Entrevista:O Estado inteligente

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sábado, maio 02, 2009

CELSO MING É palha no motor


A General Motors (GM) americana vai mal das pernas, mas acaba de desenvolver processo de produção de etanol (álcool) de celulose que considera revolucionário, como revela o presidente da filial brasileira, Jaime Ardila.



Em maio de 2008, a GM anunciou investimentos na empresa produtora de biocombustível Coskata Inc. Seu presidente, Bill Roe, mantém o volume aplicado sob sigilo, mas adianta que é o suficiente para colocar álcool de celulose no mercado a partir de 2011. Nos Estados Unidos, cerca de 20 empresas desenvolvem essa tecnologia. A anglo-holandesa Shell anunciou que está testando sua destilaria nos Estados Unidos para operar em escala comercial. E a americana Ineos Bio garante que já no ano que vem produzirá bioetanol em grande escala, a partir de todo tipo de descarte orgânico, desde resíduos agrícolas até lixo urbano.



Desde 2007, conforme foi avançado por esta coluna, a Dedini, sediada em Pirassununga, no interior de São Paulo, consegue produzir 100 litros de etanol por tonelada de bagaço de cana. Mas seu vice-presidente, José Olivério, atesta que a empresa ainda não conseguiu chegar aos 180 litros, produtividade mínima para que se torne competitivo.



No Brasil, o bioetanol se aperta entre os altos custos de produção e os baixos preços de mercado obtidos pelo álcool. O custo médio de produção do etanol comum é de US$ 0,24 por litro. O de celulose vai a US$ 0,60 por litro.



A Petrobrás avalia que o uso da celulose de bagaço de cana e outros resíduos agroindustriais aumentaria em 40% a produção de etanol no País, sem necessidade de expandir a área plantada de cana-de-açúcar. Para o Ministério de Minas e Energia, o uso de bagaço como combustível corresponde a 17,5 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (tep), igual a todo gás natural e óleo combustível usados no País.



Hoje, o principal obstáculo para o desenvolvimento de etanol de celulose no Brasil é de mercado. O pesquisador do Instituto de Economia Agrícola (IEA) Sérgio Torquato adverte para o risco de superprodução. Dados da União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica) mostram produção de 22,4 bilhões de litros de etanol no País na safra 2007/2008. O consumo foi de 22,2 bilhões de litros no Brasil, em 2008.



Se a oferta de etanol for aumentada, será inevitável queda correspondente de preços, pois o consumo ficará atrás. "A demanda só aumentará se o governo impuser maior proporção de álcool na mistura com a gasolina", diz Torquato. O problema é que hoje o álcool anidro já concorre com 25% nessa mistura. Com mais do que isso, os motores a gasolina tendem a perder eficiência.



O professor Rogerio Cerqueira Leite, pesquisador de etanol na Unicamp, admite que os Estados Unidos estejam mais avançados do que o Brasil no domínio da tecnologia. Mas lembra que o problema deles é mais grave. Aqui, a obtenção de bagaço de cana é feita no mesmo processo industrial. Nos Estados Unidos, a colheitadeira de milho não prevê a colheita da palha. Além disso, o etanol de resíduos de milho exige um processo industrial a mais do que o de bagaço de cana.



Enfim, no Brasil a segunda geração de celulose não enfrenta apenas problemas de tecnologia.



COLABOROU FILIPE DOMINGUES





Confira



Casório incerto - Ainda está para ser explicada a lógica da associação entre a concordatária Chrysler e a italiana Fiat.



A única contribuição que a Fiat poderia dar para a Chrysler superar os problemas seria na tecnologia de produção e comercialização de carros pequenos e médios. Mas, até agora, esses produtos não tiveram mercado nos Estados Unidos.



Além disso, se a associação da Chrysler com os alemães da Daimler-Benz não deu certo e foi rompida em 2007, por que daria certo a associação com os italianos da Fiat? A propósito, em 2000 a Fiat quase foi comprada pela GM.

domingo, outubro 12, 2008

À procura de César Celso Ming

Crise financeira após crise financeira demonstrou que tanto a moeda como os títulos de dívida pública do país epicentro da crise despencam nos mercados.

Mas a crise atual mostra o contrário. O dólar, tão combalido antes da tremedeira, agora cavalga por cima do lixo. E o ativo mais procurado do momento, junto com o dólar, são os títulos do Tesouro dos Estados Unidos (T-Bonds). Por que essa anomalia?

A primeira explicação é a de que não há no mundo nenhuma outra moeda capaz de desempenhar a função de reserva internacional de valor. E, apesar de tudo e de todos, os T-Bonds continuam sendo o paradigma de ativo seguro. Pintou pânico nos mercados, todos correm para os refúgios de sempre, correm para o dólar e correm para os T-Bonds.

Em setembro, a top model brasileira Gisele Bündchen tomou a decisão de amarrar todos os seus contratos não mais em dólares, mas em euros. Hoje deve ter-se arrependido do que fez. Apenas nas últimas três semanas, o euro caiu 9% diante do dólar. Quanto mais se aprofunda, mais verde é a crise. Gisele deve estar perdendo dinheiro mais do que precisaria.

Os Estados Unidos estão carregando dois imensos déficits, o comercial (de US$ 707 bilhões) e o orçamentário (de US$ 407 bilhões); são hoje um país de poupança quase zero; seu presidente não pára de fazer lambanças de toda ordem; suas instituições reguladoras deixaram que tudo acontecesse; são de longe o maior devedor do mundo (US$ 9,6 trilhões). No entanto, apesar disso e de muito mais, continuam emitindo a moeda mais confiável do planeta.

Mas por quê? A resposta a essa pergunta não está na área econômica, mas na política. Bem ou mal, os Estados Unidos têm comando. E é exatamente isso que falta à Europa. Um pouco por opção e mais por incapacidade de seus governos, a Europa é quase uma insignificância geopolítica. Não consegue tomar decisões estratégicas e se enreda em questiúnculas paroquiais. Afinal, o que se pode esperar da União Européia, um gigante econômico, se seus membros levaram nada menos que 30 anos para decidir o que é chocolate, do ponto de vista legal? - observava sexta-feira a Agência Bloomberg.

Sábado passado, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, reuniu os quatro cachorros grandes da União Européia: França, Alemanha, Inglaterra e Itália. Na pauta, a decisão de criar um pacote de 300 bilhões de euros para salvar os bancos do bloco. Mas não houve acordo. Saiu cada um por si, ao contrário do que determinava a postura clássica dos quatro mosqueteiros.

Essa crise já criou um sem-número de pacotes destinados a resolver o problema. Mas a confiança não se restabeleceu. Não se restabeleceu porque não foi dado o único passo que pode acabar com o pânico e esse passo, se vier, não será de natureza econômica; será de natureza política.

"De quem é a efígie que está nesta moeda?", perguntou Jesus aos fariseus que o questionavam sobre a legitimidade do recolhimento de impostos. "É de César", responderam. "Pois dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus", sentenciou Cristo.

Emissor de uma moeda forte precisa de César e não de uma comissão de trabalho.

quarta-feira, setembro 10, 2008

Clipping O Estado de S. Paulo, 10/09/2008

O Estado de S. Paulo
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