Entrevista:O Estado inteligente

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terça-feira, novembro 03, 2009

Oxente! Deu Baiana no 'Times' Lucas Mendes


Lucas Mendes em ilustração de Baptistão

Fernanda é inteligente, bonita e merece o título que vai entrar para a história do nosso jornalismo: primeira repórter brasileira – ou brasileiro – a conquistar um emprego no mais influente jornal do mundo. Oxi!, como ela e o marido americano costumam abreviar, com frequência, o oxente.

Fernanda Santos acabou de voltar de férias da Bahia e está imersa na campanha eleitoral para prefeito, o quintal dela na editoria metropolitana.

A área de cobertura da Fernanda é mais abrangente – mas, antes de chegar à prefeitura, um pouco mais sobre Fernanda, que saiu de Salvador para o Rio com a família quando tinha 11 anos, ganhou apelido de "Baiana", estudou comunicação social na PUC e fez um mestrado sobre imprensa na Universidade de Boston.

Antes de ser contratada pelo Times, passou por dois jornais menores em Massachusetts, onde um obituário escrito por ela sobre uma jornalista suicida chamou a atenção dos editores do tablóide novaiorquino Daily News. Foi contratada, mas queria espaço para matérias mais longas e mais profundas.

Dos mais de mil empregados da redação do Times, ela é a única brasileira, bem como a única contratada com mais de 30 anos vinda de um país onde a língua materna não é o inglês.

Num divertido perfil escrito por Tania Menai para a revista Piauí, Fernanda admite a dificuldade no uso de in e on que também sempre me derrubou. A gramática da Fernanda é muito melhor que a da maioria dos americanos.

Vamos ao prefeito. Quando pergunto a ela o que acha de Michael Bloomberg, ela responde com um chavão. "É segredo. Aprendi noTimes que repórteres não são pagos para achar e sim para informar ao leitor o que está acontecendo, para que ele forme sua opinião." Ora, dona Fernanda!

Logo depois de dizer isto ela acha que "o prefeito melhorou a cidade em especial alguns bairros mais pobres, como o Harlem, onde hoje moram colegas jornalistas do New York Times. Melhorou as escolas, a coleta do lixo".

A rigor, ela está correta. Não são achismos. A cidade melhorou muito com Bloomberg, que tem duas metas quase impossíveis para o controvertido terceiro mandato: melhorar as escolas de Nova York tanto que elas sejam capazes de atrair a classe média de outros Estados, e reduzir o já reduzido crime pela metade.

O prefeito é simpático, educado e trata a Fernanda com cortesia – mas não dá entrevistas exclusivas. "Levei um mês para convencer a sua assessoria de imprensa a me permitir assistir a uma aula de espanhol dele para escrever uma matéria sobre a interessante relação entre ele, o multibilionário, e um imigrante colombiano que lhe ensina espanhol. Ele me ligou e falamos por dez minutos. Foi uma das poucas vezes que tive uma exclusive com ele. Ele acha que a imprensa está sempre tentando atacá-lo e tem uma assessoria fiel e protetora."

Para penetrar o cerco, Fernanda foi assistir à filha dele competir numa prova de hipismo. "Apareci de surpresa e disse a ele que não estava lá para fazer matéria política, mas para escrever sobre o pai dele." Acabaram tirando uma foto do prefeito sorrindo para uma repórter, uma raridade. Agora, ela vai levar a filha Flora para outra foto com o homem mais rico da cidade.

E mais poderoso. Em oito anos, o executivo que veio de fora do círculo político eliminou seus adversários mais perigosos na base da sedução, ou, com mais frequência, dos dólares. A fortuna dele está na casa dos US$ 16 bilhões, quatro vezes mais do que o déficit da cidade.

Desde a década de 60, a cobertura do Times no Brasil teve alguns dos melhores correspondentes do jornal e, se não me engano, pelo menos três deles foram ou estão casados com brasileiras. Mas as afinidades pessoais com o Brasil não têm impedido o senso crítico. Larry Rother quase foi banido quando escreveu no New York Timessobre as afinidades do presidente Lula com o álcool. E, talvez por causa dele, o presidente tenha ficado mais sóbrio. Ou mais discreto.

No curto prazo, o foco de Fernanda é a eleição. Mas o sonho dela é ser a primeira correspondente brasileira do Times no Brasil. Está apenas há quatro anos no jornal mas, oxente!, aposto na baiana

Sarkozy no chuveiro Ivan Lessa


Ivan Lessa em ilustração de Baptistão

Dessas notícias que a gente pega nos jornais distribuídos grátis no metrô ou suas cercanias. Tem sempre algo que a grande mídia não se interessou muito. No caso em questão, duas colunas apenas na primeira página, mas cabeçalho em corpo respeitável, dizendo respeito ao presidente francês Nicolas Sarkozy, conhecido em meios irônicos, como “o pequeno gigante”.

