Entrevista:O Estado inteligente

sábado, junho 02, 2007

O perigo de classificar os brasileiros por raça

Especial


Anderson Schneider/WPN
Os gêmeos Alex e Alan Teixeira da Cunha, 18 anos, filhos de pai negro e mãe branca

A decisão da banca da Universidade de Brasília que determina quem tem direito ao privilégio da cota mostra o perigo de classificar as pessoas pela cor da pele – coisa que fizeram os nazistas e o apartheid sul-africano


Rosana Zakabi e Leoleli Camargo

Um absurdo ocorrido em Brasília veio em boa hora. Ele é o sinal de que o Brasil está enveredando pelo perigoso caminho de tentar avaliar as pessoas não pelo conteúdo de seu caráter, mas pela cor de sua pele. No início de maio, o estudante Alan Teixeira da Cunha, de 18 anos, e seu irmão gêmeo, Alex, foram juntos à Universidade de Brasília (UnB) para se inscrever no vestibular. Visto que têm pele morena, eles optaram por disputar o concurso por meio do sistema de cotas raciais. Desde 2004, a UnB – e outras 33 universidades do país – reserva 20% de suas vagas a alunos negros e pardos que conseguem a nota mínima no exame. Alan e Alex são gêmeos univitelinos, ou seja, foram gerados no mesmo óvulo e, fisicamente, são idênticos. Eles se inscreveram no sistema de cotas por acreditar que se enquadram nas regras, já que seu pai é negro e a mãe, branca. Seria de esperar que ambos recebessem igual tratamento. Não foi o que aconteceu. Os "juízes da raça" olharam as fotografias e decidiram: Alex é branco e Alan não.

Alan, que quer prestar vestibular para educação física, foi classificado como preto na subcategoria dos pardos e pode se beneficiar do sistema de cotas. Alex, que pretende cursar nutrição, foi recusado. "Não sei como isso é possível, já que eu e meu irmão somos iguais e tiramos a foto no mesmo dia", diz Alex, que recorreu da decisão. A UnB informa que o recurso está sendo analisado e o resultado sairá nesta quarta-feira. A avaliação divergente dos irmãos Alan e Alex pela UnB é uma prova dos perigos de tentar classificar as pessoas por critério racial. Em todas as partes onde isso foi tentado, mesmo com as mais sólidas justificativas, deu em desastre. Os piores são as loucuras nazistas e as do apartheid na África do Sul. Ambas causaram tormentos sociais terríveis com a criação de campos de concentração e guetos. Os nazistas exterminaram milhões de pessoas, principalmente judeus, em nome da purificação da raça.

Foto Luis Alvarenga/Ag. O Globo

Biologicamente as raças são chamadas de subespécies e definidas como grupos de pessoas – ou animais – que são fisiológica e geneticamente distintos de outros grupos. São da mesma raça os indivíduos que podem cruzar entre si e produzir descendentes férteis. Esse é o conceito científico assentado há décadas. Recentemente, porém, esse conceito foi refinado. Pode haver mais variação genética entre pessoas de uma mesma raça do que entre indivíduos de raças diferentes. Isso significa que um sueco loiro pode ser, no íntimo de seus cromossomos, mais distinto de outro sueco loiro do que de um negro africano. Em resumo, a genética descobriu que raça não existe abaixo da superfície cosmética que define a cor da pele, a textura do cabelo, o formato do crânio, do nariz e dos olhos. Como os seres humanos e a maioria dos animais baseiam suas escolhas sexuais na aparência, a raça firmou-se ao longo da evolução e da história cultural do homem como um poderoso conceito. Em termos cosméticos sempre será assim, mas tentar explicar as diferenças intelectuais, de temperamento ou de reações emocionais pelas diferenças raciais é não apenas estúpido como perigoso.

Daryan Dornelles

O sistema de cotas raciais nas universidades foi uma promessa de campanha do presidente Lula. Embora já encampada pelas universidades, a lei que o regulamenta espera aprovação no Congresso, junto com outra lei temerária que institucionaliza o cisma racial no país: o Estatuto da Igualdade Racial. Caso os dois projetos sejam aprovados, metade das vagas nas universidades federais terá de ser preenchida por negros. O mérito acadêmico fica em segundo plano. Também haverá cotas para negros no funcionalismo público, nas empresas privadas e até nas propagandas da TV. As certidões de nascimento, prontuários médicos e carteiras do INSS terão de informar a raça do portador. Ao matricularem os filhos na escola, os pais terão de informar se eles são negros, brancos ou pardos. A lei de cotas e o estatuto racial são monstruosidades jurídicas que atropelam a Constituição – ao tratar negros e brancos de forma desigual – e oficializam o racismo. Resume a antropóloga Yvonne Maggie, da Universidade Federal do Rio de Janeiro: "A discriminação existe no dia-a-dia e precisa ser combatida, mas, se ambas as leis entrarem em vigor, estaremos construindo legalmente um país dividido em raças, e isso é muito grave. Será como tentar apagar fogo com gasolina".

Fabiano Accorsi

As políticas raciais que se pretende implantar no país por força da lei têm potencial explosivo porque se assentam numa assertiva equivocada: a de que a sociedade brasileira é, em essência, racista. Nada mais falso. Após a abolição da escravatura, em 1888, nunca houve barreiras institucionais aos negros no país. O racismo não conta com o aval de nenhum órgão público. Pelo contrário, as eventuais manifestações racistas são punidas na letra da lei. O fato de existir um enorme contingente de negros pobres no Brasil resulta de circunstâncias históricas, não de uma predisposição dos brancos para impedir a ascensão social dos negros na sociedade – como já foi o caso nos Estados Unidos e na África do Sul. Até as primeiras décadas do século XX, prevalecia o pensamento racista no Brasil. Sociólogos defendiam a tese de que, para o país se desenvolver, era necessário "embranquecê-lo", diminuindo a porção de sangue negro que circulava nas veias do povo. O sociólogo pernambucano Gilberto Freyre foi um dos pioneiros no combate a esse raciocínio perverso, não apenas por nobilizar o papel do negro na formação da identidade nacional brasileira. Freyre foi além disso ao mostrar que as culturas e não as diferenças raciais eram os fatores decisivos nos processos civilizatórios.

Depois de Freyre, a miscigenação racial foi sendo gradualmente aceita até se transformar, hoje, num valor cultural dos brasileiros. A música popular, por exemplo, não cansa de festejá-la. O país tem orgulho da beleza de suas mulatas. Diz o sociólogo Simon Schwartzman, ex-presidente do IBGE: "O preconceito racial existe, mas existe também um histórico de convivência amigável, de aceitação das diferenças raciais, religiosas e culturais que representam um patrimônio a ser aperfeiçoado. Por que não progredir nesse caminho, em vez de dividir a sociedade em raças estanques?".

Fabio Motta/AE

A inspiração para a adoção de cotas "raciais" são os Estados Unidos. Lá, uma secular história de discriminação dos negros foi amenizada pela integração forçada nas escolas e nos locais de trabalho. Nunca houve nada parecido no Brasil. Não há por aqui escolas ou bairros só para negros. Enquanto em alguns estados americanos o casamento entre brancos e negros era proibido, no Brasil é um fato do cotidiano que não causa nenhuma atenção. Quem acha que o problema racial no Brasil é parecido com o dos Estados Unidos, nunca leu os elogios à nossa democracia racial feitos por tantos autores negros americanos. A história tem exemplos eloqüentes de que a oficialização da discriminação racial tem conseqüências desastrosas. O mais notório deles, evidentemente, é o genocídio promovido por Hitler entre os judeus. Os nazistas desenvolveram metodologias para determinar o grau de impureza racial das pessoas e separá-las dos alemães. O geneticista Otmar von Verschuer, mentor de Josef Mengele, o médico-monstro de Auschwitz, foi um dos expoentes desse procedimento. Com base em medidas que incluíam as feições e características do rosto, a cor dos olhos e o tamanho e o formato do crânio, Von Verschuer doutrinou centenas de médicos, funcionários de saúde e oficiais da SS no anti-semitismo pseudocientífico, ou seja, na arte de reconhecer um judeu.

