Entrevista:O Estado inteligente

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sábado, janeiro 24, 2009

Emprego e subtração Clóvis Rossi

FOLHA DE S. PAULO
PARIS - Não funciona a ideia vendida pelo ministro Guido Mantega de que o BNDES cuidará para que cada projeto financiado com o bolão novo de R$ 100 bilhões explicite quantos empregos a mais estão sendo criados.

Você acha mesmo que alguém vai ao BNDES, apresenta um projeto e diz que vai cortar empregos, em vez de criá-los?

Fórmula inócua à parte, até que a exigência faz sentido. Claro que, em última análise, quem determina a manutenção ou corte de postos de trabalho é o crescimento econômico, como diz Armando Monteiro Neto, presidente da Confederação Nacional da Indústria.

Mas pode haver um mínimo de responsabilidade social de fato de parte das empresas, em vez de apenas imprimirem todos os anos lindos catálogos com suas realizações nessa área. É óbvio que, quando está havendo prejuízo, é melhor demitir alguns do que demitir todos, pela quebra da empresa.

Outra coisa é demitir quando o lucro cai, mas não cessa. Caso da Microsoft, que lucrou US$ 4,17 bilhões no ano passado (daria, grosso modo, para cobrir 10% da nova carteira do BNDES), mas está demitindo 1.400 funcionários (em 18 meses, serão 5.000), porque o lucro foi 11% inferior ao esperado.

Minha sensação é a de que o empresariado brasileiro ainda deve ao público a comprovação de que não é como John Lancaster, editor-associado da London Review of Books, diz serem as grandes empresas varejistas de sua terra: "Muitas tratam seus empregados como uma commodity. Pagam tão pouco quanto possível, treinam tão pouco quanto possível e empregam o menor número possível. Às vezes parece que a gerência usa uma fórmula: descobre o nível mínimo de empregados para que a loja funcione, depois subtrai 20%".

O que o governo Lula diz querer é apenas que não haja essa subtração. Parece justo.
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quarta-feira, janeiro 21, 2009

Fernando Rodrigues Areia movediça no Congresso



Folha de S. Paulo - 21/01/2009
 

Poucos assuntos interessam menos ao conjunto dos brasileiros do que a sucessão para a presidência da Câmara e a do Senado. No universo paralelo da micropolítica, a história é bem outra.
Ontem, enquanto Barack Obama tomava posse em Washington, caciques partidários maquinavam freneticamente apoios e traições para a disputa do dia 2 de fevereiro.
Em política não se deve fazer previsões. "O problema do vaticínio é que depende do futuro" é o lema em Brasília. Não há, portanto, como saber o desfecho das eleições no Congresso. Mas há indicações de que o PMDB sairá um pouco mais rachado, mesmo essa sendo quase uma impossibilidade física para uma sigla já tão fragmentada.
De um lado, o grupo de senadores do PMDB comandados por Renan Calheiros e José Sarney. Do outro, os deputados peemedebistas sob a liderança de Michel Temer e de Geddel Vieira Lima.
Em teoria, Sarney e Temer são os favoritos para ganhar as presidências do Senado e da Câmara, respectivamente. A vitória de ambos restabeleceria uma tradição no Congresso, com o partido dono das maiores bancadas ficando com o comando. Na prática, o quadro se torna muito mais complexo.
A entrada de Sarney na disputa parece ter acomodado as forças no Senado. Mas atrapalhou a empreitada de Michel Temer. Na Câmara prevalece uma certa aversão a respeito de dar o comando inteiro do Congresso para o PMDB.
Não que deputados nutram um sentimento elevado pela divisão de poder ou pela democracia. O problema é uma eventual vitória conjunta do PMDB na Câmara e no Senado reduzir a um só o guichê da fisiologia. Essa é a gênese do ambiente pantanoso na disputa atual.
Tudo somado, dada a esperteza geral, é real a chance de alguém ser engolido pela areia movediça do processo. Sarney ou Temer.

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