As informações, denúncias, confissões e suspeitas em torno do marqueteiro Duda Mendonça e os serviços publicitários que prestou ao PT em 2002 oferecem relevantes lições sobre as práticas odiosas incrustadas nas cercanias das campanhas eleitorais brasileiras. O vasto terreno de equívocos evidencia-se no espantoso volume de dinheiro que inclui somas clandestinas, quiçá sujas, para financiar a disputa pelo voto. Segue com o uso de caixa 2 para consumar a utilização de tais recursos e completa-se com as disparidades entre os dados oficiais enviados pelos candidatos e partidos à Justiça Eleitoral e a opulência de algumas campanhas.
É de extrema importância, portanto, o pedido de bloqueio e rastreamento de contas de Mendonça no exterior, feito pela Polícia Federal ao Tribunal Superior Eleitoral. Os dados obtidos a partir dessas investigações poderão contribuir para remover as inúmeras interrogações deixadas pelo depoimento do publicitário à PF e ao Congresso e pelos indícios de movimentações irregulares nas contas do marqueteiro em paraíso fiscal. Também servirá de subsídio para esclarecer os rastros do caixa 2 petista, já assumido por sua cúpula.
As lacunas envolvendo contas de campanhas são alguns dos males mais inquietantes do sistema eleitoral brasileiro. A discrepância entre as dívidas oficiais e os números revelados nas CPIs em curso constitui um sinal preocupante de uso de dinheiro clandestino e reafirma a necessidade de completa revisão das campanhas eleitorais. Instituir mecanismos que reduzam seus custos e promover um controle mais eficaz sobre a prestação de contas dos partidos e dos candidatos são dois passos fundamentais para acabar com a corrupção generalizada na caça ao voto.
Convém ao país diminuir a importância de marqueteiros como Duda Mendonça. Barra os recursos clandestinos e melhora o nível de debate eleitoral. Vale não somente para o PT, como para todas as outras siglas. Para tanto, basta reduzir o show da política, proibindo o uso de recursos técnicos sofisticados de propaganda eleitoral e os showmícios, dois fatores que encarecem as campanhas. E campanhas caras atraem o caixa 2. Tão ou mais importante do que punir os responsáveis pelos atos de corrupção é tirar lições da crise e criar mecanismos preventivos de roubalheiras.
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