Heloisa Ballarini/AE

A África do Sul viveu décadas de turbulência e esfacelamento da sociedade após instituir, em 1948, o apartheid, que segregava os negros. A nova Constituição, aprovada em 1996, proibiu todo tipo de discriminação racial. O governo tentou incluir os negros na sociedade branca com um conjunto de medidas chamado de "ação afirmativa". Entre elas estava a inclusão de negros em cargos do funcionalismo público e a obrigação das escolas e universidades do país em aceitar cotas de estudantes negros. O resultado foi um desastre. A qualidade do serviço público despencou e o desemprego entre os negros subiu de 36% para 44%. A lição aqui não é a de que os negros fazem um trabalho pior que os brancos. E, sim, a de que, para uma sociedade funcionar perfeitamente, o melhor sistema é distribuir as vagas na universidade e os empregos públicos com base puramente no mérito individual, independentemente da cor da pele.

Alexandre Durao/Ag. O Globo

A discriminação do diferente ou estrangeiro é tão antiga quanto a civilização. Os gregos viam com desprezo os estrangeiros e os chamavam de "bárbaros" – significando "aqueles que gaguejam" –, por não saberem falar grego. No século XX, a discriminação racial se amparou no raciocínio de cientistas, sociólogos e pensadores hoje relegados à lata de lixo da história. Em 1883, o inglês Francis Galton criou o conceito de eugenia, que pregava o aperfeiçoamento humano através do cruzamento seletivo entre pessoas com características desejáveis, como inteligência ou força física. Pouco antes de Galton, disseminaram-se com sucesso as idéias do franzino e arrogante conde francês Joseph-Arthur de Gobineau. Em seu célebre ensaio A Desigualdade das Raças Humanas, Gobineau defendia a tese de que os alemães, descendentes de um povo mítico, os arianos, representavam a raça suprema no mundo moderno. Chefe da delegação francesa ao Brasil em 1869, o conde previu que logo o país se tornaria terra despovoada em conseqüência dos casamentos inter-raciais. Gobineau achava que negros, brancos e índios não apenas formavam raças diferentes, mas espécies completamente distintas. Portanto, o cruzamento entre elas produziria descendentes estéreis, como a égua e o jumento resultam na mula.

Evelson de Freitas/Folha Imagem

Além de pisotear a Constituição, tratando negros e brancos de forma desigual, o projeto de separar os brasileiros e definir direitos com base na "raça" é também um disparate científico. "Os genes que determinam a cor da pele de uma pessoa são uma parte ínfima do conjunto genético humano – apenas seis dos quase 30.000 que possuímos", diz a geneticista Maria Cátira Bortolini, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Em parceria com o geneticista mineiro Sérgio Pena, Maria Cátira é autora de um estudo recente que mostra que os negros brasileiros por parte de pai têm em média mais genes europeus do que africanos (veja o quadro). Sérgio Pena, por seu turno, divulgou na semana passada um outro estudo, feito em parceria com a BBC Brasil, mostrando que várias celebridades negras brasileiras também têm forte ascendência européia. "Esses estudos mostram que é impossível dividir a humanidade em raças", diz Pena. O grande geneticista italiano Luca Cavalli-Sforza, em seu monumental estudo sobre as raças humanas lançado em 1995, resumia: "Não é que todos os seres humanos sejam iguais, mas as variações dentro de uma mesma comunidade são tão grandes quanto entre comunidades diferentes".

Giluan Barreto/Folha Imagem

A diferença de cor de pele é um fenômeno relativamente recente na história da humanidade. Quando o Homo sapiens surgiu, há 200.000 anos, todos tinham a pele negra e habitavam a África. À medida que foram se espalhando pelo mundo, primeiro na Ásia, depois na Oceania, na Europa e na América, as populações se adaptaram aos novos ambientes. Os cientistas acreditam que a seleção natural exercida nesses ambientes tenha dado origem às diferentes cores de pele e características anatômicas que distinguem as raças. Na África, a pele escura do ser humano foi preservada para protegê-lo do alto grau de radiação ultravioleta do sol. O grupo que migrou para o norte da Europa sofreu uma pressão seletiva no sentido do clareamento da pele para aproveitar melhor o sol fraco e sintetizar a vitamina D, essencial para os ossos. Toda essa diferenciação no tom de pele ocorreu nos últimos 20.000 anos, segundo geneticistas. O Brasil, que tinha o privilégio de ser oficialmente cego em relação à cor da pele de seus habitantes, infelizmente corre o risco de ser mergulhado no ódio racial.

Ana Rojas/Folha Imagem

Com reportagem de Thomaz Favaro

Publish Post

O MP aponta os responsáveis pelo acidente da Gol

Acusados pela tragédia

A Justiça processa controladores e pilotos
envolvidos no acidente que matou 154 pessoas


Rafael Corrêa

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Quadro: Uma tragédia sucessão de erros
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Em Profundidade: Desastres Aéreos

A investigação técnica do acidente com o Boeing da Gol que matou 154 pessoas em setembro do ano passado, a cargo de uma comissão especial, ainda não está pronta. Na sexta-feira passada, no entanto, o juiz federal Murilo Mendes aceitou a denúncia feita pelo procurador da República Thiago Lemos de Andrade com base no inquérito da Polícia Federal. O procurador apontou os dois pilotos americanos do Legacy da Excel Air e quatro controladores do Cindacta 1, o centro de controle aéreo em Brasília, como responsáveis pelo pior acidente da história da aviação brasileira. O juiz definiu que os controladores devem ser julgados pela Justiça comum, e não pelos tribunais militares, apesar de serem sargentos da Aeronáutica. Também determinou que os pilotos americanos Joe Lepore e Jan Paladino devem ser ouvidos no Brasil, e não nos Estados Unidos. Na denúncia, o procurador sustenta a tese de que o acidente se deveu a uma sucessão de erros humanos, que poderiam ter sido evitados se os envolvidos tivessem seguido as regras previstas nos manuais de aviação.

Sebastião Moreira/Agência Estado

Destroços do Boeing da Gol: a denúncia do procurador não considera falhas de equipamento como causa do acidente


A acusação mais grave pesa sobre o controlador Jomarcelo Fernandes dos Santos, responsável pelo espaço aéreo no período em que o Legacy sobrevoou Brasília. Será processado por crime doloso por ter passado a seu substituto a informação de que o jatinho voava na altitude prevista no plano de vôo, de 36.000 pés. Na verdade, de acordo com a denúncia, não tinha como ter certeza sobre a altitude correta, visto que não estava recebendo informações do transponder do Legacy. É esse equipamento que informa ao controle de vôo a altitude exata de um avião. Outros três controladores são acusados de crime culposo por negligência e imperícia. A mesma acusação é feita aos dois americanos.

