| O Estado de S. Paulo - 22/11/2011 |
Em somente duas semanas, caíram três dos cinco chefes de Estado que governavam o chamado grupo dos Piigs (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha): George Papandreou, da Grécia; Silvio Berlusconi, da Itália; e José Luis Rodriguez Zapatero, da Espanha.
Os três foram removidos pelo mesmo gigante engolidor de dirigentes políticos, movimento que nada tem a ver com ideologia. Simplesmente, a crise econômica foi maior do que eles.
Nesse fim de semana, a Espanha consagrou o conservador Mariano Rajoy (foto) com a maior vitória eleitoral dos últimos 30 anos. Seu partido, o Partido Popular, venceu em 177 dos 179 municípios e amealhou folgada maioria no Parlamento.
Mas os mesmos ventos que transferiram esse montão de votos para Rajoy podem levá-los embora. Ninguém sabe o que o novo governo pretende fazer para dominar a situação atual. Talvez nem mesmo Rajoy saiba claramente.
A Espanha tem a metade da dívida (60% do PIB) da Itália (120% do PIB). Apesar disso, seus títulos estão sob ataque há várias semanas e são obrigados a pagar rendimentos (yields) cada vez mais altos. Mas seu desemprego é recorde. Tem 5 milhões de trabalhadores – 22,6% da população ativa – em busca de trabalho (dados de setembro). O que mais preocupa é o número de jovens desempregados: nada menos que 50% deles. E é nesse segmento que cresce o Movimento dos Indignados. Assim, é o futuro que está sendo mais ameaçado (veja o Confira).
A paradeira econômica deve impedir que o PIB da Espanha (quarta maior economia do euro) avance mais do que 0,5% neste ano. Seu principal produto de exportação, o turismo (receitas anuais acima de 50 bilhões de euros), está sendo fortemente açoitado pelo colapso global, que está reduzindo o afluxo de visitantes.
Para sair da encalacrada não há outro remédio que não o convencional: cortes de despesas públicas, encolhimento de salários e aposentadorias, ganhos de produtividade e reformas para dar mais competitividade ao produto espanhol. Bom número de economistas avisa que esse é o caminho mais curto para a catástrofe, por diminuir a atividade econômica e a arrecadação e elevar o desemprego e as despesas com seguro social. No entanto, sem recursos em caixa, não há como providenciar investimentos públicos que façam a economia decolar.
Ao longo da campanha eleitoral, Rajoy foi lacônico sobre seus planos destinados a ganhar a confiança dos investidores. Não adiantou mais do que um vago pacote de "austeridade sem cortes".
Por temperamento, não é dado a radicalidades e preferiria agir gradativamente. Mas raramente o tempo dos políticos converge com o dos mercados. Sob pena de perder sua força política agora arrebatada, terá de agir o quanto antes.
Sabe-se que pretende enxugar a administração pública e levar a cabo reforma trabalhista que simplifique o sistema de contratação de pessoal – numa economia de relevante uso de mão de obra temporária. Espera-se aumento da idade para aposentadoria e criação de fundo de capitalização que financie o seguro desemprego.
Isso tem um custo político. Rajoy começa a governar sem margem para erros. Seu maior risco é o de que seu enorme capital eleitoral desmorone rapidamente.
CONFIRA
Você tem aí uma ficha da Espanha. A rejeição que seus títulos sofrem no mercado tem mais a ver com a falta de perspectivas de crescimento econômico e o alto nível de desemprego do que com estouro das despesas públicas.
A questão bancária. Uma das imposições da União Europeia é a Espanha capitalizar seus bancos. Rajoy tem se mostrado contra. Argumenta que os bancos espanhóis estão pouco expostos às dívidas da Grécia. Aparentemente, teme que essa exigência leve instituições financeiras da Espanha a desovar ativos para diminuir a exigência de capital e que isso bloqueie o crédito e a recuperação da economia.
|
Terça-feira, Novembro 22, 2011
Sob nova direção - Celso Ming
Arquivo do blog
-
►
2012
(836)
-
►
Maio
(77)
- Lula e Gilmar Mendes: conversa errada, no local er...
- Celso de Mello: ação de Lula foi indecorosa - O Gl...
- De parar o trânsito Miriam Leitão
- Danuza Leão - Olé
- Espalha brasa:: Dora Kramer
- As bienais e as vanguardas:: Ferreira Gullar
- Falsos remédios :: Suely Caldas
- "A Decadência do Ocidente":: Vinicius Torres Freir...
- O euro, ou vai ou racha:: Celso Ming
- Crescimento modesto em 2012:: José Roberto Mendonç...
- O "B" e o "C":: Merval Pereira
- Fernando Gabeira Coisa Nossa
- Marco Antônio Villa Verdade ? que verdade?
- Mantega cria o “realismo fantástico” do câmbio
- Augusto Nunes Vaccarezza mostrou que no peito de a...