Tratava, e informava o texto, da conferência realizada ano passado em Paris quando o “Napoleão de nos jours” (também coisa dos círculos debochados) ocupava o cargo rotativo de presidente da União Europeia e, como bom francês, insistiu em fazer as honras da casa dentro das tradições pródigas da pátria que deu ao mundo vários baixinhos de grande importância (Toulouse-Lautrec, Robespierre, Emile Zola, etc).

Foi nesse espírito, sempre segundo o jornal, que leva o título deMetro, pois no metrô é que se folheia, que Sarkozy resolveu dar um banho no palácio que ocuparia durante uma cúpula da União Europeia, o Grand Palais, situado a 10 minutos de distância do Elysée. E dar um chuveiro de luxo, mas luxo mesmo, para ele próprio e mais ninguém.

Fez construir então, para a reunião com a duração marcada de três dias, em julho de 2008, seu chuveiro particularíssimo e baseado em especificações adiantadas pelo próprio “pequeno grande polegar” (segundo… pois é, eles mesmos).

Nicolas Sarkozy tem 1m60 de altura, e fala grosso em francês de luxo. Assim teria de ser, e foi, o tal chuveiro. Tinha ar condicionado, rádio com surround sound e outros adereços imponentes que os auditores, que só agora apresentaram o resultado de seus trabalhos. Quer dizer, os números relevantes: quanto se gastou e em que se gastou.

Sarkozy tinha, graças à sua posição como presidente duplo (França e União Europeia) verba ilimitada, cortesia dos contribuintes franceses, não poupando assim esforços para abrilhantar os aspectos mais relevantes da cidade-luz, ainda considerada, apesar de certas críticas maliciosas, uma dos maiores atracões do mundo.

Impressionar chefe de estado europeu dá trabalho e custa caro, como ficou demonstrado pela auditoria. Esse o assunto do momento na França e não o filme com o falecido Michael Jackson ou um possível lançamento de CD ou tailleur novo de Carla Bruni-Sarkozy.

O palácio presidencial foi completamente redecorado para a ocasião. 500 técnicos trabalhando todos os dias, 300 todas as noites. US$ 1,5 milhão foram gastos com o banquete que deu início aos trabalhos. O que dá uma média de mais de US$ 38 mil por cabeça de cada um dos 43 notáveis presentes. US$ 500 mil foi o preço pago pelo pódio discursivo. Perto de US$ 150 mil em tapetes. US$ 320 mil em jardins. Ao todo, os três dias custaram US$ 16 milhões. Uma das mais caras conferências da história da União Europeia.

E o chuveiro que consumiu US$ 410 mil, além de só utilizar a última palavra em seu material, e o trabalho dedicado de patrióticos arquitetos, técnicos e operários especializados? Foi posto abaixo poucos dias depois de completadas as obras sem derramar uma única e mísera gota, já que Nicolas Sarkozy mudou de ideia, coisa muito comum entre pequenos gigantes, e acabou usando – se usou, sussurram os maldosos céticos – o chuveiro do Palais de l'Elyséemesmo.

sexta-feira, abril 25, 2008

FHC entra em lista de 100 maiores intelectuais do mundo

BBC e Prospect Magazine
Fernando Henrique Cardoso
FHC foi o único brasileiro a entrar na lista da 'Prospect'
O sociólogo e ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi selecionado como um dos 100 intelectuais públicos mais importantes da atualidade, em uma lista divulgada nesta quinta-feira pela revista americana Prospect.

A lista é ponto de partida para uma votação em que o público poderá selecionar os cinco nomes que consideram os mais importantes. Com base nos resultados, a revista criará um ranking dos principais intelectuais por ordem de importância.

Segundo a publicação, a escolha dos candidatos foi feita com base em "critérios simples": os intelectuais tinham que estar vivos e ativos na vida pública. Além disso, deveriam demonstrar excelência na sua área de atuação e habilidade em influenciar debates internacionais.

FHC foi o único brasileiro escolhido pela Prospect para integrar a lista dos candidatos. A relação inclui ainda nomes como o lingüista Noam Chomsky, o Papa Bento 16, o semiólogo italiano Umberto Eco, o ex-vice-presidente dos EUA e hoje ativista ambiental Al Gore, o filósofo alemão Jürgen Habermas, o ex-presidenciável peruano Mario Vargas Llosa, entre outras personalidades.

Esta não é a primeira vez que a revista Prospect faz um ranking dos 100 principais intelectuais. Em 2005, a publicação também abriu a votação para o público. Na ocasião, os cinco eleitos foram Noam Chomsky, Umberto Eco, Richard Dawkins, Václav Havel e Christopher Hitchens.

A votação para a escolha deste ano se encerra no dia 15 de maio. Os resultados estarão disponíveis online a partir de 23 de junho e serão divulgados na edição de julho da revista.

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