A denúncia provocou protesto de organizações internacionais de pilotos e controladores, que não concordam que um acidente aéreo seja qualificado como criminoso. Para elas, o que importa é descobrir as circunstâncias e as razões técnicas da colisão de modo a evitar que elas se repitam no futuro. Ouvidos na CPI do Apagão Aéreo, criada para investigar o acidente e o caos aéreo que se instalou no Brasil, três dos controladores acusados rejeitaram qualquer responsabilidade e descreveram a tragédia como conseqüência de problemas crônicos do sistema de controle de tráfego aéreo. Desde o acidente, surgiram notícias de outras situações de quase-colisão entre aviões no espaço aéreo brasileiro. Tenha ou não havido falha humana, o acidente do Boeing da Gol serviu para mostrar que o sistema de controle de tráfego aéreo está longe de ser seguro. Mesmo agora, no momento em que se apontam os responsáveis pelo acidente, pelo menos duas perguntas permanecem sem resposta:

• Por que não é contratada uma entidade neutra e internacional para efetuar uma auditoria no sistema de controle de tráfego aéreo brasileiro, atestando sua confiabilidade?

• As falhas nas tentativas de comunicação entre os pilotos do Legacy e o Cindacta 1 decorreram do mau uso dos equipamentos ou há problemas crônicos na cobertura de rádio?

Se depender do comportamento dos membros da CPI, que em uma das sessões preferiram discutir a qualidade das barrinhas de cereal oferecidas nos vôos da Gol, essas questões talvez fiquem sem resposta.






Fotos: Claudio Versiani/Agência Estado; Roberto Stuckert Filho/Agência O Globo e Divulgação

A mesa-computador da Microsoft

O computador virou mesa

A Microsoft cria algo inteiramente novo: a mobília digital.
Com tela sensível ao toque, não tem mouse nem teclado


Carlos Rydlewski


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Quadro: Recursos da mesa
Da internet
Vídeo: como funciona

Enquanto o mundo espera o começo das vendas do iPhone, o revolucionário celular da Apple, prometido para este mês, a Microsoft trabalhou em silêncio em algo inteiramente inédito: a mobília digital. O novo item da lista de produtos inovadores sob a chancela de Bill Gates foi finalmente apresentado na quarta-feira passada. É algo como jamais se viu, exceto em protótipos que nunca saíram do laboratório – um computador em formato e tamanho de uma mesa de centro, chamado de Surface. De fato, como o nome em inglês sugere, é basicamente uma superfície plana de 30 polegadas (76 centímetros), sem botões nem teclado ou mouse. Todos os recursos são acionados por meio de movimentos naturais, realizados com toques da ponta dos dedos. Esse sistema, conhecido por touch screen, é o mesmo usado no iPhone. A interface amigável é a maior semelhança entre os dois produtos. Além do tamanho e das ambições maiores, o Surface surpreende com algumas de suas inovações. O computador reconhece e interage com outros aparelhos eletrônicos que estejam dispostos sobre sua tela. Uma câmera digital com tecnologia Wi-Fi colocada na mesa digital será identificada e poderá passar seus arquivos de foto e vídeo por transferência de dados sem fio para o Surface. Com gestos de mão, é possível ampliar, editar e arquivar as imagens. Ou enviá-las por e-mail.

Na descrição da Microsoft, a tela touch screen permite às pessoas "interagir com o conteúdo digital do mesmo modo que interagiram por toda a vida com fotos, desenhos e músicas: com as mãos, colocando objetos do mundo real no Surface". Em princípio, a mesa digital está destinada ao uso em estabelecimentos comerciais, sobretudo restaurantes. Nesses locais, sua utilidade é evidente, ainda que precise demonstrar sua eficiência no teste da vida real. A mobília digital pode ler etiquetas com códigos de barras, por exemplo. Dessa forma seria possível expor informações, com imagens e vídeos, sobre uma garrafa de vinho no momento em que a bebida fosse colocada sobre seu tampo de acrílico. A superfície poderia exibir ainda o cardápio, receber os pedidos e apresentar a conta no final da refeição. Com o uso da internet, a mesa serve até de local para uma partida de xadrez a distância entre dois jogadores. O fascinante é a possibilidade de usar peças de verdade, desde que recheadas de eletrônica capaz de interagir com o computador. Para o comércio, há outra aplicação: a comparação de preços entre produtos dispostos sobre a mesa.

Todos esses recursos são proporcionados por um computador, cinco filmadoras e um projetor acomodados na base do Surface. A partir de novembro, a mesa digital deve começar a ser instalada em estabelecimentos selecionados pela Microsoft nos Estados Unidos. Entre eles estão os hotéis da rede Sheraton, os cassinos Caesars Palace e o Rio All-Suite Hotel, em Las Vegas, os pontos-de-venda da operadora de celular T-Mobile e uma dezena de restaurantes. Cada máquina deve custar 10.000 dólares. A expectativa da Microsoft é conseguir preços bem mais baixos à medida que a produção ganhar escala.

As telas touch screen, apesar de suscetíveis a manchas e principalmente arranhões, têm sido o recurso encontrado pelos fabricantes de equipamentos eletrônicos para alterar a relação entre os usuários e as máquinas. Foi com essa tecnologia, que permite a eliminação de teclas e botões, que o iPhone, o telefone móvel da Apple, despertou o interesse de todo o planeta, ao ser apresentado em janeiro. Nos últimos seis meses, várias empresas lançaram dispositivos com tela por toque. Estimativa da empresa de consultoria americana Strategy Analytics indica que 40% de todos os celulares serão produzidos com tecnologia de touch screen até 2012. O Surface, da Microsoft, é um considerável passo à frente da concorrência. Não apenas por aprimorar a interface, mas por promover a conexão direta e simples com vários aparelhos. Criou também um novo conceito de computação, ao literalmente fundir a eletrônica de ponta com uma peça de mobília. "Nós vemos a tecnologia do Surface como parte de um segmento bilionário, com as telas sendo usadas tanto nas mesas como na superfície de espelhos pendurados em saguões", disse o principal executivo da Microsoft, Steve Ballmer, no lançamento da mesa digital. "Esse é o primeiro passo nessa direção."



COM CANETA E PAPEL


Peter Dasilva/The New York Times


A promessa de reproduzir no meio digital a confortável relação entre a caneta e o papel, tantas vezes repetida em vão, ganhou uma nova chance: um kit formado por caneta (foto ao lado) e papel digitais foi lançado na semana passada nos Estados Unidos. Nos testes, mostrou-se eficaz na função básica, a de repassar anotações manuscritas para o computador. Jim Marggraff, da LiveScribe, inventor com vários produtos inovadores no currículo, está convicto de que seu kit, vendido por 200 dólares, será popular entre estudantes. Será? Há cinco anos, Bill Gates previu que os laptops do tipo tablet, cujas telas podem receber anotações, seriam campeões de vendas em 2007. Errou feio. A venda de tablets representa menos de 1% do mercado.





Fotos Divulgação

Comprovada a eficácia do retinol no rejuvenescimento

Creme que compensa

Estudo confirma a eficácia do retinol no rejuvenescimento
da pele desgastada pelo tempo


Silvia Rogar

A pele antes e depois de 24 semanas de retinol: bem mais hidratada, elástica e com menos riscos de feridas, comuns no caso dos idosos

O bisturi ainda é o meio eficaz de dar férias prolongadas às rugas, mas há uma boa notícia para quem quer distância de cirurgias. Um estudo publicado duas semanas atrás nos Estados Unidos, feito pela Universidade de Michigan, constatou que o retinol, a molécula de vitamina A, tem o mesmo efeito positivo sobre a aparência da pele. A pesquisa mostrou que o uso prolongado da substância pode reduzir alguns dos efeitos da idade sobre a epiderme. Até então, trabalhos científicos indicavam apenas sua capacidade de suavizar estragos decorrentes da exposição ao sol, o fotoenvelhecimento. A nova pesquisa confirmou o que muitos dermatologistas já haviam notado em seu consultório. O amparo acadêmico deve dar novo ânimo à indústria cosmética que fabrica produtos tendo como base o retinol.

