação de que seis assentamentos do Incra, em Mato Grosso, lideram a relação dos cem maiores desmatadores da Amazônia, segundo levantamento do Ibama.

Como, pela cartilha ideológica desses movimentos infiltrados no Estado, o pequeno agricultor é, por definição, um ser de boa índole, e ele, junto com os bons selvagens indígenas, compõe heróicas brigadas preservacionistas, os dados do Ibama foram logo contestados. E Carlos Minc voltou atrás.

Pode ter garantido sua sobrevivência política dentro do governo e do PT, mas malbaratou a Amazônia, de cuja devastação os assentamentos do Incra são de fato um dos grandes responsáveis. Como diversas reportagens, inclusive do GLOBO, já mostraram.

O Brasil no vendaval

Folha de S.Paulo EDITORIAL,
Autoridades têm meios de prevenir efeitos indesejáveis da crise no país, como a escassez no crédito para exportar

A AVALANCHE destruidora da crise global, que não pára de fazer vítimas entre instituições financeiras, amplia o medo e a insegurança dos investidores. Nesses momentos, eles procuram ficar líquidos -isto é, com o máximo de dinheiro vivo à disposição-, de preferência em dólar, o que explica a grande fuga para a moeda americana, apesar de os EUA, cambaleantes, estarem no epicentro do terremoto.
A desconfiança prejudica o fluxo de recursos entre instituições bancárias, algo tão vital para o funcionamento do sistema financeiro quanto oxigênio para o organismo. As taxas de juros cobradas por um banco para emprestar a outro vão às nuvens, o que redunda em paralisias súbitas do crédito interbancário, como aconteceu novamente ontem nos países desenvolvidos.
Sem os bilionários empréstimos de emergência oferecidos pelos bancos centrais, o risco de uma bancarrota abrupta e em cadeia seria altíssimo.
Embora desconectados das operações especulativas que desencadearam a crise a partir dos EUA, bancos e empresas brasileiros já enfrentam dificuldades para acessar linhas de crédito. Até mesmo empréstimos para exportações, operações de baixíssimo risco, foram afetadas, o que não acontecia desde a derrocada do real de 2002.
Nos negócios entre bancos domésticos, também há sinal de dificuldade para obter dinheiro emprestado. Cerca de 8% do crédito no Brasil depende de recursos externos, agora escassos, caros e de prazos mais curtos. Além disso, a insegurança dos investidores, que se alastra também por razões psicológicas, favorece a concentração de dinheiro vivo nos grandes bancos brasileiros.
A fim de facilitar o fluxo de recursos para instituições médias e pequenas, o Banco Central afrouxou, na semana passada, as regras sobre empréstimos compulsórios, a parcela dos depósitos que os bancos comerciais são obrigados a manter retida no BC. Para evitar desfechos indesejáveis dessa crise no país, a manipulação diligente da reserva de R$ 259 bilhões (valor de agosto), oriunda do compulsório, é um dos mais ágeis instrumentos à mão das autoridades locais.
Outro instrumento que poderia ser acionado, em caso de a escassez do crédito à exportação tornar-se severa e duradoura, são as reservas internacionais do país, acumuladas no período de bonança. Trata-se de uma opção melhor, para o contribuinte, do que a de utilizar recursos do Tesouro, como estuda o Planalto.
Na hipótese do prolongamento da fase aguda desta crise, será essencial assegurar a oferta de crédito para que o país continue exportando. A geração de receitas em moeda estrangeira é estratégica num período de violenta turbulência internacional.

Levando a crise a sério

O Estado de S. Paulo EDITORIAL,
Enquanto o presidente George W. Bush negocia com o Congresso um novo pacote de ajuda ao setor financeiro, o governo brasileiro deveria tomar duas atitudes: primeiro, torcer pelo êxito dessa negociação, uma vez que, sem uma intervenção oficial planejada, a crise será mais longa, as operações de socorro serão menos eficientes e a correção será mais penosa não só nos Estados Unidos, mas em todo o mundo, incluído o Brasil; segundo, deixar de lado a oratória de palanque e estudar, com muito realismo, a maneira de enfrentar as dificuldades sem desarranjar a economia nacional. O mais prudente, nesta altura, é esquecer o otimismo. Se o Executivo e o Congresso americanos produzirem um pacote razoável, poderão impedir uma quebradeira maior e facilitar um ajuste mais ou menos ordenado. Ainda assim, a atividade econômica será afetada, o comércio global deverá perder vigor e nenhum país deixará de sofrer algum impacto.

Depois de uma segunda-feira negra, as cotações voltaram a subir nas bolsas da Europa, dos Estados Unidos e do Brasil, impulsionadas pela expectativa de aprovação do novo pacote prometido por Bush. De manhã, ele havia voltado a discursar, insistindo na importância de um socorro imediato ao mercado. Em nota dirigida aos clientes, analistas do banco de investimentos Merril Lynch afirmaram ser mais provável, depois da piora do cenário no dia anterior, a aprovação de uma proposta do Executivo. Avaliações semelhantes foram apresentadas por vários especialistas nos Estados Unidos e noutros mercados.

Mas, apesar do otimismo quanto à aprovação de um novo plano de ajuda, as previsões para a economia nos próximos 12 a 24 meses continuaram sombrias. O crédito vai continuar curto e isso afetará a economia real, isto é, as empresas produtivas, o investimento, o consumo e o comércio internacional. Esta foi a expectativa revelada por analistas de vários países. Mas o cenário poderá ser pior, se a economia da China também enfraquecer, comentou em Londres o estrategista-chefe para mercados emergentes do Banco ING, Charles Robertson.

