Entrevista:O Estado inteligente

terça-feira, agosto 09, 2005

Editorial de O Globo O anti-Lula




Não é por falta de uma agenda que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva continuará em estado de marasmo político-administrativo. Os empresários que visitaram o presidente na sexta-feira deixaram-lhe uma. Dela constam itens óbvios. Por exemplo, a conclusão de pelo menos parte da reforma tributária; o envio ao Congresso da nova legislação sobre as micro e pequenas empresas; uma definição rápida em torno da chamada MP do Bem, a que reduz tributos sobre a produção, com destaque para exportações; e assim por diante.

Não é difícil definir prioridades para o governo. São de amplo conhecimento os temas em que nada se fez, ou se fez apenas parte do necessário, ou o executado precisa ser totalmente refeito. O problema é a falta de decisão política. O presidente, em vez de se contrapor à crise com ações concretas de governo e destinadas a reativar os trabalhos legislativos, optou pelo caminho inóspito da antecipação do calendário eleitoral.

Lula seguiu o diagnóstico da crise feito pelo ex-chefe da Casa Civil José Dirceu, segundo o qual existe uma conspiração delirante de supostas elites para desestabilizar o governo. Ao aceitar essa análise equivocada, Lula se bandeou para regiões pobres do Nordeste e de lá, de forma emblemática, alvejou as tais elites, em termos adequados a comícios populistas ou bate-bocas futebolísticos.

Na sexta-feira, Lula teve, por alguns momentos, contato com o mundo real, quando recebeu dessas mesmas elites uma demonstração de apoio e contribuição na forma da agenda mínima. Seria o momento de o presidente refletir e entender que a grande ameaça ao governo, e à estabilidade do país, veio de um esquema criminoso armado na cúpula do PT, e certamente com o conhecimento de pessoas próximas ao gabinete dele.

Subir no palanque eleitoral, como tem feito, aguça o choque com a oposição, produz mais paralisia no governo e inviabiliza qualquer efetiva reativação dos trabalhos legislativos. Infelizmente, pelo teor do que disse no "Café com o presidente" de ontem, Lula continuará a romaria de discursos de improviso pelo país afora, nos quais tem adotado perigoso tom chavista, num desserviço ao próprio governo e à resistência demonstrada até agora pela economia. Lula ameaça converter-se num anti-Lula

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