Os pesquisadores acompanharam por seis meses um grupo de 36 americanos com mais de 80 anos. Três vezes por semana, os pacientes cobriram a superfície interna de um braço com uma camada de creme com 0,4% de concentração de retinol. No outro braço, para efeito de comparação, os pacientes usaram uma loção que não continha nenhuma substância ativa. No fim de seis meses, as duas áreas foram confrontadas. A pele de ambos os braços foi submetida a uma análise bioquímica e uma avaliação clínica feita pelos médicos. A região tratada com retinol mostrou-se mais hidratada e suas rugas foram atenuadas. A produção de colágeno, fibra que dá sustentação à pele, aumentou duas vezes e meia. Além de melhorar a aparência, o efeito deixou a pele menos suscetível às feridas que comumente aparecem na epiderme dos idosos. Sewon Kang, coordenador da pesquisa, disse a VEJA: "Agora, podemos dizer com segurança que o retinol é mesmo uma arma contra o envelhecimento não apenas da pele do rosto, mas do corpo todo, incluindo partes menos afetadas pelo sol".

O retinol começou a ser utilizado duas décadas atrás, indicado para o tratamento da acne. Logo, médicos e pacientes perceberam que, além de combater as espinhas, a substância deixava a pele mais bonita e jovem. Na década de 90 surgiram os primeiros cremes contendo a substância em formulação específica para produzir os efeitos benéficos sobre a aparência da tez. Nos Estados Unidos, três centenas de cosméticos à base de retinol foram lançados desde 2003. Os produtos disponíveis no Brasil têm uma concentração de retinol menor do que a que foi utilizada no experimento americano. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) limita a 0,3% o teor da substância em cosméticos vendidos nas farmácias brasileiras. Cremes com maior concentração só podem ser comercializados sob receita médica. Diz Denise Steiner, coordenadora do departamento de cosmiatria da Sociedade Brasileira de Dermatologia: "Em concentração mais baixa, os efeitos positivos também são reduzidos".

O brasileiro Friboi compra o americano Swift

A boiada que é um estouro

Em apenas dez anos, a pecuária brasileira saiu
do século XVIII para liderar o mercado mundial


Julia Duailibi

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Quadro: Império da carne

Negócios são o lubrificante natural da engrenagem capitalista. Alguns deles também funcionam como emblemas de novos ciclos tecnológicos, do declínio de companhias tradicionais e da ascensão de novos impérios econômicos. Foi assim em 2000, quando a America Online, uma empresa de internet e sem nenhuma tradição, comprou a Time Warner, gigante americana do setor de mídia, com décadas de história. A transação marcou o despertar da nova economia. Quatro anos mais tarde, a Lenovo, firma da China comunista, adquiriu a divisão de computadores pessoais da IBM, empresa americana pioneira em informática. Foi o símbolo da inserção definitiva dos chineses na economia globalizada. Na semana passada, uma companhia brasileira protagonizou uma aquisição de relevo semelhante. O frigorífico Friboi, empresa familiar nascida em Goiás, comprou a companhia americana Swift, com mais de 150 anos de história e um faturamento dez vezes maior. Com a transação, o frigorífico brasileiro passa a ser o maior abatedor de bois do planeta, e o Brasil consolida-se como o maior exportador de carne bovina do mundo.

Como o grupo Friboi chegou lá? Com um ambiente econômico estável, que favoreceu o planejamento, a obtenção de financiamento e a compra de maquinário, sem o que não há como enfrentar a concorrência internacional. Sem falar nas vantagens comparativas do Brasil, sobretudo a grande quantidade de pastos. Em menos de uma década, a participação do Brasil no comércio mundial de carne pulou de 5% para mais de 30%. Nada mau para um mercado ainda marcado pela informalidade, por uma vigilância sanitária precária e por um histórico de incompetência e intervenções governamentais. Na década de 90, a pecuária brasileira ainda usava técnicas do século XVIII. O gado levava cinco anos para ser abatido e a carne era de péssima qualidade. Na década de 80, durante um tabelamento de preços, os criadores deixaram de vender para os abatedouros, e o governo chegou a importar carne de Chernobyl, na Ucrânia, palco do maior acidente nuclear da história. Hoje o tempo de abate caiu para dois anos e as companhias têm liberdade de preços e capacidade de financiar-se no mercado de capitais – caso do frigorífico Friboi, a primeira empresa do setor a lançar ações, em março passado.

"O aumento da produtividade, as melhorias genéticas e a diminuição do tempo de engorda também ajudaram o Brasil a virar o jogo", diz o ex-ministro da Agricultura Marcus Vinicius Pratini de Moraes. O Brasil tem o maior rebanho comercial do planeta, com 198 milhões de cabeças, e é líder em exportações, com 4 bilhões de dólares. Aqui há abundância de mão-de-obra e terras baratas. O preço do boi, responsável por 60% dos gastos de frigoríficos, é metade daquele cobrado nos Estados Unidos. O setor vai tão bem que nem o câmbio atrapalha. Com o preço baixo da carne brasileira, os exportadores negociam aumentos em dólar. As vendas externas crescem a um ritmo de 20% ao ano e são responsáveis por um terço da produção do setor. O mundo passou a comprar o Brazilian Beef, e quem puxa as exportações é o consumo nos países emergentes, onde a renda cresce a taxas elevadas. Só a China responde por quase metade do crescimento das vendas globais. A carne brasileira está na mesa de mais de 100 países, como Madagáscar, Burkina Faso e Irã. Mas é a Rússia o principal importador: compra 30% de tudo o que vendemos.

Não apenas o Friboi tem ganhado terreno. Os grandes frigoríficos brasileiros são os mais lucrativos do mundo (veja quadro). Devido aos bons números, alguns, como o Marfrig e o Minerva, também planejam vender ações na bolsa de valores. "Há dez anos, a indústria brasileira era passível de compra. Todos esperavam que uma gigante americana engolisse uma empresa brasileira. Mas o setor reestruturou-se financeiramente, ganhando produtividade. Agora, somos nós que compramos", afirma Sergio De Zen, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Esalq-USP. Com a compra da Swift, o frigorífico goiano, que já estava na Argentina, terá agora operações nos Estados Unidos, o maior mercado consumidor, e também na Austrália, importante produtor de gado premium e grande exportador de carne para o Japão. A nova empresa terá capacidade de abater 47.100 bois por dia, ou dois por segundo, o equivalente a aproximadamente um terço da demanda mundial. Um pulo e tanto para uma empresa que, há dez anos, flertava com a informalidade e vivia exclusivamente do mercado interno.

Seu modelo de administração? O pai e fundador do frigorífico, José Batista Sobrinho, o "Zé Mineiro", e seus três filhos homens decidiam o rumo dos negócios nos almoços de domingo. A virada veio em 1997, quando o frigorífico Friboi decidiu aproveitar a recém-conquistada estabilidade da economia e começou a exportar. Na terça-feira da semana passada, o grupo brasileiro, agora chamado de JBS (iniciais de seu fundador), selou a aquisição da Swift, a terceira maior empresa de produção de carne dos Estados Unidos. Uma trajetória quase impensável para uma empresa que nasceu nos anos 50 como um modesto açougue, em Anápolis, Goiás. Naquela época, o patriarca Zé Mineiro, hoje com 76 anos, começou a comprar e a vender boi nas ruas da cidade. Em 1953, abriu o primeiro açougue, o Casa de Carne Mineira. Chegou a levar carcaça de animais nas costas. A grande tacada veio da compra de um abatedouro nos arredores de Brasília, com o qual passou a fornecer carne às empreiteiras que trabalhavam na construção da capital. Abatia de 25 a trinta bois por dia.