A crise já afeta o Brasil de duas maneiras, comentou ontem o economista Fábio Giambiagi, do BNDES. Empresas exportadoras já perderam linhas de crédito no mercado externo. Além disso, já há sinais de revisão, pelo menos temporária, de planos de investimento.

A primeira das duas conseqüências é mais visível. O financiamento externo encolheu e ficou mais caro. Internamente, os bancos ainda atendem à procura de empréstimos, mas também com juros mais altos. Nem o BNDES ficou à margem dessa mudança, como já se confirmou na semana passada. Quanto à revisão dos planos de investimento, é indicada abertamente por empresários de alguns setores, como o eletroeletrônico, mas há sinais de insegurança em vários outros segmentos. Exportadores mencionam cancelamento ou redução de encomendas e também isso poderá afetar as decisões de compra de máquinas e de ampliação de instalações produtivas.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, manifestou, finalmente, alguma preocupação com a oferta de crédito a exportadores e a agricultores e prometeu providências. É hora de pensar seriamente no assunto. Que a economia brasileira crescerá menos em 2009 do que neste ano parece fora de dúvida. O desafio, agora, não é fazer do Brasil uma ilha de prosperidade, mas facilitar a acomodação da economia.

O problema consistirá em manter um crescimento razoável, talvez pouco acima de 3%, sem criar pressões inflacionárias e sem ampliar perigosamente o déficit nas transações correntes do balanço de pagamentos. A tarefa será mais fácil se o governo contiver seus gastos, principalmente os de custeio, deixando mais espaço para o crédito ao setor produtivo.

Uma política prudente evitará ao mesmo tempo o enfraquecimento das contas externas e a deterioração das contas fiscais. A arrecadação cada vez maior tem permitido ao governo alcançar as metas de superávit primário. A contenção de gastos tem sido nula ou quase nula. Se a economia crescer menos, em 2009, o recolhimento de impostos será afetado. Como o governo já formalizou grandes aumentos de salários, será difícil reduzir o custeio, mas será preciso tentar. Sem uma redução, o impacto da crise externa poderá ser muito mais forte.

Pouca inovação

O Estado de S. Paulo EDITORIAL,
Enquanto outros países em desenvolvimento, como China, Índia e Coréia, investem na formação de pesquisadores e se transformam em produtores de conhecimento que dinamiza suas economias, o Brasil não consegue eliminar o fosso que separa as instituições de pesquisa das empresas privadas nem aumentar o volume de investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Vai ficando para trás numa corrida decisiva para sua inserção num mundo cada vez mais competitivo, sobretudo nos segmentos mais dinâmicos da indústria, como o da microeletrônica.

Estudo do consultor do Banco Mundial (Bird) Alberto Rodríguez, publicado pela Confederação Nacional da Indústria, confirma que, apesar do conhecido diagnóstico sobre o atraso do País na área tecnológica, pouco se faz de prático para superar o problema.

Os pesquisadores brasileiros publicam seus trabalhos num volume aceitável - eles respondem por cerca de 2% dos artigos científicos das principais publicações internacionais -, mas os resultados práticos das pesquisas são modestos. O Brasil responde por apenas 0,18% do total de patentes registradas no mundo.

"Há a necessidade de que a pesquisa feita na universidade e nos laboratórios seja mais voltada para aplicações práticas e menos teóricas", diz Rodríguez. E o setor privado precisa investir mais em pesquisa e desenvolvimento.

Países como China, Coréia e Índia investem na formação de pesquisadores em áreas tecnológicas, para que seus conhecimentos estimulem o crescimento. No Brasil, como constatou Rodríguez, apenas 19% dos estudantes das faculdades estão matriculados nas áreas de ciências e engenharia. No Chile são 33% e na China, 53%.

Não surpreende que, como mostraram o físico Roberto Nicolsky e o engenheiro André Korottchenko de Oliveira em artigo publicado segunda-feira no Estado, o Brasil venha caindo na classificação dos países que mais registram patentes no escritório americano que cuida do assunto, o Uspto (da sigla em inglês). Há anos o Brasil vem sendo superado pelos países asiáticos, que centraram as políticas de apoio à inovação em áreas de grande impacto sobre diferentes cadeias produtivas, como a microeletrônica. Trata-se, como dizem os autores, de um "setor transversal que agrega valor à tecnologia de outras indústrias".

Malásia, China e Índia são países que apresentam um grande dinamismo na área eletrônica e de software. A Índia, que até 1998 estava atrás do Brasil na classificação do Uspto, dobrou o número de patentes nessa área no triênio 2005-2007, em relação ao triênio anterior, e já responde por 44% dos registros.

O Brasil conseguiu bons resultados em apenas um setor industrial que registra grande crescimento nas exportações mundiais, o de farmácia-biotecnologia. O número de patentes cresceu de 26 para 40 no triênio 2005-2007, com destaque para as subáreas de farmácia-cosmética (de 13 para 23) e de produtos agrícolas e alimentares (de 6 para 11 registros).

É bom também o desempenho do Brasil no comércio de produtos agroindustriais, segmento no qual o País é muito competitivo graças aos investimentos em tecnologia feitos pelo setor nos últimos anos. É, porém, um segmento sujeito a intensas oscilações de preços. Já o segmento no qual os países asiáticos concentraram seus esforços, o de produtos industriais com grande conteúdo tecnológico, é menos sujeito a variações bruscas de preços.

Para alcançar até 2010 o nível de investimentos em pesquisa e desenvolvimento dos países asiáticos de rápido crescimento, de cerca de 2% do Produto Interno Bruto, o setor privado brasileiro teria de triplicar suas aplicações nessa área. Mas as empresas privadas não dispõem de capital suficiente para isso, e, se dispusessem, esbarrariam em obstáculos históricos, como seu notório temor de aplicações de risco e sua falta de experiência.