- Reinaldo Azevedo 20/5/12
- Suely Caldas. Dilemas do setor elétrico
- “Cosa Nostra” - DORA KRAMER
- Freada na Argentina - CELSO MING O Estado de S...
- Tiro no pé - MERVAL PEREIRA
- Há espaço para crescer mais - ALBERTO TAMER
- Campo da floresta - MIRIAM LEITÃO
- Seca a CPI do Cachoeira - EDITORIAL O ESTADÃO
- Sobre a Comissão da Verdade - CELSO LAFER
- A nova ordem e a força social - GAUDÊNCIO TORQUATO...
- Um pequeno grande jornal - FERREIRA GULLAR
- De sacolinhas e pieguices - DANUZA LEÃO
- A mulher a ciência e o coco João Ubaldo
- Agenda econômica em fase de mudança. Editorial O G...
- camarada que pôs fogo na crise - VINICIUS TORRES F...
- Cláudio Humberto
- Maratona e reina dos bancos. Vinicius Torres Freir...
- Celso Ming. Energia mais barata
- Exceção a velha regra. Dora Kramer
- Pêndulo da balança. Miriam leitão
- Meia verdade,meia mentira. Carlos Alberto Sardenbe...
- Agricultura salva PIB
- A v aia dos prefeitos. Editorial O Globo
- Para fazer a lei `pegar' - EDITORIAL O ESTADÃO
- Um luxo Merval Pereira
- Querem salvar a Delta via BNDES - SÉRGIO GUERRA
- A crise europeia está em plena forma - GILLES LAPO...
- Como apagar o desejo de consumir drogas - FERNANDO...
- Maílson da Nóbrega (VEJA)
- Augusto Nunes:..Volta ao palco o papagaio de pirat...
- O preço do crescimento :Raul Velloso
- Fatalidades e voluntária os Pedro Malan
- Merval Pereira Sem revanchismos
- Lucia Guimarães Uma trama em que em que terrorismo...
- 'Carcará' e Falcão contra a liberdade de expressão...
-
►
Maio
(77)
-
▼
2011
(2527)
-
▼
Novembro
(124)
- Quanto maior, pior - EDITORIAL O GLOBO
- A saúde dos jornais - CARLOS ALBERTO DI FRANCO
- Ninguém sabe, ninguém viu - EDITORIAL O ESTADÃO
- De volta a 1937 - RUBENS RICUPERO
- Carros inseguros - EDITORIAL FOLHA DE SP
- Ar mais respirável - GEORGE VIDOR
- A crise segue... lá fora - PAULO GUEDES
- Mazelas - próprias e adquiridas por contágio - MAR...
- No mais cruel dos dias, VEJA revela outra sujeira ...
- De herege a profeta Merval Pereira
- HOSPITAL DE GRIFE? LOUIS VUITTON -ELIO GASPARI
- Além da dose - EDITORIAL FOLHA DE SP
- FUNDAMENTALISMO ATEU - IVES GANDRA DA SILVA MARTIN...
- Sonho adiado - MERVAL PEREIRA
- República - de volta para o futuro - JOSÉ SERRA
- A Batalha da França - DEMÉTRIO MAGNOLI
- Alerta Brasil, tudo piorou... - ALBERTO TAMER
- Na zona do euro, avanço ou ruína - MARTIN WOLF
- A tortuosa sobrevida de um ministro EDITORIAL O Gl...
- O PAC continua devagar - EDITORIAL O ESTADÃO
- Sol com peneira - DORA KRAMER
- Visão interna - MIRIAM LEITÃO
- Outubro, fundo do poço? - VINICIUS TORRES FREIRE
- Domingo na Rocinha - CONTARDO CALLIGARIS
- A prova dos 9 e dos 4,5% - VINICIUS TORRES FREIRE
- Amarração com a China - CELSO MING
- As consequências - MERVAL PEREIRA
- Erros e lições - MIRIAM LEITÃO
- Outros quinhentos Dora Kramer
- A seleção dos piores Rolf Kuntz
- A USP e a corrosão do caráter- Roberto Romano
- Afinal, quem tem medo da mentira? José Nêumanne
- Mentira & politicagem -:Roberto DaMatta
- Sob nova direção - Celso Ming
- República das Bananas Rodrigo Constantino
- Qual é essa de “eu teamo”? - João Ubaldo Ribeiro
- Governos concentram, não distribuem renda-SUELY CA...
- Um corpo que cai Dora Kramer
- Desacelerou Celso Ming
- Por que Dilma faz sucesso? João Mellão Neto
- A insustentável leveza de Lupi Guilherme Fiúza
- Apagão de mão de obra Claudio de Moura Castro
- Olá, passado; cuidado, futuro - Maílson da Nóbreg...
- Trapaça do tempo Roberto Pompeu de Toledo
- Arthur Virgílio -Falar sério
- [INDICE DE ARTIGOS ETC] 14/11/2011
- La conspiración que encubre los problemas Por Joaq...
- Cristina oscila entre dar la mano y retener el puñ...