Com a compra da Swift, por 1,4 bilhão de dólares, a companhia abriu caminho para vender carne in natura para os mercados americano e asiático, onde o produto brasileiro ainda sofre restrições sanitárias. A empresa disputou o negócio com outras cinco companhias americanas. Chegou a fazer duas propostas no intervalo de uma semana. A última delas foi feita por Joesley Batista e seu irmão Wesley, que foram pessoalmente ao Colorado, onde fica a sede da Swift. Na hora do acerto de contas, os americanos confessaram sua surpresa: "Eles achavam que a invasão viria da China. Mas veio de Formosa mesmo", brinca Joesley, presidente da empresa, num trocadilho entre o nome de Taiwan, em português, e a cidade brasileira onde está um dos primeiros matadouros da família Batista. Ainda há desafios à frente, como dirimir a grande informalidade que persiste no país e combater a febre aftosa – doença que atinge o gado e fecha sua exportação para alguns mercados. O frigorífico também lida com denúncias de práticas anticompetitivas. Em 2005, José Batista Junior, então presidente da empresa, foi envolvido em gravações que sinalizavam eventual participação em um esquema de cartel no mercado brasileiro de carnes. O processo, que está no Cade, ainda não foi julgado. Denúncias e desafios como esses são comuns a empresas familiares que ascendem ao patamar global. Seja como for, o frigorífico Friboi já é a mais nova multinacional brasileira, ao lado de gigantes como AmBev, Embraer e Gerdau. Que venham outras.


Certifica.com




Montagem sobre fotos de Luigi Mamprin; Silvio Ferreira e Pedro Rubens

Seis idéias para uma moradia ecológica

6 idéias para uma
casa ecológica

À primeira vista, a casa abaixo parece comum -- mas
no Brasil existem ainda poucas como ela. Trata-se de
uma construção que obedece aos preceitos da nova
arquitetura verde. Seu objetivo é causar o mínimo
possível de prejuízos ao meio ambiente.


Monica Weinberg

É um conceito do século XXI, a era do aquecimento global, em que a questão ambiental deixou de estar circunscrita às rodas de ecologistas para ocupar as pranchetas de arquitetos em países da Europa e nos Estados Unidos -- e preocupar gente como a matemática paulista Cecília Bugan (na foto abaixo). Ela e o marido gastaram 40% do orçamento destinado à obra de sua casa em Sorocaba, a 90 quilômetros de São Paulo, para fazê-la segundo o figurino ecologicamente correto -- até os tijolos lá seguem o padrão verde. Especialistas ouvidos por VEJA avaliaram em detalhes seis das medidas adotadas nesse caso. Eles afirmam que nem sempre é preciso gastar muito para aplicar em casa soluções mais amigáveis ao meio ambiente -- em alguns casos, uma decisão ecológica pode até representar economia ao bolso.

1 TIJOLO DE SOLO-CIMENTO

Por que é ecológico: seca ao sol -- sem precisar ir ao forno a lenha. Numa casa como a de Cecília, a opção por esse tipo de tijolo poupou a queima de sessenta árvores
Quanto custa*: 380 reais (1 000 tijolos), o dobro do preço da versão comum
Comentário dos especialistas: vale a pena investir no tijolo ecológico. Como dispensa acabamento com massa corrida, na ponta do lápis não onera em nada o orçamento da obra

2 MADEIRA COM CERTIFICAÇÃO DE ORIGEM

Por que é ecológica: vem com um selo que atesta que a madeira foi extraída sem degradar o solo nem o ambiente de onde foi retirada
Quanto custa*: 2500 reais (o ipê, por metro cúbico) -- 15% mais cara do que a mesma madeira sem a certificação
Comentário dos especialistas: circula a idéia de que a madeira ecológica tem melhor qualidade, mas não é verdade. Sua única diferença para as outras está no processo de extração

3 SISTEMA DE ENERGIA SOLAR PARA AQUECER A ÁGUA

Por que é ecológico: com essa "miniusina" caseira gasta-se 30% menos energia elétrica
Quanto custa*: 5000 reais
Comentário dos especialistas: com a economia na conta de luz, o investimento se paga em dois anos. Uma ressalva: o sistema não dá conta das baixas temperaturas, quando é necessário recorrer ao aquecimento elétrico

4 SISTEMA DE CAPTAÇÃO DE ÁGUA DA CHUVA

Por que é ecológico: numa região chuvosa, como Sorocaba, a metade da água necessáriaà família vem desse sistema
Quanto custa*: 2500 reais (para uma casa de 100 metros quadrados)
Comentário dos especialistas: compensa investir no sistema. Além de ajudar a economizar na conta, é garantia de abastecimento de água para o futuro, quando esse pode se tornar um item mais escasso -- e caro

5 ESTAÇÃO DOMÉSTICA DE TRATAMENTO DE ESGOTO

Por que é ecológica: permite reaproveitar a água para tarefas do dia-a-dia, como a limpeza da casa (como não fica 100% limpa, deve-se evitar usá-la no banho ou para beber)
Quanto custa*: 6000 reais
Comentário dos especialistas: na comparação com o sistema de captação de água da chuva,é mais caro e de uso mais restrito -- se for escolher entre os dois, fique com o outro

6 LÂMPADA FLUORESCENTE

Por que é ecológica: consome 80% menos energia do que uma lâmpada incandescente e dura dez vezes mais
Quanto custa*: 15 reais (a de 20 watts) -- seis vezes mais do que as lâmpadas comuns
Comentário dos especialistas: compensa por ter vida útil infinitamente mais longa do que a das lâmpadas convencionais -- e ainda poupar energia



A palavra de quem testou

Cecília Bugan

A matemática Cecília Bugan conta dois segredos de sua casa ecológica. Fala ainda sobre dois de seus sonhos de consumo "verdes" -- eles ficaram de fora do projeto original por serem caros demais.

O QUE FUNCIONOU EM SOROCABA

• As telhas à base de embalagens de leite recicladas (do tipo Tetra Pak). São ainda 10% mais baratas do que as de tijolo comum. Cecília faz apenas uma ressalva: como o acabamento é mais "grosseiro", melhor fazer uso dessa alternativa apenas para o forro do telhado

• Uma gigantesca paineira encravada no meio do terreno. Durante o verão, sua sombra proporciona à sala temperatura mais amena

EXTRAVAGÂNCIAS QUE FICARAM DE FORA

• Painéis de energia solar do tipo "fotovoltaico", capazes de abastecer a casa inteira de luz. Custariam 17000 reais, no caso de Cecília

• Cano de propileno, um plástico mais leve cuja fórmula leva menos petróleo.

Sai por 14 reais (com capacidade para 20 ml), o dobro do preço do cano comum

*Preços médios


Fotos Roberto Setton

Especialistas ensinam a economizar água

De gota em gota

Os especialistas recomendam um conjunto de medidas simples para economizar água. Elas custam pouco (ou nada) -- e têm efeito mensurável. Somadas, podem levar a uma redução de até 40% no consumo.

