Entrevista:O Estado inteligente

segunda-feira, dezembro 17, 2007

AUGUSTO NUNES SETE DIAS

Cabôco Perguntadô

Agora que Renan Calheiros descansa na vala comum dos senadores sem maior relevância, agora que a CPMF foi enterrada na cova rasa dos impostos cafajestes, agora que a idéia do terceiro mandato foi devolvida ao porão onde arrastam correntes assombrações latino-americanas, o Cabôco acha que o governo está com tempo de sobra para responder a perguntas sobre o apagão aéreo. O que está fazendo o ministro Nelson Jobim para resolver o colapso da aviação civil? Que fim levou a promessa de um novo aeroporto em São Paulo? E o trem-bala para Viracopos? Por que Cumbica não vai ganhar a terceira pista? Sobretudo, quando é que os gerentes da crise vão criar vergonha e juízo?


Ex-mulher vira mulher-bomba

Em 2005, logo depois de separar-se de Fernando Collor, Rosane Malta foi surpreendida pela redução radical da mesada: baixou de R$ 40 mil para R$ 4 mil. Certamente incomodada com a lentidão dos tribunais, resolveu há dias apressar a recuperação do poder aquisitivo por via judicial com uma entrevista à Veja. Rosane informou que o ex-presidente apelou até para a magia negra ao pressentir o fim. Enquanto animais eram sacrificados, rogava pragas tremendas contra adversários. (Algumas funcionaram, sugere o caso do mensalão). Mas deixou para o próximo capítulo revelações sobre contas no exterior. Ansioso, o país implora em coro: fala mais, Rosane.

Missão para o parceiro Palocci

Decidida a libertar a filha seqüestrada pelas Farc há cinco anos, a mãe da ex-senadora Ingrid Betancourt conseguiu que o Brasil se oferecesse para mediar as negociações entre o governo colombiano e o comando da narcoguerrilha. Deveria agora sugerir que, se a proposta for aceita, o chefe da delegação brazuca seja o deputado Antonio Palocci.

Trotskista da reserva, Palocci aproximou-se dos companheiros da selva em 1990. Nos anos seguintes, fecharia com as Farc vários negócios, sempre de bom tamanho. No Ministério da Fazenda, virou craque em comércio internacional. Ele saberá combinar o preço justo a ser pago por Ingrid e qualquer outro refém.

Palocci é o cara.

Metamorfose em Macapá

Ultrapassado na semana anterior por Hugo Chávez, que cumprimentou a oposição venezuelana pelo que qualificaria dois dias depois de "vitória de merda", Lula recuperou em Macapá a liderança do torneio da metamorfose ambulante. Voltou à dianteira com os rasgados elogios feitos ao mesmo José Sarney que vivia insultando nos tempos de deputado e chefão do PT.

"O maior ladrão deste país é o presidente Sarney", berrou em 1987, por exemplo, no famoso Improviso em Aracaju. "O companheiro Sarney fez um grande governo", mudou de idéia na terça-feira. O agressor faz de conta que esqueceu os pontapés. O agredido finge que nunca levou pancada nenhuma. É o Brasil.

Yolhesman Crisbelles

A taça da semana vai para a dupla formada pelos senadores Wellington Salgado (MG) e Garibaldi Alves (RN), pelo heterodoxo diálogo travado durante a reunião da bancada do PMDB convocada para escolher o substituto de Renan Calheiros na presidência do Senado:

- Senador Garibaldi, o senhor tem alguma amante? - perguntou o Bom Cabelo.

- Não - garantiu o interrogado. - Mas, mas, se for necessário ter uma Mônica para presidir o Senado, vou arranjar uma agora mesmo.

Todos os presentes caíram na gargalhada. Menos Renan Calheiros, que não achou graça nenhuma no numerito improvisado pelos parceiros de partido.




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