- Meu reino por uma causa-Sandro Vaia
- É a política DORA KRAMER
- Couro duro MERVAL PEREIRA
- A agonia de Berlusconi CELSO MING
- Livros, leitores e antileitores ROBERTO DaMATTA
- Avanço à vista ANTONIO DELFIM NETTO
- Lupi, o republicano ROLF KUNTZ
- Peru MARTHA MEDEIROS
- Morrer como bebês PAULO SANT’ANA
- De mal e benfeitores ZUENIR VENTURA
- A revolução dos "bichos grilos" mimados da USP JOS...
- Soberania atropelada CELSO MING
- Está quente MIRIAM LEITÃO
- Prazo apertado RUBENS BARBOSA
- O respeitável público MERVAL PEREIRA
- Visões distintas DORA KRAMER
- Terceirização - quem é o responsável? JOSÉ PASTOR...
- Libertação animal HÉLIO SCHWARTSMAN
- Novo Banco Central Europeu ANTONIO DELFIM NETO
- Um pouco de tumulto, por favor VINICIUS TORRES FRE...
- PAULO GUEDES - A faxina continua
- EVERARDO MACIEL - As batalhas pela simplificação t...
- RENATO JANINE RIBEIRO - De cargo em cargo
- SIMON SCHWARTZMAN - O teto de vidro da educação br...
- RICARDO NOBLAT- Mau cheiro
- LUIZ FELIPE PONDÉ - Geração Capitão Planeta
- RUBEM AZEVEDO LIMA - Lula e seu câncer
- MELCHIADES FILHO- Rock Brasília
- DENIS LERRER ROSENFIELD - Há algo novo em curso
- GUSTAVO IOSCHPE - Só mais dinheiro não resolve
- EDITORIAL ZERO HORA - Manobra pró-mensaleiros
- VINICIUS MOTA - Os bebês da USP
- ENTREVISTA - REVISTA VEJA ENTREVISTA Roger Norieg...
- A rebelião dos mimados - REVISTA VEJA
- Dilma, a gerente omissa-estadao- Rolf Kuntz
- Sem controle EDITORIAL FOLHA DE SP
- Felizes, desiguais e pouco democratas GAUDÊNCIO T...
- A degradação da UNE EDITORIAL O Estado de S.Paul...
- O exame da OAB HÉLIO SCHWARTSMAN
- Quem perde, quem ganha ELIANE CANTANHÊDE
- A improbidade protegida JANIO DE FREITAS
- Ainda Lula DANUZA LEÃO
- Exercício de adivinhação FERREIRA GULLAR
- Tempos difíceis AFFONSO CELSO PASTORE
- O dono do livro MARTHA MEDEIROS
- AMIR KHAIR - Meta de inflação
- Fernando Henrique Cardoso -Corrupção e poder
- CELSO MING - Não emplacou
- ALBERTO TAMER -Brasil e G-20, dinheiro não
- João Ubaldo Ribeiro -À casa torno
- Gilles Lapouge -Monarquia reformada
- DORA KRAMER Impávido colosso
- Ruy Fabiano Burrice é doença
- Faltam educação, vergonha e banheiro RUTH DE AQUIN...
- A velocidade das notícias Ethevaldo Siqueira
- Oligarquia à moda dos EUA:: Paul Krugman
- Polícia e civilização HÉLIO SCHWARTSMAN
- Triste dialética EDITORIAL Folha
- A crise não fará o trabalho por nós LUÍS EDUARDO A...
- Microeconomia ANTONIO DELFIM NETTO
- Primaveras e inverno grego VINICIUS TORRES FREIRE
- PERCA TEMA surpresa grega CELSO MING
- Além da conta REGINA ALVAREZ O
- PERCA TE Devíamos ter desconfiado GILLES LAPOUGE ...
- Saudações partidárias DORA KRAMER
- NGOs & ONGs ROBERTO DaMATTA
- Jogo de empurra Celso Ming
- Palmas com uma só mão JOSÉ PAULO KUPFER
- Retração com empregos VINICIUS TORRES FREIRE
- Depois de um trilhão de dólares ANTONIO DELFIM NET...
- Menos é muito mais DORA KRAMER
- O perigoso crescimento das milícias EDITORIAL O G...
- Expectativas diminutas ILAN GOLDFAJN
- Jogo de xadrez REGINA ALVAREZ
- Primavera em Paris JOÃO PEREIRA COUTINHO
- Difícil biografia JARBAS PASSARINHO
-
▼
Novembro
(124)
- Blog do Lampreia
- Caio Blinder
- Adriano Pires
- Democracia Politica e novo reformismo
- Blog do VILLA
- Augusto Nunes
- Reinaldo Azevedo
- Conteudo Livre
- Indice anterior a 4 dezembro de 2005
- Google News
- INDICE ATUALIZADO
- INDICE ATE4 DEZEMBRO 2005
- Blog Noblat
- e-agora
- CLIPPING DE NOTICIAS
- truthout
- BLOG JOSIAS DE SOUZA