O governo, cuja ação seria decisiva no estímulo à inovação, é lento na liberação dos financiamentos para pesquisa, é tímido na utilização de seu poder de compra como instrumento de estímulo à inovação e não consegue aproximar as universidades das empresas.

O Brasil não está preparado para crise

O Estado de S. Paulo EDITORIAL,
A divulgação, ontem, dos resultados das contas fiscais do setor público permite acreditar que será cumprida a meta de superávit primário equivalente a 3,80% do PIB, neste ano, e que até se pode chegar à meta informal de 4,30%, levando em conta que no final de agosto já se havia obtido 5,78% do PIB estimado. Mas, neste período de perturbações, é difícil prever quais serão as necessidades de financiamento do setor público, em particular as do governo central, que, de repente, pode ter uma redução nas suas receitas justamente quando o Banco Central tem de fornecer liquidez ao sistema bancário e aos exportadores.

Há, também, uma redução do déficit nominal, que já se podia prever à luz dos resultados do Tesouro Nacional, mostrando queda de 8% nas receitas, em relação ao mês anterior, e de 26,0% nas despesas - embora o superávit primário (dados acima da linha) apresente redução de apenas 12,8%.

Os resultados fiscais que são apurados pela variação da dívida (abaixo da linha) mostram que o setor público (governo central, governos estaduais/municipais e empresas estatais) apresenta redução de 15,9% do superávit primário. A queda de 150% no déficit nominal - que ficou em R$ 2,3 bilhões - se deveu, essencialmente, à redução nos pagamentos dos juros nominais, de R$ 18,8 bilhões, em julho, para R$ 12,5 bilhões, em agosto. Isso representou, em valor absoluto, uma economia de R$ 6,2 bilhões, mas, como o déficit nominal caiu, também em valor absoluto, apenas R$ 4,3 bilhões, não se pode falar que o setor público tenha ingressado numa política de austeridade. As despesas com juros nos oito primeiros meses do ano, de R$ 119,3 bilhões, representaram 6,4% do PIB. Esse é o preço de um endividamento excessivo que só pode ser contido com firme redução de despesas, que, no mesmo período, aumentaram 11,5%, enquanto a receita líquida crescia 16,8%, mostrando que, diante de um aumento das receitas, o governo central se outorga o direito de gastar mais do que o crescimento do PIB.

Enquanto persistir essa tendência, o setor público não estará preparado para enfrentar as contingências que podem advir de uma crise financeira mundial, com conseqüente queda do nível de atividade.

Parece que o governo petista, vivendo ainda da bonança ilusória criada por uma conjuntura mundial favorável, pensa apenas nas eleições de 2010, e não que os tempos já são outros e estão a exigir uma verdadeira política de austeridade.

Tolo é quem pensa que o povo é bobo José Nêumanne

Tendo apenas as próprias ambições pessoais a apresentar como argumentos para convencer o eleitor a votar neles, alguns políticos, como papagaios, repetem lemas e estratégias cegamente, sem prestar atenção em sua óbvia inutilidade. Membro de um grupo apelidado de "raposas felpudas" - os pessedistas mineiros -, exatamente pelo talento para lidar com o gosto e a preferência populares, o falecido Tancredo Neves costumava avisar a seus correligionários que "a esperteza, quando demasiada, é um bicho que acaba por devorar o dono". Eis uma frase que os pressurosos assessores que voam rumo a seus candidatos nos intervalos dos debates eleitorais na televisão deveriam ter sempre na ponta da língua para impedir que estes venham a cometer tantos erros infantis. Afinal, como já sabiam os antigos romanos, errar não é um bicho de sete cabeças. Mas insistir no erro seria diabólico, se o diabo fosse burro.

Comecemos pela favorita nas pesquisas, a ex-prefeita Marta Suplicy, que desembarcou na campanha eleitoral absolutamente convicta de que voltará para o antigo palácio dos Matarazzos no Viaduto do Chá impulsionada pela popularidade de seu patrono, Luiz Inácio Lula da Silva. Até agora a história eleitoral brasileira registra raríssimos casos de transferência de votos bem-sucedida, mas pode ser que - no auge da glória em seu segundo mandato, outra coisa rara - o chefe do governo quebre mais esse tabu e consiga convencer aquele que votaria nele a sufragar o nome de sua ex-ministra do Turismo. Afinal, esse milagre da transposição dos votos pode não ser uma miragem, como a das águas do São Francisco para matar a sede do sertanejo ou a das ondas do Oceano Atlântico, que, no dizer de Sua Excelência, não serão atravessadas pela crise dos EUA para cá, embora pertençamos, nós e os gringos, ao mesmo continente americano e estejamos no mesmo lado do pélago e do pré-sal. Ainda assim, seria aconselhável que dona Marta do PT desse atenção ao fato de que seu padrinho perdeu todas as eleições em que disputou votos no maior município do País, entre elas a última, em que enfrentou o mesmo Geraldo Alckmin, adversário dela hoje. São Paulo fica muito longe de Garanhuns.

Ora, direis, citando outro mineiro sabichão, o udenista Magalhães Pinto, política é como nuvens no céu: mudam de figura num piscar de olhos. É verdade. Tudo muda na vida e, sendo a política feita por políticos, ela muda mais rapidamente ainda. Pode ser que, desta vez, haja uma transferência maciça de votos de Lula para a candidata petista e que sua popularidade tenha crescido de tal forma que domingo ele pudesse ter mais votos que Alckmin, ao contrário do que ocorreu há dois anos. Mas vamos convir que a favorita nas pesquisas no primeiro turno melhoraria bastante a probabilidade da própria vitória se prestasse atenção nas lições da História e na sabedoria popular, matéria em que seu ex-chefe é catedrático, sem ter precisado defender tese. A insistência com que ela acusa o atual ocupante do posto que já foi dela, Gilberto Kassab (DEM), de imitá-la ou repeti-la dificilmente mudará a intenção de algum eleitor que votaria nele a votar nela. Afinal, o cidadão se interessa pela obra e pouco está ligando para quem possa ter sido o autor. Se relacionar obras levasse ao triunfo, Paulo Maluf (PPS) não estaria amargando o ostracismo em que afundou.

