Entrevista:O Estado inteligente

terça-feira, agosto 09, 2005

Editorial de A Folha de S Paulo CAOS E COMPLACÊNCIA

 A reunião do Diretório Nacional do PT, realizada no último sábado em São Paulo, sintetiza a situação de caos e paralisia que toma conta do partido. A legenda perdeu mais uma chance de apresentar explicações convincentes ao país e de reequilibrar o jogo de forças entre as tendências que a compõem.
Apesar das previsões de que sairia enfraquecido, o Campo Majoritário, tendência a que pertence o presidente Lula, continua a exercer papel hegemônico. Ainda que por margem estreita, a resolução defendida pelo grupo foi aprovada, e são claros os indícios de que seu principal orquestrador continua a ser o ex-ministro José Dirceu. O documento volta a insistir nas fantasiosas teses de que o PT é vitimado por "estratégias da direita" e por um "processo difamatório" e faz uma autocrítica no mínimo complacente dos graves equívocos que a legenda cometeu.
O partido mostrou-se igualmente condescendente com o ex-tesoureiro Delúbio Soares. Ao aceitar pedido de afastamento poucas horas antes da reunião que decidiria sua suspensão, o PT contribui para adensar as suspeitas de que protegê-lo equivale a uma assunção de culpa, visto que o ex-tesoureiro poderia agravar a crise caso decidisse falar o que sabe.
Piora a situação o fato de que as decisões deslegitimam o novo presidente do partido, Tarso Genro, empossado justamente para restituir credibilidade à administração da legenda. O Campo Majoritário ignorou sua proposta de obrigar os diretórios estaduais a abrir o caixa dois das campanhas. Ficou igualmente no limbo sua elogiável iniciativa de tornar inelegíveis os deputados que renunciassem a seus mandatos.
Nesse cenário, torna-se indispensável que o presidente Lula abandone a estratégia de se dissociar do partido e de desabafar em tom emotivo e populista diante das audiências que lhe convêm. É preciso que assuma uma linha mais consistente de prestação de contas à sociedade.
A desorientação do PT reflete o caráter hesitante das atitudes do primeiro mandatário, que oscilam entre o discurso de campanha e a tentativa de minimizar os problemas. Continuar com evasivas é ignorar uma demanda legítima da população e fugir às suas responsabilidades como chefe de Estado e de governo.

Nenhum comentário:

Arquivo do blog