Depois de muita conversa e pouca ação nas
negociações de Bali, a Comissão Européia quer
exigir dos fabricantes carros menos poluidores
Thomaz Favaro
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As medidas unilaterais dos europeus para diminuir a poluição poderão servir, nos próximos anos, como parâmetro para a possibilidade de sucesso de qualquer tratado internacional que venha a substituir o de Kioto. Alcançar as metas depende de avanços tecnológicos. Um acordo entre o governo europeu e os fabricantes, feito em 1995, previa uma redução voluntária de 3% ao ano para atingir o limite de 120 gramas por quilômetro rodado já em 2005. O ritmo de diminuição conseguido pelos técnicos automotivos não passou de 1,5%. As metas anunciadas na semana passada colocaram os fabricantes em pé de guerra. As empresas alegam que o índice sugerido não poderá ser atingido no prazo de cinco anos, o que ameaçaria a competitividade da indústria automobilística européia. Encabeçam os protestos as companhias alemãs, como BMW e DaimlerChrysler, produtoras de carros luxuosos. Em geral, cada um deles emite mais que 180 gramas de poluentes por quilômetro rodado. Mesmo os fabricantes franceses e italianos, com automóveis menores e menos poluentes, reclamaram. Eles estimam que o custo da adaptação vá representar um aumento de 1.300 euros no preço de cada veículo. Na proposta de lei da semana passada, a solução encontrada foi criar parâmetros menos exigentes para os carros de luxo, mais pesados e poluentes. A redução das emissões exigida será proporcional ao tamanho do automóvel.
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