De qualquer maneira, a ex-prefeita ainda está no lucro, pois começou o ano alijada da disputa pela frase infeliz do "relaxa e goza" aconselhado por ela às vítimas do caos aéreo nacional: tem garantida pelas pesquisas a passagem para o turno decisivo da disputa, por obra e graça da cizânia entre seus principais adversários. Depois de ter conseguido protagonizar o feito inédito de perder votos do primeiro para o segundo turno na última disputa eleitoral, Geraldo Alckmin faz uma campanha cujo lema poderia ser traduzido por um assim: "Vote em mim, porque Gilberto Kassab é ruim." Contrariando todas as lições do bê-á-bá do marketing político, que parece não ter aprendido na recente derrota para a Presidência, o ex-governador de São Paulo adotou a tática de bater antes para depois beijar, assumindo explicitamente a idéia de que convém insultar o prefeito no primeiro turno para superá-lo e, então, por mera conveniência política, aceitar o apoio dele ou apoiá-lo no turno final. É a leitura eleitoral do famoso fecho do soneto Versos íntimos, de Augusto dos Anjos: "A mão que afaga é a mesma que apedreja." Dando como favas contadas repetir para prefeito os votos que teve para presidente, mesmo tendo, àquela época, chupado na TV um picolé de chuchu para fazer jus a um apelido jocoso, o que não anima ninguém a votar nele para qualquer cargo, o pretendente do PSDB prefere associar o adversário de hoje e aliado de amanhã a correligionários de outrora - Orestes Quércia, no caso. O que ele se esqueceu de perguntar - e qualquer pesquisador poderia responder - é se algum cidadão deixará de votar no prefeito só por ter sido ele secretário de Celso Pitta.

Alckmin e Kassab, aliás, se acumpliciaram na tola e oportunista tentativa de pegar uma caroninha na cauda brilhante do cometa Lula. Dois anos depois de terem tentado derrotar, em vão, o presidente acusando-o de acobertar os companheiros mensaleiros, o prefeito e o ex-governador parecem dispostos a criar um novo partido para o caso de PSDB e DEM se darem mal domingo - o PLTB (Partido do Lula Tudo Bem). Ainda que tenha blasfemado ao tentar superar o Criador, que encarregou Seus representantes na Terra de proibirem o uso de Seu santo nome em vão, o presidente tem razão quando chama a atenção para a hipocrisia e o oportunismo rasteiros dessa manobra espúria.

Todos esses espertinhos fariam melhor se percebessem que bobo o povo não é: tolo é quem pensa que é e disso ainda tenta se aproveitar.

José Nêumanne, jornalista e escritor, é editorialista do Jornal da Tarde

Imunidade preventiva Dora Kramer

Tímido na abordagem e lento na solução de problemas objetivos, o presidente Luiz Inácio da Silva em mais de uma oportunidade também já mostrou o quanto é ligeiro e destemido quando o assunto é política. Se a questão em jogo for eleitoral, então, não há ninguém mais alerta e pragmático.

Já sentiu de longe o aroma do perigo e, por isso, muito antes de se materializar a preocupação no governo com a extensão da crise econômica mundial para os dois últimos anos de seu mandato, o presidente começou a construir o discurso preventivo à eventualidade de o bolso do brasileiro vir a ser atingido em cheio pelos efeitos da dura conjuntura.

Lula nunca fala do problema na essência, sempre no feitio de acusação. Ora a crise é "do Bush" ora a culpa é das agências de risco "palpiteiras", ora a responsabilidade é do "cassino" montado pelos Estados Unidos no mercado financeiro, ora o demônio está encarnado no "capital internacional" sempre pronto ao massacre contra os países pobres e emergentes.

Não importa o nome do bode, desde que sirva para expiar todas as culpas e afastar do Palácio do Planalto quaisquer ônus políticos decorrentes da crise.

No caso do aprofundamento e do prolongamento do cenário adverso, Lula enfrentaria sua primeira crise de verdade justamente no período em que estaria se preparando para fazer bonito no processo da própria sucessão: saindo dele com a vitória eleitoral debaixo do braço ou com as credenciais de líder da oposição e candidato a presidente em 2014, nas mãos.

Ainda não se sabe a extensão da quebradeira nem se a popularidade de Lula é realmente sustentada só pelo bom desempenho da economia, hipótese em que esse capital se reduziria na mesma proporção do aumento das dificuldades.

Não obstante o pensamento predominante de que uma virada na economia brasileira faria a canoa de Lula virar junto, esta não é necessariamente uma verdade inescapável. Claro que o presidente se valeu nos últimos seis anos de condições internacionais favoráveis e do fato de ter recebido um país muito mais arrumado por reformas combatidas por seu partido.

Nunca foi posto realmente a teste na parte mais sensível do organismo humano economicamente ativo, o bolso. Agora, já mostrou mais de uma vez uma monumental capacidade de manter sua figura a léguas de distância de situações complicadas.

Não foi a economia a responsável pela mágica da separação entre Lula e o PT no momento em que a cúpula da agremiação fundada e mantida sob sua firme direção a vida toda era acusada de montar uma "organização criminosa" no governo presidido por ele.

