O Estado de S Paulo
Os brasileiros irão hoje às urnas com uma visão turva sobre o que pretende fazer o futuro governante em ações econômicas de alcance mais abrangente para o País. Em campanha marcada pela multiplicidade de meios de comunicação engajados na eleição e o massivo e agressivo (bom e mau) uso da internet, os candidatos calaram em relação a temas fundamentais para o futuro do Brasil. Em compensação, foram pródigos em promessas. Casa própria, água e esgoto tratados para 100% dos pobres, aumentar o salário mínimo, ampliar o Bolsa-Família, criar milhares de creches, escolas e centros profissionalizantes, qualificar professores, construir hospitais e centros de atendimento à saúde em todos os municípios, eliminar prazos para consultas médicas e cirurgias, garantir segurança em favelas e áreas de risco, combater as drogas, etc... Enfim, promessas velhas para problemas velhos da parcela mais pobre, mais ingênua, mais desinformada e mais explorada por candidatos em campanha. De tão banalizadas e repetidas, são recebidas com desconfiança e ceticismo.
E sobre o que calaram os candidatos? Eles esconderam seus programas econômicos. Aqueles que, passado o pleito, são tratados com absoluta prioridade pelo vencedor, justamente porque miram diretrizes e ações mais importantes, definem prazos e cronograma de propostas ao Congresso e planejam as principais medidas do governo que será empossado em 1.º de janeiro.
O triunfo nas urnas é o que dá força política ao novo governante para executar ou fazer aprovar no Congresso propostas impopulares, mas absolutamente necessárias para fazer prosperar a economia e equilibrar as contas públicas. Convém, pois, delas tratar logo nos primeiros dias de governo. Foi assim com Fernando Henrique, em 1995, e com Lula, em 2003, embora os dois tenham recuado e conseguido muito pouco. É o caso das reformas política, tributária, previdenciária e trabalhista, que patinam há 16 anos e não são resolvidas.
A reforma política é a mais difícil, porque mexe em interesses de deputados e senadores que irão votá-la. Ao simplificar o emaranhado de impostos, a tributária é temida pelo governo federal, governadores e prefeitos que receiam perder arrecadação. A mais incompreendida, a previdenciária, enfrenta a oposição de idosos (que nem são atingidos), sindicatos de trabalhadores e funcionários públicos, todos gritando para o Congresso rejeitá-la. E a trabalhista, que poderia modernizar regras e incluir trabalhadores excluídos de direitos, é vetada por sindicatos. São todas impopulares, mas absolutamente necessárias.
Outro tema ignorado pelos candidatos na campanha é o que farão para remover os entraves que elevam o custo de produzir no Brasil. Aí sobressaem o investimento em infraestrutura, a despolitização das agências reguladoras, definição de projetos prioritários, marcos regulatórios bem construídos e regras estáveis para atrair o investimento privado. Hoje é comum navios esperarem semanas para desembarcar mercadorias, por insuficiência de portos bem equipados no País. Essa demora eleva o custo Brasil, o preço final dos produtos. A mesma carência existe em relação a rodovias, ferrovias e hidrovias. E o que fará o novo governante com a Lei de Responsabilidade Fiscal, tão enfraquecida no governo Lula? Ela ajuda a conter os gastos e equilibrar as contas do presidente, governadores e prefeitos. Haverá um programa organizado e com metas definidas para reduzir despesas públicas e redirecionar verbas para investimento em saneamento, por exemplo?
Aliás, no quesito gestão fiscal, a candidata com mais chance de vitória, Dilma Rousseff, é a que mais suscita dúvidas e preocupações. Ela acionará o freio para arrumar as finanças públicas e conter a explosão de gastos de custeio, a expansão acelerada da dívida, os aportes excessivos de dinheiro ao BNDES? Ou a busca frenética de popularidade política vai continuar alimentando ações irresponsáveis? E seu estilo intervencionista vai prevalecer para impedir o Banco Central de elevar os juros?
São dúvidas que o eleitor não teve esclarecidas para definir seu voto.
Arquivo do blog
-
►
2012
(836)
-
►
Maio
(77)
- Lula e Gilmar Mendes: conversa errada, no local er...
- Celso de Mello: ação de Lula foi indecorosa - O Gl...
- De parar o trânsito Miriam Leitão
- Danuza Leão - Olé
- Espalha brasa:: Dora Kramer
- As bienais e as vanguardas:: Ferreira Gullar
- Falsos remédios :: Suely Caldas
- "A Decadência do Ocidente":: Vinicius Torres Freir...
- O euro, ou vai ou racha:: Celso Ming
- Crescimento modesto em 2012:: José Roberto Mendonç...
- O "B" e o "C":: Merval Pereira
- Fernando Gabeira Coisa Nossa
- Marco Antônio Villa Verdade ? que verdade?
- Mantega cria o “realismo fantástico” do câmbio
- Augusto Nunes Vaccarezza mostrou que no peito de a...