Medida: reaproveitar a água da máquina de lavar. Antes que ela se esvaia pelo ralo, faça um sistema de captação da forma mais simples possível -- coloque uma bacia no tanque e direcione a ela o cano ligado à máquina de lavar. A melhor água a ser reutilizada, de acordo com os especialistas, é a da fase de enxágüe -- a mais limpa
Quanto custa: zero

Medida: trocar a válvula de descarga comum por um modelo desenhado para regular a intensidade do jato. Ele oferece duas opções de velocidade para a água
Quanto custa*: 250 reais

Medida: instalar nas torneiras espécies de grampos que servem para reduzir a intensidade de saída da água -- em geral, as torneiras fornecem mais água do que o necessário para as tarefas do dia-a-dia
Quanto custa*: 5 reais (cada peça)

Medida: colocar nos prédios um medidor eletrônico capaz de indicar o gasto de água por apartamento. O controle mensal do consumo de água costuma resultar em menos desperdício
Quanto custa*: 1500 reais


*Preços médios

Com reportagem de Adriana Pavlova e Camila Antunes


FONTES CONSULTADAS: Denise Duarte (do Departamento de Tecnologia da Arquitetura da USP); Márcia Alucci (da USP); Márcio Augusto Araújo (do Instituto para o Desenvolvimento da Habitação Ecológica); e Paulo Lisboa (da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura)

A Constituição numa exposição em Brasília

Bússolas para o Brasil

Uma exposição revisa a história acidentada
e irregular das constituições nacionais


Jerônimo Teixeira

Acervo Museu da Reública
Prudente de Morais (no centro) preside a Constituinte republicana: descompassos com a realidade


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Nesta reportagem
Quadro: Cartas na mesa

A ilusão de que novas leis bastam para recriar o país é recorrente no Brasil. Ela se revela de maneira cristalina na história acidentada de nossas constituições – uma história que acaba de tornar-se objeto de uma mostra curiosa. Recém-inaugurada em Brasília, a exposição As Constituições Brasileiras – organizada pela Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), por iniciativa da ministra Ellen Gracie, do Supremo Tribunal Federal – espalha-se emblematicamente pelas sedes dos três poderes, ocupando salas no Congresso, no Palácio do Planalto e no STF. Da Constituição do império, outorgada em 1824, à atual, promulgada em 1988, ela percorre todas as sete cartas que já regeram o país, exibindo quadros, documentos, fotos, itens pessoais de constituintes. E demonstra que, em sua inconstância, as constituições brasileiras refletem as hesitações e os desvios da democracia no país. A cada ciclo da história, uma Constituição era elaborada ou outorgada como o ato fundador de uma nova era. A Constituição, porém, é um marco institucional básico – não promove, por si só, revoluções sociais ou reformas estruturais. Documento de longo curso, tampouco deveria servir para responder à conjuntura imediata – mesmo assim, os constituintes brasileiros não raro tentaram ajustar problemas circunstanciais na carta maior da nação.

A primeira Constituição do país já nasceu sob o tacão discricionário: o imperador dom Pedro I desgostou-se com a Assembléia Constituinte, dissolveu-a e outorgou uma Constituição que previa, além de Legislativo, Executivo e Judiciário, um quarto poder, chamado Moderador, concentrado na pessoa do monarca. Derrubada apenas na proclamação da República, em 1889, a Constituição imperial foi a mais duradoura da história brasileira. Essa estabilidade legal tem sua raiz em uma certa pasmaceira política: o Brasil era uma sociedade oligárquica, sem grande participação política do grosso da população. É significativo que a Carta não faça referência direta ao fundamento econômico do império: a escravidão. Limita-se a reconhecer os libertos como cidadãos brasileiros.

O Poder Moderador seria extinto pela República, cuja primeira Constituição foi promulgada em 1891, em uma assembléia presidida pelo senador – e futuro presidente da República – Prudente de Morais. A Carta resultante tinha certa inspiração americana, daí adotar o presidencialismo e o federalismo (embora nos Estados Unidos vigore uma autonomia bem maior para as unidades da Federação). Estabeleceu-se a partir de então uma certa gangorra entre constituições outorgadas pelo Executivo – como no Estado Novo, em 1937, e na ditadura militar (ainda que nesta ela tenha sido formalmente aprovada pelo Congresso), trinta anos depois – e aquelas promulgadas por assembléias (em 1891, 1934, 1946 e 1988). As primeiras são instrumentos de legitimação de governos autoritários. As constituições democráticas, por seu turno, trazem sempre certa marca de irrealidade, um descompasso fundamental com o país e o contexto mundial.

O caso mais flagrante talvez seja o da Carta de 1934, convocada por Getúlio Vargas para pôr panos quentes nos conflitos abertos pela Revolução Constitucionalista de 1932. A doutrina getulista era centralizadora do poder. A Carta promulgada, porém, tinha um espírito liberal, deitando marcos fundamentais dos direitos civis e das liberdades democráticas. Uma coisa não era compatível com a outra. Não estranha, portanto, que a Constituição de 1934 tenha durado apenas três anos. Em 1937, surgia a Constituição ditatorial do Estado Novo.

Acervo Museu da Reública
Promulgação da Carta de 1988: a nova lei máxima queria mandar até nos juros

Com a queda de Getúlio, em 1945, é eleita uma nova Assembléia Constituinte, que retomou as liberdades da Carta de 1934. A Constituição de 1946, porém, vigorou em um período de sucessivas crises institucionais, culminando no golpe militar de 1964. A Constituição da ditadura, de 1967 (radicalmente reformada em 1969), fazia da "segurança nacional" sua palavra-chave. Foi o pretexto para abolir direitos democráticos e centralizar o poder nas mãos dos presidentes militares.

"As constituições brasileiras tendem a incorporar temas que são conjunturais. Não fazem uma distinção clara entre o que é uma política de estado e o que é matéria para políticas de governo", diz José Reinaldo de Lima Lopes, professor de direito da USP e da Fundação Getulio Vargas. Embalada por um ímpeto quase messiânico de restauração democrática, a Constituinte de 1988 é talvez a mais representativa dessa tendência: tentou legislar até sobre a matéria volátil dos mercados financeiros, estipulando um esdrúxulo teto de 12% ao ano para a taxa de juros. Não surpreende que a chamada "Constituição Cidadã" seja hoje uma colcha de retalhos, com mais de cinqüenta emendas. Sua doutrina de base estava equivocada: pretendia não apenas deitar as balizas legais do país, mas orientar o governo e a sociedade em todas as suas instâncias. É uma tendência brasileira antiga, reforçada, nesse caso, pelo exemplo lusitano. "A Constituição de 1988 foi muito influenciada pelo trabalho de juristas como José Joaquim Gomes Canotilho, vinculado à Constituição portuguesa de 1976. Eles acreditavam em uma Carta desenvolvimentista, que fixa metas para o Executivo", diz José Eduardo de Faria, professor do Departamento de Teoria e Filosofia do Direito da USP. "O irônico é que, na época da Constituinte brasileira, Canotilho já estava revisando suas idéias e concluindo que esse modelo não funciona em um mundo globalizado." Esse gosto pelas minúcias acabou engessando o estado brasileiro. As reformas necessárias estão sempre fadadas a esbarrar em impedimentos constitucionais.

O exemplo americano costuma ser lembrado em oposição ao brasileiro. Os Estados Unidos são regidos pela mesma Constituição há mais de 200 anos, e somente 27 emendas foram feitas ao texto original. É uma Constituição essencialista, aferrada aos princípios básicos. A história americana é outra, claro, e não há razão para crer que uma Constituição tão enxuta funcionaria no Brasil. Mas é inegável que o gigantismo constitucional brasileiro tem algo de aberrante. Ao deitar tantas leis que estavam fadadas a ser emendadas ou a se tornar letra morta, a Constituinte de 1988 acabou criando uma cultura de insegurança jurídica. A Constituinte presidida por Ulysses Guimarães deitou as bases da democracia brasileira – mas também legou entraves à sua modernização.