Tampouco foi o crédito farto o arquiteto da construção do cordão de isolamento entre o presidente e seu chefe da Casa Civil, seu ministro da Fazenda e toda a plêiade de auxiliares envolvidos com toda sorte de ilícitos: de tráfico de influência a quebra de sigilo bancário, passando por flagrantes de compra e venda de dossiês, quando não documentos contra adversários montados dentro do Palácio do Planalto.

O responsável pelo feito chama-se Luiz Inácio da Silva, cuja habilidade de manipulação de fatos, palavras, gestos, emoções e capacidade de inverter a própria lógica da vida não podem ser jamais desprezadas.

Portanto, ainda que o desastre mundial se aprofunde e atinja o Brasil ao ponto de alterar o cotidiano das pessoas, isso não autoriza previsões desastrosas a respeito dos dois anos reservados por Lula para marcar sua passagem para a História.

É preciso conferir se os outros fatores de identificação popular não atuam tão ou mais fortemente que a economia.

As conseqüências poderão ser melhores ou piores, dependendo do talento de Lula para manter a qualidade do desempenho e do grau de tolerância da sociedade para com atitudes antigamente condenadas e hoje promovidas ao terreno dos atos geniais.

Mas até isso o presidente terá de calibrar. Tem chance de sair como vítima, como parece pretender. Mas, se exagerar nos alertas à Casa Branca, chamadas às falas ao Capitólio e bravatas do gênero, poderá revelar-se menor que a expectativa de seus admiradores, abrindo espaço para que partam em busca de portos que porventura venham a se mostrar mais seguros no campo da oposição.

Anistia

Em São Paulo, Roberto Jefferson declara simpatia por Marta Suplicy, Maluf no segundo turno vai de Gilberto Kassab muito bem obrigado, enquanto, no Rio, José Dirceu é saudado como reforço ao PC do B de Jandira Feghali.

Além da função de cabos eleitorais, Jefferson, Maluf e Dirceu dividem a condição de objetos de processos por atos genericamente classificados sob a rubrica corrupção.

Na atual conjuntura da política brasileira isso já não faz nenhuma diferença. Dá no mesmo o cidadão estar sob suspeita ou dispor de biografia acima de qualquer suspeita.

Por enquanto, processo não tira pontos. Pior será quando começar a acrescentar.

Chega de bodes expiatórios Stephen S. Roach *

Em meus 35 anos como economista profissional, já enfrentei cinco recessões e cerca de uma dúzia de crises financeiras. Mas nunca uma delas chegou tão perto de casa. Isso torna a experiência pessoal, o que traz um risco adicional de colorir o julgamento do analista calculista e frio que gosto de pensar que sou. Mas aí vai uma tentativa de qualquer modo.

Apesar de vivermos uma crise de crédito há mais de 14 meses, não pode haver engano sobre os sinais reveladores da fase de pânico dessa crise que se tornaram evidentes pela primeira vez na semana passada. Estamos em meio ao que o acadêmico Charles Kindleberger chamou de "estágio de repulsa" de uma crise - as vendas indiscriminadas e contagiosas de ativos problemáticos que faz os "bancos pararem de emprestar com a garantia desses ativos".

Quando esse medo toma conta dos mercados, os investidores (e especuladores) são rápidos em generalizar, punindo muitos pelos pecados de poucos. Essa é a fase mais perigosa de qualquer crise - quando implosões no mercado começam a adquirir uma vida própria que se auto-alimenta.

O mais importante nos pânicos financeiros é que eles são todos temporários. Ou eles morrem de exaustão, ou são barrados pela artilharia pesada de políticas governamentais. Isso coloca a questão mais importante de todas: O que dará fim a esse pânico? Kindleberger, de novo, coloca isso claramente. Ele argumenta que os pânicos financeiros tendem a se realimentar até que uma ou mais de três coisas aconteçam: 1) os preços desçam a profundezas que tragam os investidores de volta aos ativos problemáticos; 2) as bolsas sejam fechadas; ou 3) os bancos centrais entrem em ação. Neste momento, o progresso não é animador em nenhuma delas.

Isso é especialmente verdadeiro para a muito esperada resposta da política fiscal - a Lei de Estabilização Econômica de Emergência de 2008 - rejeitada na Câmara de Representantes dos EUA na segunda-feira. Com os mercados financeiros derretendo após a politização da crise pelo Congresso, tenho uma suspeita de que os políticos americanos agora mudarão rapidamente seus pensamentos e votarão para aprovar esse plano nos próximos dias. E isso quase certamente beneficiará as partes menos líquidas de mercados de crédito cada vez mais disfuncionais.

Infelizmente, a solução do Congresso é falha em vários aspectos decisivos, em especial sobre o alcance do pacote. O Plano Paulson original foi estabelecido em US$ 700 bilhões. Mas a versão do Congresso propôs um pagamento inicial de apenas US$ 250 bilhões e ofereceu o restante em duas parcelas separadas - uma vinculada à aprovação presidencial e a outra dependente de uma nova autorização do Congresso.

Em tempos de crise e de pânico, a resposta política deve errar pelo lado do excesso. Essa abordagem erra pelo lado da falta. Além do mais, uma resposta política também deve ser inconfundivelmente direta em seu foco para conter mercados desorientados. O Plano Paulson original de três páginas e meia era precisamente isso. Certo, ele tinha falhas, mas era inconfundivelmente claro em mirar com firmeza os mercados disfuncionais de crédito e hipoteca.

O Congresso respondeu com uma peça de legislação de 100 páginas, completa com dispositivos adicionais sobre garantias de capital para instituições participantes, restrições à remuneração de executivos, um esquema de seguro suplementar e quatro novas funções de supervisão burocráticas. Isso dilui o ímpeto da resposta política e abranda seu impacto na aflição do mercado.

