O Estado de S.Paulo - 27/11/10
Confirmado no cargo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, está empenhado agora em abrir caminho para a derrubada dos juros, projeto já anunciado pela presidente eleita, Dilma Rousseff. Ela pretende chegar aos 2% de juros reais ao ano, em quatro anos.
Mantega avisou que sua intenção é expurgar do índice oficial do custo de vida, o IPCA, as variações de preços dos alimentos e dos combustíveis. Não se trata de manipulação; trata-se de usar o conceito de núcleo de inflação para definição da política de juros. Além disso, o ministro quer que a economia se liberte dos indexadores de preços, ou seja, dos reajustes automáticos previstos em lei ou nos contratos.
Fácil entender a intenção dele. Os juros precisam subir quando a inflação tende a escapar para acima da meta; e tendem a cair quando a inflação fica abaixo. Livre de alguns dos fatores que mais pressionam os preços, o medidor de inflação concorreria para uma queda mais acentuada dos juros.
Antes de qualquer outra consideração, convém lembrar que essas ideias são, em princípio, corretas. Não faz sentido usar o medidor oficial de inflação que vem normalmente inchado com altas ou baixas de preços que nada têm a ver com o volume de dinheiro na economia ou o nível dos juros básicos. De mais a mais, se o feijão preto ou a batatinha ficaram caros demais em consequência de fortes secas ou do excesso de chuvas, o próprio consumidor se encarrega de encher a panela com outros alimentos.
Vistas essas coisas mais tecnicamente, o ministro Mantega está propondo que, para efeito de definição da política monetária, se aposente o índice cheio do custo de vida e seja adotado o conceito de núcleo de inflação (core inflation) assim expurgado, como operam alguns dos principais bancos centrais do mundo.
Três são os riscos de se adotar atabalhoadamente esse critério. O primeiro está em meter na vala comum tanto variações episódicas como crônicas de preços. Alimentos e petróleo são dois itens que tendem a encarecer dentro de alguns anos em decorrência do aumento do consumo internacional combinado com insuficiência de oferta e não de fatores conjunturais. Nessas condições, expurgar toda e qualquer variação de preços dos alimentos e combustíveis introduziria graves distorções nos índices.
O segundo risco é o de introduzir esse novo critério de maneira arbitrária, sem definir previamente uma metodologia transparente. Se for assim, ficará minada a credibilidade da condução isenta da política de juros junto aos marcadores de preços e não se poderá pretender um saudável gerenciamento das expectativas.
O terceiro risco é o de que essa mudança não passe de um truque grosseiro destinado a derrubar o juro à força de mandracarias como as que estão sendo adotadas pelo governo Lula no cálculo do superávit primário das contas públicas.
O sistema de indexação é distorção do entulho inflacionário. É o que pode ser dito da maior parte dos preços administrados, que correspondem a 30% da composição do custo de vida e evoluem de maneira automática, independentemente do tamanho dos juros ou da evolução da oferta e da procura. Não faz sentido usar o IGP-M, um índice sobrecarregado de preços do mercado atacadista, para reajustar aluguéis, tarifas e prestações de dívidas.
Se tais mudanças forem impostas arbitrariamente, tudo o que se conseguirá será a desmoralização da política de metas.
Aí está o tranco ocorrido em novembro no Índice Bovespa. É o fator
Irlanda e o drama do euro derrubando as cotações das principais ações negociadas na Bolsa de São Paulo.
Desindustrialização?
"Num país que importa US$ 125 bilhões em máquinas e equipamentos, em que o desemprego cai a 6,1% e a indústria produz a pleno vapor com resultados trimestrais apontando recordes de rentabilidade, falar em desindustrialização é um paradoxo'', afirmou ontem o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge. Mais que paradoxo, é um despropósito.
Arquivo do blog
-
►
2012
(836)
-
►
Maio
(77)
- Lula e Gilmar Mendes: conversa errada, no local er...
- Celso de Mello: ação de Lula foi indecorosa - O Gl...
- De parar o trânsito Miriam Leitão
- Danuza Leão - Olé
- Espalha brasa:: Dora Kramer
- As bienais e as vanguardas:: Ferreira Gullar
- Falsos remédios :: Suely Caldas
- "A Decadência do Ocidente":: Vinicius Torres Freir...
- O euro, ou vai ou racha:: Celso Ming
- Crescimento modesto em 2012:: José Roberto Mendonç...
