sábado, novembro 01, 2014

Míriam Leitão: A visão de Pimentel O Globo


Governador eleito de Minas Gerais, Fernando Pimentel acha que é preciso corrigir o câmbio para que se possa aumentar a competitividade das exportações brasileiras. O petista entende que o governo tem que atrair o setor privado para financiar os investimentos, hoje concentrados nos bancos públicos. Pimentel diz ter boas relações com o senador Aécio Neves.

Tudo isso parece bem diferente do que se disse na campanha eleitoral. O governador garante não estar pregando a redução do papel da Caixa, do BB e do BNDES, mas, sim, a atração dos bancos privados.

— Teremos que construir junto com o mercado novos instrumentos que deem garantia para o setor privado participar do financiamento do investimento. E sobre o câmbio temos que fazer o ajuste a longo prazo, sem atropelos para não impactar a inflação, mas o real precisa ser desvalorizado para aumentar a competitividade da indústria brasileira.

Essa conversa foi ontem, dia em que o dólar em queda era entendido como aprovação do mercado à decisão do BC de elevar os juros. O que Pimentel me disse, em entrevista na GloboNews, é que ao longo do tempo, e por causa da política monetária americana, o real se apreciou demais e isso reduziu o impacto das medidas tomadas para sustentar o investimento e a economia.

Pimentel acha que é preciso fazer um esforço para reduzir a tensão do país, que terminou a campanha com os ânimos muito exaltados. Ele acha que isso vai acontecer naturalmente nas próximas semanas e que no ano que vem, com a nova legislatura, as relações com o Congresso podem ser melhores.

Minas Gerais tem umas curiosidades políticas. Uma delas foi a união entre Pimentel e Aécio Neves para eleger o prefeito Marcio Lacerda (PSB). Esse ano, o petista teve que enfrentar o antigo aliado para eleger-se e garantir a vitória de Dilma no estado do senador Aécio. Pimentel contou que em Minas a política é diferente, tem um grau de cordialidade acima da média nacional. Revelou também que, se for chamado para ser ponte com a oposição, trabalhará para isso. O petista disse ter boas relações com Aécio Neves.

O governador eleito explicou sua vitória como parte do desgaste natural de 12 anos do PSDB no poder:

— A gestão foi acumulando problemas. Nos primeiros quatro anos foi bem, nos outros começaram a aparecer problemas e na terceira volta do parafuso apareceram problemas que não foram resolvidos em 12 anos.

Perguntei se isso não se aplica também ao governo federal, que ao final de 12 anos de gestão petista apresenta inflação acima do teto e crescimento zero.

— Nós estamos com uma situação econômica do país longe da ideal, ainda que o governo tenha tido sucesso no esforço de manter o nível do emprego. Tem que recuperar o crescimento e eu chamaria, novamente, a atenção para o câmbio, que é um problema gravíssimo e que afeta a indústria.

No entanto, Pimentel disse que, apesar dessa conjuntura, "nem o mais ferrenho adversário do PT negaria que o Brasil melhorou nesses 12 anos". Num tom diferente do que o partido exibiu na campanha, ele reconheceu que o Brasil vem melhorando há mais tempo.

— É verdade que se pode dizer que o país começou a melhorar antes, com o presidente Fernando Henrique. E é preciso também reconhecer o trabalho do presidente Sarney na transição política; no episódio do afastamento do ex-presidente Collor, o papel do presidente Itamar Franco. Tudo isso é parte da história. Mas a melhora que houve no país nos últimos 12 anos não ficou tão visível em Minas Gerais.

Pimentel corrigiu uma declaração feita pelo seu chefe de campanha que assustou os acionistas da Cemig. A empresa de energia mineira, cotada aqui e em Nova York, teve aumento de lucro exatamente por não ter cedido às pressões do governo federal de antecipar a renovação dos contratos de concessão na geração de energia. Seu coordenador de campanha disse que o novo governo não estaria tão comprometido com a rentabilidade da empresa, que esse não seria o foco.

— Ele foi mal interpretado. Vamos respeitar acordos e contratos e vamos aumentar a eficiência da companhia. Nós não vamos alterar a política da busca da lucratividade da Cemig. Vamos apenas aumentar a eficiência da distribuidora, que tem tido muitas críticas.


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