Com o pacote fiscal ficando aquém de necessário, o ônus de um ajuste provavelmente recairá agora fortemente na política monetária. Em tempos de crise extrema, o banco central precisa fazer uma declaração forte e inequívoca de que está preparado para fazer tudo ao seu alcance como um emprestador em último recurso.

Especificamente, eu acho que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) precisa tomar emprestada uma página do script de Greenspan para o crash de 1987 e enviar uma mensagem simples e direta de apoio ilimitado à liquidez de mercados em crise. Ao mesmo tempo, ele devia tomar uma forte medida simbólica cortando imediatamente sua taxa referencial em 50 pontos básicos para que os mercados saibam que ele leva esse assunto muito a sério. E o Fed devia convocar outros bancos centrais importantes para se unirem numa rara ação política coordenada.

Estou convencido de que uma resposta de política monetária tão poderosa, ante a resposta fiscal menos que ótima, faria muito para conter a loucura que está tomando conta dos mercados financeiros.

Essas ações também fariam muito para amenizar os danos colaterais que estão sendo infligidos aos Estados Unidos e à economia global como um todo. O presidente do Fed, Ben Bernanke, é um renomado especialista na Grande Depressão. Ele sabe melhor que ninguém que a lição mais importante daquele período foi uma série de grandes asneiras políticas do banco central do país. Esse conhecimento precisa ser colocado agora em ação.

O Fed de hoje não é um espectador inocente dessa confusão, especialmente à luz do papel que jogou em perdoar os excesso da última década. Estará ele condenado a permanecer nesse curso, e de repetir os erros dos anos 1930? Minha aposta é um retumbante "não". Mas já é tempo de Bernanke dissipar qualquer dúvida de uma vez por todas. E é mais do que tempo de o Congresso deixar de lado a política de encontrar bodes expiatórios e seguir em frente no pesado encargo de conter a crise. A alternativa é simplesmente inaceitável.

*Stephen S. Roach é presidente das operações da Ásia do Morgan Stanley e escreveu este artigo para o The International Herald Tribune

A revolta dos niilistas David Brooks *


Em 1933, Franklin Roosevelt herdou uma crise econômica. Ele compreendeu que seu primeiro trabalho era restabelecer a confiança, dar às pessoas uma sensação de que alguém estava no comando, que alguma coisa iria ser feita. A atual geração de líderes políticos está enfrentando uma situação parecida, e, até agora, fracassou absoluta e catastroficamente em projetar algum senso de autoridade para dar ao mundo alguma razão para acreditar que este país está sendo governado. Em vez disso, ao rejeitar o pacote de salvamento na segunda-feira, eles tornaram o clima psicológico muito pior.

George W. Bush está completamente sem gás, tendo dilapidado sua influência tanto junto aos republicanos como aos democratas. O secretário do Tesouro, Henry Paulson, é um financista esperto, mas um legislador inepto. Disseram-lhe várias vezes que os republicanos da Câmara não apoiariam seu projeto, e sua resposta foi cair de joelhos diante da presidente da Câmara, Nancy Pelosi. Os líderes na Câmara de ambos os partidos se enredaram em suas próprias negociações, mas será que ocorreu a algum deles que seria difícil aprovar uma lei francamente descrita como um salvamento de Wall Street? Será que o queridinho da mídia, Barney Frank, estava ocupado demais para notar os 95 democratas que se opunham à lei?

Não foi o discurso contundente de Pelosi no momento crucial que realmente matou essa lei, mas será que ela precisava ter agido como uma levantadora de fundos democrata no momento mais importante de sua carreira? E tratemos de reconhecer, acima de tudo, os 228 que votarão não - os autores dessa revolta dos niilistas. Eles mostraram ao mundo o quanto detestam seus próprios líderes e a experiência reunida do Tesouro e do Fed (o banco central). Eles fizeram a coisa momentaneamente popular, e se o país mergulhar numa recessão profunda, terão o tempo e o ócio para ver a opinião pública se virar contra eles.

Os republicanos da Câmara saíram na frente e receberão a maior parte da culpa. Foi interessante observá-los em sua missão resoluta de destruir o Partido Republicano. Não faz muito tempo, eles lideraram uma cruzada contra a imigração para afugentar o apoio hispânico. Depois, também ouviram as vozes mais altas e mais zangadas de seu partido, surdos às ansiedades complexas que despontam na maioria das mentes americanas.

Agora, eles mais uma vez confundiram programas de entrevista no rádio com a realidade. Se a economia degringolar, eles entrarão na história como os Smoot Hawleys (proponentes de uma lei tarifária que agravou a Grande Depressão) do século 21. Com seu voto, eles assumiram responsabilidade por esta economia, e serão cobrados por isso. Os golpes de curto prazo cairão sobre John McCain, o stress de longo prazo na existência do Partido Republicano tal como o conhecemos.

Conversei com alguns republicanos da Câmara nos últimos dias e a maioria admiravelmente acredita nos princípios do livre mercado. O triste é que eles ainda pensam que estamos em 1984. Eles ainda acham que a maior ameaça vem do socialismo e do liberalismo de Walter Mondale. Eles parecem não ter notado como os fluxos globais de capital transformaram nossa economia política.

Estamos vivendo numa era em que um vasto excesso de capital se espraia pelo mundo alimentando ciclos de crescimento e estouro de bolhas. Quando o capital inunda um setor ou economia, ele acaba com as práticas de negócios sóbrias, e hábitos de disciplina e comedimento. E os gestores financeiros entram em pânico e ele escoa para fora, punindo igualmente os justos e os injustos.

O que nós precisamos nesta situação é de autoridade. Não uma regulação com mão pesada do governo, mas a mão firme e poderosa de algumas instituições públicas capazes de proteger contra as influências corruptoras do dinheiro lamacento e depois impedir contágios destrutivos quando o crédito escasseia.