Show biz Cameron Mackintosh, o rei dos musicais

No ritmo Mr. Producer

Como o inglês Cameron Mackintosh se
tornou o mais influente produtor de musicais


Marcelo Marthe

Quando tinha 7 anos, o inglês Cameron Mackintosh foi levado à encenação de um musical em Londres. Ou melhor: foi arrastado, já que achava uma tolice toda aquela dança e cantoria. Contra suas expectativas, ele amou o que viu. "Fiquei deslumbrado e decidi na hora: quando crescesse, queria fazer musicais", diz. Eis aí uma vocação que poucos pais gostariam de encorajar no filho (de fato, foi a tia de Mackintosh que o levou ao teatro), mas o menino foi tenaz e conseguiu o que queria: hoje com 60 anos, é o maior produtor de musicais do mundo. Pense nas campeãs de audiência e longevidade da Broadway. Cats? Só se concretizou porque ele acreditou numa idéia que todos julgavam furada. O Fantasma da Ópera? Les Misérables? Lá estão as digitais dele de novo. Em 2001, uma montagem desta última em São Paulo marcou a volta das grandes atrações da Broadway ao país. Desde então, elas levaram aos teatros da cidade mais de 2 milhões de pessoas. Em julho, São Paulo receberá Miss Saigon, que também exibe a marca de "Mr. Producer", como ele é celebrado. "Tive a sorte de produzir espetáculos que emocionaram platéias numa escala planetária", disse Mackintosh a VEJA, por telefone, de sua casa no interior da Inglaterra.

Na virada dos anos 1970 para os 80, Mackintosh e seu conterrâneo, o compositor Andrew Lloyd Webber, reinventaram em parceria uma forma de entretenimento que era tida como geriátrica. Eles modernizaram os musicais e os elevaram à categoria de superproduções. Mas não só. Mackintosh idealizou uma indústria dos musicais, tal como se conhece hoje na Broadway ou no West End londrino. E imaginou um sistema de franquias que garante que um espetáculo seja exibido ao mesmo tempo em diversos países, com idêntico padrão de qualidade. Desde que estreou, em 1989, Miss Saigon – que transpõe para o cenário da Guerra do Vietnã o romance entre um militar americano e uma oriental celebrizado na ópera Madame Butterfly – foi vista por 33 milhões de pessoas em 246 cidades. Mackintosh é capaz de mantê-la em cartaz no Brasil e na Austrália simultaneamente, por exemplo.

Mackintosh é um perfeccionista. Embora as montagens no exterior fiquem a cargo das companhias que compram os direitos de encená-las, ele supervisiona todos os aspectos da produção, da seleção dos atores à publicidade do espetáculo. Desembarcará em São Paulo pouco antes da estréia de Miss Saigon, para dar sua aprovação. "Minha interferência é total", diz. Em Mary Poppins, sua produção mais recente, Mackintosh contribuiu com várias tiradas de humor. "Se não gosto de uma canção e ninguém aparece com coisa melhor, eu mesmo a reescrevo", afirma. O capitalista dos musicais vale-se ainda de outra tática: dispensa as divas. A presença de um nome conhecido pode ser, por si só, garantia de bilheteria. Em 2003, um musical causou sensação na Broadway pelo fato de o ator australiano Hugh Jackman exibir o tórax bombado em cena. "Esse tipo de coisa ajuda, é claro. Quem consegue resistir ao Hugh Jackman, com ou sem camisa?", diz Mackintosh. Mas ele prefere histórias que se sustentem, qualquer que seja o elenco. "Eu me abstenho de enfrentar os egos de gente famosa. Tive de aturar, no máximo, pessoas que se julgam estrelas, mas não são."

Embora seja um homem de bastidor, Mackintosh goza do status de celebridade na Inglaterra. Dono de uma cadeia de teatros em Londres, é um dos dez mais ricos do show biz inglês, com fortuna equivalente a 1,5 bilhão de reais. Trata-se de uma figura festejada no meio gay – do qual é expoente assumido. "Vivo há 25 anos com o mesmo homem", conta. O maridão é o fotógrafo especializado em musicais Michael Le Poer Trench (a imagem da versão inglesa de Miss Saigon que ilustra a reportagem é dele). Mackintosh circula também com desenvoltura nas rodas aristocráticas. Assim como o roqueiro Mick Jagger ou seu colega Lloyd Webber, ostenta um título de nobreza por serviços prestados ao Império Britânico (leia-se: trazer divisas do estrangeiro com seus espetáculos). Sir Mackintosh cultiva laços de amizade com a família real. O príncipe Charles e sua mulher, Camilla Parker Bowles, são assíduos em suas montagens. "Camilla é adorável", diz. Mas ele faz questão de se derramar é pela antiga rival dela: "A princesa Diana, sim, era uma grande fã de musicais". Mackintosh mora, por fim, no coração da rainha. Há dois anos, Elizabeth II o convocou para fazer uma sessão privê de Les Misérables no Castelo de Windsor. "Foi uma noite inesquecível", diz ele.

Livros Contos-do-vigário, de Andrés Oppenheimer

Contos do atraso

Livro mostra que a América Latina terá de
mudar mentalidade para entrar no século XXI

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Exclusivo on-line
Trecho do livro

Uma das visões mais deturpadas sobre a América Latina é a de que seu atraso econômico e social decorre da exploração imposta pelos países ricos, sobretudo os Estados Unidos. Deve-se a essa noção, entre outras não menos equivocadas, o costume latino-americano de açoitar investidores estrangeiros, enquanto o resto do mundo corre para tirar proveito da globalização. O abismo entre essas duas percepções é tema de Contos-do-vigário (Record; 308 páginas; 42 reais), do jornalista Andrés Oppenheimer, comentarista da CNN Español e editor para a América Latina do jornal Miami Herald. Nascido em Buenos Aires, Oppenheimer mudou-se para os Estados Unidos em 1976, depois do golpe militar na Argentina. Nos últimos trinta anos, com análises lúcidas e desapaixonadas, transformou-se no mais relevante especialista em assuntos latino-americanos da imprensa americana. Oppenheimer conta no livro histórias de países que conseguiram – ou estão a caminho de – livrar-se do subdesenvolvimento intelectual, econômico e social. Para isso, o jornalista esteve na Irlanda, na Polônia e na China e entrevistou, entre outros, o ex-secretário de Defesa dos Estados Unidos Donald Rumsfeld, o ex-premiê espanhol Felipe González, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o presidente argentino Néstor Kirchner.

Numa das passagens mais reveladoras do livro, Oppenheimer registra a estranheza dos chineses em relação à Teoria da Dependência, uma das fantasias que fazem (e estragam) cabeças de esquerda na América Latina. "Ficou totalmente superada", diz, a certa altura, o pesquisador Jiang Shixue, da Academia de Ciências Sociais da China. Não é de surpreender. O setor produtivo chinês recebe anualmente 60 bilhões de dólares em capitais estrangeiros, mais do que toda a América Latina junta. A Irlanda oferece exemplo semelhante. "Éramos um país atrasado, isolacionista, cuja forma de expressão de sua independência da Grã-Bretanha fora buscar a auto-suficiência e a substituição de importações. A única coisa que conseguimos foi criar uma indústria nacional ineficiente", diz Brendan Lyons, subsecretário de Relações Exteriores da Irlanda. Hoje, os irlandeses estão entre os mais ricos do mundo. Já a Polônia comprova os benefícios de viver numa zona de livre-comércio. Os ex-socialistas recebem, atualmente, uma enxurrada de investimentos externos.