- Reinaldo Azevedo 20/5/12
- Suely Caldas. Dilemas do setor elétrico
- “Cosa Nostra” - DORA KRAMER
- Freada na Argentina - CELSO MING O Estado de S...
- Tiro no pé - MERVAL PEREIRA
- Há espaço para crescer mais - ALBERTO TAMER
- Campo da floresta - MIRIAM LEITÃO
- Seca a CPI do Cachoeira - EDITORIAL O ESTADÃO
- Sobre a Comissão da Verdade - CELSO LAFER
- A nova ordem e a força social - GAUDÊNCIO TORQUATO...
- Um pequeno grande jornal - FERREIRA GULLAR
- De sacolinhas e pieguices - DANUZA LEÃO
- A mulher a ciência e o coco João Ubaldo
- Agenda econômica em fase de mudança. Editorial O G...
- camarada que pôs fogo na crise - VINICIUS TORRES F...
- Cláudio Humberto
- Maratona e reina dos bancos. Vinicius Torres Freir...
- Celso Ming. Energia mais barata
- Exceção a velha regra. Dora Kramer
- Pêndulo da balança. Miriam leitão
- Meia verdade,meia mentira. Carlos Alberto Sardenbe...
- Agricultura salva PIB
- A v aia dos prefeitos. Editorial O Globo
- Para fazer a lei `pegar' - EDITORIAL O ESTADÃO
- Um luxo Merval Pereira
- Querem salvar a Delta via BNDES - SÉRGIO GUERRA
- A crise europeia está em plena forma - GILLES LAPO...
- Como apagar o desejo de consumir drogas - FERNANDO...
- Maílson da Nóbrega (VEJA)
- Augusto Nunes:..Volta ao palco o papagaio de pirat...
- O preço do crescimento :Raul Velloso
- Fatalidades e voluntária os Pedro Malan
- Merval Pereira Sem revanchismos
- Lucia Guimarães Uma trama em que em que terrorismo...
- 'Carcará' e Falcão contra a liberdade de expressão...
-
►
Maio
(77)
-
▼
2010
(1998)
-
▼
Outubro
(42)
- Arnaldo Jabor - A difícil missão de Dilma Rousseff...
- Aécio troca discurso pós-Lula por postura anti-Lul...
- O mendigo mora ao lado Celso Ming
- Voto ou sombra e água fresca? Eliane Cantanhêde
- País dividido Merval Pereira
- Nova rodada Míriam Leitão
- Modos e costumes LUIZ GARCIA
- O súbito encanto de Marina Silva Arnaldo Jabor
- Um 'não' ao personalismo Editorial o Globo
- A implosão do plebiscito O Estado de S. Paulo Edit...
- O eleitor tem a força Dora Kramer
- Vai ser preciso mais - Celso Ming
- Melhor que está pode ficar Ilan Goldfajn
- Hora das respostas Rodrigo Constantino
- DANUZA LEÃO Na torcida
- Suely Caldas -Dúvidas do eleitor
- Gaudêncio Torquato O dia maior da cidadania
- Fernando Henrique Cardoso - Segundo turno
- DORA KRAMER -É o fim de um caminho
- Democracia consolidada Merval Pereira
- Instituições democráticas e tolerância EDITORIAL O...
- O impossível pede passagem Villas-Bôas Corrêa
- Que, bem ou mal, falem as urnas EDITORIAL O ESTADO...
- JOAQUÍN MORALES SOLÁ Históricas rupturas del kirch...
- MARIANO GRONDONA Con Laclau y Bonafini ya no hay "...
- O grande pleito cívico JOÃO UBALDO RIBEIRO
- Fim de uma etapa Ferreira Gullar
- Reflexos da História MíriamLeitão
- Mundos paralelos Merval Pereira
- ''Nós somos a opinião pública'' Miguel Reale Júnio...
- A escalada da pobreza (de espírito) GUILHERME FIÚ...
- Não era este o debate Villas-Bôas Corrêa
- Urgência adiada Míriam Leitão
- Calma, gente Zuenir Ventura
- Entre a obrigação e a devoção-Maria Helena Rubinat...
- Diogo Mainardi Agora, Mozart!
- Falta de sintonia Celso Ming
- Dinheiro inventado Míriam Leitão
- Pré-sal e gastança pública Yoshiaki Nakano
- Uma candidatura movida a gasto público Rogério L. ...
- Atos erráticos Dora Kramer
- Dilma, na margem de erro Merval Pereira
-
▼
Outubro
(42)
- Blog do Lampreia
- Caio Blinder
- Adriano Pires
- Democracia Politica e novo reformismo
- Blog do VILLA
- Augusto Nunes
- Reinaldo Azevedo
- Conteudo Livre
- Indice anterior a 4 dezembro de 2005
- Google News
- INDICE ATUALIZADO
- INDICE ATE4 DEZEMBRO 2005
- Blog Noblat
- e-agora
- CLIPPING DE NOTICIAS
- truthout
- BLOG JOSIAS DE SOUZA