O plano do Congresso não era o queridinho de ninguém, mas era uma tentativa de afirmar alguma autoridade. Era uma tentativa de alterar a psicologia dos mercados. As pessoas não confiam nos bancos; os banqueiros não confiam uns nos outros. Era um esforço para enfrentar a crise de autoridade em Washington. Ao menos ele poderia ter estabilizado a situação para que as reformas fundamentais da arquitetura financeira do mundo pudessem ser empreendidas mais adiante.

Mas os 228 membros da Câmara que votaram não agravaram a queda livre psicológica global, e agora temos uma crise de autoridade política por cima da crise de autoridade financeira.

A única coisa que resta agora é tentar de novo - salvar o salvamento. Não há tempo para montar um pacote inteiramente novo, por isso o plano do Congresso deve passar por uma nova votação na quinta-feira, desta vez com adições que sustentem os preços das moradias e ajudem diretamente os detentores de hipotecas. Martin Feldstein e Lawrence Lindsey têm ambos boas propostas do tipo que poderiam levar a uma coalizão majoritária plausível. Afrouxar as regras para seguros de depósitos também seria bom.

Se isso não acontecer, o mundo poderá ficar à beira não só de tempos econômicos duros (os europeus, aparentemente, ainda nem mesmo começaram a tomar conhecimento de sua dívida tóxica) - mas também de tempos políticos duros.

O século americano foi criado por uma liderança americana que neste momento anda mais escassa que o crédito.

*David Brooks escreve para o The New York Times

Celso Ming - A fonte vai secar

É como a malária. Um dia é de tremedeira, outro, de calma. Outro mais, também de calma e, lá pelas tantas, vem outra vez a tremedeira. Isso mata? Pode matar, sim. Mas o doente pode morrer de outra coisa.

A calma voltou ontem para os mercados porque todos resolveram apostar que os políticos americanos não vão ficar no castigo dos banqueiros irresponsáveis. Parece que eles entenderam o recado mais importante, o de que banqueiro quebrado derruba o dinheiro do depositante e do aplicador, portanto, arrasta para o fundo também o eleitor que eles julgaram estar atendendo quando da rejeição do pacote do secretário Henry Paulson.

Mas, também para o Brasil, a tremedeira geral trouxe novidades. Até agora, o presidente Lula repetia que o País não seria atingido. A conversa já é outra. Ficou admitido que nem tudo vai continuar como antes. O crédito externo, por exemplo, está fechado e não voltará tão cedo a ser o que era. As empresas não vão encontrar financiamento fácil e provavelmente terão de comprar dólares no câmbio interno para pagar compromissos no exterior.

Mas a escassez de crédito também vai espraiar-se para as operações em reais. São vários os mecanismos pelos quais pode faltar esse dinheiro. Um deles tem a ver com o próprio mercado de capitais. Até há alguns meses, foi relativamente fácil para as grandes empresas emitirem ações. Mas essa temporada também ficou para trás. As empresas que agora precisarem de mais recursos para investimento ou para capital de giro terão de recorrer aos bancos e, assim, alijarão pessoas físicas do circuito do crédito.

Pode faltar dinheiro também para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Assim, o PAC, que já andava empacado, corre o risco de ficar ainda mais. E aí já vemos um desdobramento político. O presidente Lula contava com o show das obras públicas para promover a Mãe do PAC (ministra Dilma Rousseff) na sua candidatura à Presidência da República em 2010. Agora pode ter se atrapalhado em seus planos. Conforme for, a Petrobrás terá mais dificuldades para conseguir recursos para investir nos projetos do pré-sal.

Alguns observadores entendem que está no fim o ciclo de alta das commodities e, por isso, o Brasil vai perder receitas com exportações. Essa pode ser uma conclusão apressada porque não há certeza de que haverá redução da demanda de alimentos. A Ásia continuará crescendo em torno de 8% ao ano e isso significa que pelo menos mais 30 milhões de pessoas serão incorporadas anualmente ao mercado de consumo e, portanto, ao mercado de alimentos. Pode-se acrescentar ainda que o segmento de etanol nos Estados Unidos continuará retirando cada vez mais milho do mercado.

O crescimento econômico do Brasil vai ser mais baixo (provavelmente ficará pelos 3% em 2009) e, assim, a arrecadação de impostos também não será o que está sendo. Isso vai exigir reação do governo federal. Como não dá mais para aumentar a carga tributária, parece inevitável uma redução das despesas do governo. O momento está pedindo mais austeridade na condução das contas públicas.

Se o governo Lula puser em marcha um plano assim, não vai ser a malária que matará a economia brasileira.


Confira

Deixou de ser - Dois economistas que se consideram de esquerda e que, até há alguns meses, não poupavam críticas à política econômica do presidente Lula agora estão dizendo que a economia brasileira está bem mais preparada para enfrentar a crise financeira global.


São eles a professora Maria da Conceição Tavares, da PUC carioca e da Unicamp, e o atual representante do Brasil no Fundo Monetário Internacional, Paulo Nogueira Baptista Júnior.

Ora, se a economia está melhor agora, não pode ser por outra razão senão pela política macroeconômica adotada.