É inegável que a América Latina come poeira. No entanto, como diz Oppenheimer, as histórias de sucesso revelam que pode ser fácil reverter rapidamente a posição de desvantagem – basta, obviamente, ir atrás de quem tomou o rumo certo. Oppenheimer vê sinais de avanço em alguns países latino-americanos, principalmente no Chile, mas também no México e no Brasil. Mas considera o progresso tímido. E sentencia: "No mundo globalizado, um país não pode se comparar a si mesmo, e sim aos demais, porque, de outra maneira, terá cada vez menos investimento, menos competitividade, menos exportações e mais pobreza". Sua conclusão é, em grande escala, melancólica. As lideranças políticas da região mantêm-se firmes no hábito de aplicar "contos-do-vigário" em seus eleitores – ou seja, em prometer que o progresso virá num passe de mágica, sem trabalho duro nem esforço algum.

Radar


Lauro Jardim


• GOVERNO

O trapalhão 1
Sem alarde, o caso do trapalhão Mangabeira Unger está entregue ao Conselho de Ética do governo. Ele foi aconselhado a agir assim pelos patrocinadores de sua escolha como futuro ministro da Secretaria Especial de Ações de Longo Prazo (Sealopra). O confuso Mangabeira, como se sabe, queria tomar posse tendo ainda relações de trabalho com a Brasil Telecom, o que é, obviamente, proibido. Só que ele nada avisara ao governo.

O trapalhão 2
Na véspera de a imprensa divulgar que ele estava processando a Brasil Telecom, o tumultuado Mangabeira ligou para o Planalto e disse justamente o contrário: que estava surpreso de estar sendo processado pela BrT. Ninguém entendeu nada.

O trapalhão 3
A chance de o complicado Mangabeira ser ministro é hoje próxima a zero. Sorte de Lula. Sorte do Brasil. Azar dos humoristas.

Eu quero é nomear
Os escândalos da Gautama e de Renan Calheiros tiveram o condão de parar com a farra de nomeações para o segundo escalão. Parou tudo. Inclusive a pressão da base governista. Mas os políticos estão indóceis.

Relacionamento entre poderes

Fabio Pozzebom/ABR e Niels Andreas/AE
Mendes e Tarso: diálogo duro por causa da PF

O ministro do STF Gilmar Mendes telefonou na semana passada para Tarso Genro. Foi uma conversa de primeiro escalão de dois poderes das mais pesadas de que se tem notícia. Furioso, Mendes reclamou da atuação da PF, que vazou extra-oficialmente o seu nome como um dos beneficiários dos presentinhos da Gautama – informação falsa, ressalte-se. As respostas de Tarso foram igualmente duras.

• SENADO

Amigo é para essas coisas
José Sarney foi o único político que durante o fim de semana passado ajudou Renan Calheiros a redigir o discurso lido na segunda-feira no Senado. Fez várias sugestões que foram incorporadas ao texto final.

• ELEIÇÕES 2008

Marta e Alckmin
O Ibope acaba de fechar uma pesquisa sobre a disputa do ano que vem para a prefeitura de São Paulo. Deu Geraldo Alckmin e Marta Suplicy, empatados, na cabeça: 35% das intenções de voto para cada um deles. O prefeito Gilberto Kassab não chegou aos dois dígitos.

• ECONOMIA

O shopping, a bolsa e o bilhão
A oferta pública inicial de ações (IPO) do grupo Multiplan, coordenada por Credit Suisse, Bradesco e UBS Pactual, será de 1 bilhão de reais. O Multiplan é dono de nove shopping centers e administra outros cinco no Brasil.

A Philips compra...
A Philips anuncia nos próximos dias uma nova aquisição: uma empresa brasileira fabricante de produtos para a área da saúde. Hoje, além de eletroeletrônicos em Manaus, a empresa holandesa fabrica lâmpadas em São Paulo e utilidades domésticas e reatores em Minas Gerais.

...e fica onde está
A propósito dos eletroeletrônicos, o presidente da Philips, Paulo Zottolo, passou a semana passada na Holanda. Bateu o martelo com a matriz pela manutenção da fábrica de Manaus, ameaçada por problemas de competitividade por causa de incentivos fiscais dados à concorrente LG.

De novo na cadeia, quinze anos depois

Marco Antonio Teixeira/Ag. O Globo
Edir Macedo: martírio revivido para um livro

Na quinta-feira retrasada, dia 24, completaram-se quinze anos da prisão de Edir Macedo, acusado, então, de "charlatanismo, curandeirismo e crimes de estelionato" contra os fiéis da Igreja Universal. Onde estava naquele dia o bispo-chefe da Universal e dono da Record? Na mesma cela de uma delegacia de São Paulo onde ficou por duas semanas – até que um habeas corpus impetrado por Márcio Thomaz Bastos o tirou de lá. Especialista intuitivo em marketing, Macedo resolveu reviver seu martírio para a biografia que Douglas Tavolaro, diretor de jornalismo da Record, está escrevendo.

• BRASIL

Vai ficando...
Mais uma vez a Petrobras decidiu estender o contrato que tem com três agências de publicidade – Duda, Quê e F/Nazca. Agora, foi prorrogado até o fim do ano. O contrato inicial, de dois anos, foi feito em 2003. Foi renovado sem licitação. Acabou em dezembro passado e já foi estendido três vezes por causa de problemas da estatal com o TCU. A Petrobras investe 250 milhões de reais por ano em propaganda.

Interesses republicanos
Aliás, é notável o interesse do senador Romero Jucá na licitação para a contratação de agências de publicidade para os Correios. E olha que não tem agência de Roraima, estado do senador, de olho no negócio.

600 000 diálogos

É evidente que a obrigação de um advogado é buscar meios para absolver o seu cliente. Alguns, no entanto, exageram na cara-de-pau. Como, por exemplo, o advogado que defende um desembargador fluminense encrencado na Operação Hurricane. Ele acaba de solicitar ao STJ algo muito simples: que o tribunal disponibilize para ele a degravação de todo o material grampeado pela PF. Ressalte-se que o advogado já possuía os trechos em que o seu cliente estava implicado. Mas ele quer tudo. Bem, a PF gravou quase 600 000 diálogos. Feitas as contas, a degravação de tudo levaria 41 anos. O que ele quer está na cara: retardar (e como) o processo do seu cliente.

Onde mora o perigo
A Companhia Docas do Estado de São Paulo está se armando. Abriu licitação para a compra de alguns itens para o dia-a-dia da estatal. Entre eles: 150 pistolas, dez espingardas e 5 500 cartuchos de munição, além de 230 coletes à prova de balas.

• VINHO

O pinot noir cresce
Não se sabe se é efeito do filme Sideways, mas nunca antes no Brasil se tomou tanto pinot noir, o vinho da cepa favorita do personagem vivido na trama por Paul Giamatti. Há cinco anos, a produção de vinhos dessa uva pela Miolo – a principal fabricante de vinhos finos do país – não ultrapassava as 20 000 garrafas por ano. Para 2007, a meta da empresa é produzir 90 000 garrafas exclusivamente dessa casta. Para efeitos de comparação, a produção de vinhos cabernet sauvignon, os mais populares, é de 100 000 garrafas por ano.


Com Jan Theophilo
e-mail: ljardim@abril.com.br


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