- O "B" e o "C":: Merval Pereira
- Fernando Gabeira Coisa Nossa
- Marco Antônio Villa Verdade ? que verdade?
- Mantega cria o “realismo fantástico” do câmbio
- Augusto Nunes Vaccarezza mostrou que no peito de a...
- Reinaldo Azevedo 20/5/12
- Suely Caldas. Dilemas do setor elétrico
- “Cosa Nostra” - DORA KRAMER
- Freada na Argentina - CELSO MING O Estado de S...
- Tiro no pé - MERVAL PEREIRA
- Há espaço para crescer mais - ALBERTO TAMER
- Campo da floresta - MIRIAM LEITÃO
- Seca a CPI do Cachoeira - EDITORIAL O ESTADÃO
- Sobre a Comissão da Verdade - CELSO LAFER
- A nova ordem e a força social - GAUDÊNCIO TORQUATO...
- Um pequeno grande jornal - FERREIRA GULLAR
- De sacolinhas e pieguices - DANUZA LEÃO
- A mulher a ciência e o coco João Ubaldo
- Agenda econômica em fase de mudança. Editorial O G...
- camarada que pôs fogo na crise - VINICIUS TORRES F...
- Cláudio Humberto
- Maratona e reina dos bancos. Vinicius Torres Freir...
- Celso Ming. Energia mais barata
- Exceção a velha regra. Dora Kramer
- Pêndulo da balança. Miriam leitão
- Meia verdade,meia mentira. Carlos Alberto Sardenbe...
- Agricultura salva PIB
- A v aia dos prefeitos. Editorial O Globo
- Para fazer a lei `pegar' - EDITORIAL O ESTADÃO
- Um luxo Merval Pereira
- Querem salvar a Delta via BNDES - SÉRGIO GUERRA
- A crise europeia está em plena forma - GILLES LAPO...
- Como apagar o desejo de consumir drogas - FERNANDO...
- Maílson da Nóbrega (VEJA)
- Augusto Nunes:..Volta ao palco o papagaio de pirat...
- O preço do crescimento :Raul Velloso
- Fatalidades e voluntária os Pedro Malan
- Merval Pereira Sem revanchismos
- Lucia Guimarães Uma trama em que em que terrorismo...
- 'Carcará' e Falcão contra a liberdade de expressão...
-
►
Maio
(77)
-
▼
2010
(1998)
-
▼
Novembro
(27)
- Sobre o Rio Marco Antonio Villa
- Falácias sobre a luta armada na ditadura Marco Ant...
- João Ubaldo Ribeiro - Nada a esconder
- CESAR MAIA De volta ao Oriente
- PAUL KRUGMAN Comendo os irlandeses
- CELSO MING Expurgo de preços
- A tomada da Vila Cruzeiro EDITORIAL - O ESTADO DE ...
- DIOGO MAINARDI Meus fantasmas
- Merval Pereira Ainda "Tropa de Elite"
- Estranha normalidade:: Fernando Rodrigues
- Tropa da mídia:: Fernando de Barros e Silva
- Míriam Leitão Nas três frentes
- "BRASIL - DIVIDA INTERNA E DIVIDA EXTERNA."
- Um caminho suave para a reforma-Eduardo Graeff
- No ar e na terra - Míriam Leitão
- Celso Ming Mais controle dos cartões
- Merval Pereira - Capitão Nascimento
- Dora Kramer Agora é guerra
- NELSON MOTTA A lógica dos raios
- Cesar Maia EM ABRIL DE 2008 O BOPE ENTROU NA VILA ...
- Brazil in the Shadow of Lula
- Se não entender o recado de milhões de eleitores n...
- POR QUE OS ARRASTÕES CRESCERAM TANTO NO RIO!
- Nelson Motta - Ilusões democráticas
- Vendemos comida. E daí?: Carlos Alberto Sardenberg...
- Merval Pereira - Democracia virtual
- Perdas e danos NELSON MOTTA
-
▼
Novembro
(27)
- Blog do Lampreia
- Caio Blinder
- Adriano Pires
- Democracia Politica e novo reformismo
- Blog do VILLA
- Augusto Nunes
- Reinaldo Azevedo
- Conteudo Livre
- Indice anterior a 4 dezembro de 2005
- Google News
- INDICE ATUALIZADO
- INDICE ATE4 DEZEMBRO 2005
- Blog Noblat
- e-agora
- CLIPPING DE NOTICIAS
- truthout
- BLOG JOSIAS DE SOUZA