TURBULÊNCIA GLOBAL - COFRES ABERTOS


  • Governo teme efeito da crise na safra e reforça crédito à agricultura
  • Pacote para exportador é urgente, diz Miguel Jorge
  • Banco do Brasil vira a grande fonte das empresas
  • Crédito externo de exportação cai 19%
  • BNDES terá reforço de R$ 7 bilhões do FGTS
  • Lula se declara apreensivo, mas garante recursos
  • ''O mundo jamais voltará a ser o mesmo'', diz Hugo Chávez
  • Para Meirelles, a crise é grave e exige serenidade
  • Serra:''Não somos uma ilha de sossego''
  • Serra:''Não somos uma ilha de sossego''

    O ESTADO DE S PAULO,

    Angela Lacerda


    "Não somos uma ilha de tranqüilidade num mar de turbulência", disse ontem o governador de São Paulo, José Serra, no Recife, ao destacar que o Brasil tende a ser atingido pela crise internacional. "Não sabemos em que proporção, mas o Brasil tem duas vulnerabilidades, o déficit em conta corrente ascendente e a expansão exagerada dos gastos correntes", disse.

    "Para dar conta dos aumentos que estão dando agora e se programando para o futuro, a receita real tributária no Brasil teria de crescer 9% ao ano, real (acima da inflação)", frisou.

    Essas fragilidades se destacam, segundo Serra, quando se compara com outros países emergentes. Para ele, o governo está começando a gastar reservas para manter o valor do real "claramente sobrevalorizado, diria hipervalorizado". Para Serra, foi "um equívoco" ter promovido uma sobrevalorização exagerada que "neste momento, evidentemente, cobra seu preço." Para ele, a tendência é desvalorizar e o governo deverá ficar subindo juros mais ainda para poder segurar o dólar.

    Augusto Nunes Coisas da Política

    A festa da anistia não pode parar
    TERMINANTEMENTE PROIBIDA DE ATRAVESSAR O ATLÂNTICO pelo presidente Lula, disposto a tudo para manter a forasteira indesejada longe de um Brasil que passou de pobre a novo-rico em apenas cinco anos, e daqui a mais cinco estará desfrutando do vidaço de bilionário petroleiro, a crise econômica americana foi obrigada a viajar por terra. A interdição do oceano forçou o monstrengo parido pelo capitalismo ianque a enfrentar canseiras e perigos exonerados da rota marítima. Cruzou a nado o Canal do Panamá, recorreu a furtivas caminhadas noturnas na inóspita etapa bolivariana, por pouco não foi atropelada por alguma motosserra na travessia da Amazônia. A viagem só terminaria neste começo de primavera. Na semana passada, a Bolsa de Valores e o dólar anunciaram que a crise chegou ao Brasil. Problema de George Bush, parecem pensar como Lula os tripulantes e passageiros do trem da alegria a serviço da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Tudo vai bem no paraíso tropical que o chefe criou. E anda sobrando dinheiro, reiteraram as três paradas feitas em cinco dias pelo trem pagador. Na segunda-feira, o vagão dos metalúrgicos recolheu na estação da Câmara Municipal de São Bernardo 41 veteranos de greves, todos contemplados com indenizações que variam de R$ 100 mil a R$ 300 mil e pensões de R$ 900 a R$ 2.700 por mês. É pouco, queixaram-se os embarcados.
    Se são todos heróis da resistência, por que o adjutório mensal é inferior ao de Lula, orçado em R$ 4.509? Se o batalhão dos operários do ABC lutou com tanta valentia e tanto desprendimento quanto a brigada dos jornalistas do Rio, como conformar-se com indenizações que parecem troco se comparadas aos R$ 1.000.253,24 embolsados pelo cartunista Ziraldo? "A Lei de Anistia é pouco eqüitativa", desculpou-se Paulo Abrão, presidente da comissão. "Particularmente, discordo dos critérios que aprofundam desigualdades e não identificam quem suportou mais sofrimentos e prejuízos em razão das perseguições". A angústia de Abrão seria abrandada, nas duas paradas seguintes, por merecidos elogios à inventividade do maquinista-chefe. Na quinta-feira, ao preço de R$ 99,6 mil (fora as prestações mensais), Nilmário Miranda inaugurou o carro-leito reservado a ex-ministros de Lula. Na sexta, durante a escala na estação da CNBB, instalaram-se no ecumênico vagão dos religiosos passageiros que nunca receberam salários ­ e viviam jurando que o caminho para o Reino dos Céus é muito mais curto para quem não tem apego a dinheiro. O pastor americano Frederick Morris (indenização de R$ 286 mil e prestações mensais de R$ 2 mil) viaja agora ao lado do arcebispo-emérito da Paraíba, dom Marcelo Carvalheira (indenização de R$ 100 mil). Entre 2002 e junho deste ano, a farra da anistia torrou R$ 2,3 bilhões com indenizações. Pensões e aposentadorias consomem R$ 28 milhões por mês. A fila de espera passa de 30 mil pedintes. Com crise ou sem crise, a festa continua. O Brasil não se espanta com mais nada.

    Rio coloca em risco ibope do Ibope


    A pesquisa divulgada pelo DataFolha no fim de semana traduziu em números o que via com nitidez até o mecânico da Ferrari que cuida do sinal verde no pit stop: a onda Gabeira chegara ao pescoço de Marcello Crivella e ameaçava engolir em poucas horas o candidato do PRB. Ilusão de ótica, discordou o Ibope, que enxergou uma diferença de 14 pontos percentuais entre o senador (24% das intenções de voto) e o deputado do PV (10%). O Rio tem 4,5 milhões de eleitores. A margem de erro é de 3 pontos percentuais. A menor das distâncias, portanto, mostra o segundo colocado com 21% (ou 945 mil votos), 8 pontos acima do terceiro (13%, ou 585 mil). Sobretudo em números absolutos, é uma diferença de dimensões formidáveis. Como Fernando Gabeira continua com mais cara de segundo turno que Crivella, é bom que o instituto comece o quanto antes a garimpar explicações para o enigma que pode emergir das urnas: o que aconteceu para que fosse superado em 10 dias o abismo de 360 mil votos? Se não for convincente, o Ibope poderá ficar com um ibope de deixar ruborizado o mais nanico dos candidatos.

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