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"Apesar do tumulto antes do início dos trabalhos, quando quase saiu pancadaria entre as tropas do governo e as da oposição, por conta da irresponsabilidade de um deputado do PT, a sessão conjunta das CPIs dos Correios e do Mensalão para ouvir o depoimento do sócio do publicitário Marcos Valério foi um bom exemplo de como podem funcionar as CPIs daqui para frente.
Até porque todas as informações que a CPI dos Correios já conseguiu até agora sobre saques bancários e listas de pessoas que receberam dinheiro das contas de Marcos Valério deverão ser encaminhadas à CPI do Mensalão.
Bom mesmo seria se as CPIs dividissem os trabalhos. A dos Correios investigaria a origem do dinheiro que alimentava as contas de Marcos Valério: empresas estatais, fundos de pensão, bancos e empresas privadas.
Já a CPI do Mensalão ficaria encarregada de investigar o destino dos recursos, isto é, os sacadores das contas de Marcos Valério.
Se a excessiva vaidade de alguns parlamentares não atrapalhar, este poderá ser o caminho para agilizar os trabalhos e chegar mais rapidamente aos responsáveis pelo maior escândalo político e moral de que se tem notícia na história deste país.
Agilidade nos trabalhos e na apuração de responsabilidades é vital, porque a partir de setembro a temperatura vai subir ainda mais na Câmara dos Deputados. É quando o processo de cassação de vários deputados poderá ser votado no Conselho de Ética e ser encaminhado para votação no plenário.
Além disso, no final de setembro termina o prazo para a filiação partidária dos que pretendem disputar eleições no ano que vem. Portanto, algumas trocas de partido e, quem sabe, algumas renúncias podem acontecer até lá.
A partir de hoje, os políticos passam a raciocinar com um olho nas CPIs e o outro no calendário."
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