Entrevista:O Estado inteligente

terça-feira, junho 02, 2009

Na ausência dos oponentes Dora Kramer


O ESTADO DE S. PAULO

A ministra Dilma Rousseff melhora sua posição a cada nova pesquisa sobre as intenções de votos para presidente da República em 2010. Subiu mais de 20 pontos porcentuais desde aquele batizado, em fevereiro de 2008, onde recebeu o nome de "a mãe do PAC".

Hoje exibe índice de 23,5%, contrariando a expectativa dos adversários que, na época, desdenhavam da possibilidade de Dilma alcançar tão cedo a casa dos dois dígitos. Refeitas as contas no início de 2009, a oposição passou a trabalhar com um patamar de 30% até o fim do ano. Daí, ela não passaria.

Desejo, especulação, aplicação da lei das probabilidades, chute, ciência, seja o que for, pouco importa porque palavra de inimigo não vale, apostas carecem de confiabilidade e quem decide mesmo a parada, no final, é a realidade.

Não a presente, mas a realidade futura, cuja validade se inicia quando a campanha começar de verdade. E por campanha entenda-se campanha mesmo: embate entre candidatos, contraposição de opiniões, posições a respeito dos problemas nacionais, ações, gestos, pensamentos, impressões, emoções, toda gama de fatores que permitem ao eleitorado cotejar estilos, examinar desempenhos e, afinal, escolher.

Nessa altura do campeonato nada disso acontece. Pelo simples fato de que não há campeonato em curso.

Ainda assim, na preliminar, o governo tem recolhido das pesquisas boas notícias. A oposição, diga-se, tem coletado melhores, pois um dos seus candidatos se mantém firme na dianteira.

Mas, considerando que o governo saiu do zero, a performance nem de longe é desprezível. Ocorre que por enquanto a boa notícia das pesquisas diz ao governo muito mais a respeito dele mesmo do que sobre a candidata propriamente dita. Os 23,5% de hoje ainda não pertencem a Dilma.

São dividendos resultantes do investimento feito pelo presidente Luiz Inácio da Silva numa arquitetura de autor, com o capital de sua popularidade, dos instrumentos de governo e da eficientíssima máquina de propaganda oficial, certamente a mais eficaz já vista na história do Brasil.

Levantamento publicado pela Folha de S. Paulo dá a dimensão: os 499 veículos de comunicação para os quais o governo federal repassava verbas em 2003 hoje são mais de 5 mil entre emissoras, publicações e meios de internet.

Uma ocupação de espaço monumental, alimentada pela hiperatividade da figura presidencial, acrescida, de um ano para cá, da companhia constante de Dilma Rousseff.

Sem subtrair um só dos atributos meritórios da ministra da Casa Civil - até porque ela ainda não teve oportunidade de exibir sua expertise político-eleitoral -, não se pode dizer se ela é melhor, pior ou igual a quaisquer dos outros integrantes do plantel de pretendentes: José Serra, Aécio Neves, Ciro Gomes, Heloísa Helena.

No momento, há um grande comercial em exibição. Não se tem ainda uma campanha eleitoral no molde clássico, com todos os candidatos em atuação compartilhando o noticiário, debatendo suas ideias, recebendo críticas, submetendo-se à avaliação do eleitorado.

Isso vale para Dilma, mas vale também para seus adversários presumidos. Com uma vantagem para ela. Ninguém fala mal da ministra - algo natural em ambiente de campanha -, mas o presidente Lula, quando pode, fala mal dos oponentes.

De Dilma Rousseff só se ressaltam as qualidades enquanto ela nada diz de polêmico ou que suscite controvérsia. Transita no seguro terreno do lugar comum, sorri e suaviza as maneiras.

Conta em seu favor a falta de interesse dos outros candidatos de entrar na briga agora. Há o impedimento da legislação eleitoral e a prudência estratégica.

Ciro Gomes sabe que quanto mais se mexer menos chance tem se vir a ser candidato. Serra e Aécio são reféns da uma decisão interna do PSDB para a escolha do candidato, mas são prisioneiros do calendário e das obrigações para com os respectivos Estados que governam, os dois maiores colégios eleitorais do País, São Paulo e Minas Gerais.

Além disso, estão na fase da montagem política de bastidor. A hora, para a oposição, é de dirimir conflitos, cooptar aliados e não comprar confusão perdida com presidente em ano final de mandato, popularidade nos píncaros e força política no Congresso em discreto, mas visível, início de dispersão.

Atacar Dilma agora para quê? Sem o contraditório, ela navega sozinha, fica conhecida a ponto de empatar com Serra na pesquisa espontânea, que mede lembrança, não necessariamente preferência.

Mantida a candidatura, definidos os adversários, iniciada a disputa, outras regras valerão. Para todos. Dilma pode vir a se revelar ainda melhor que a encomenda e crescer por si, assim como os tucanos poderão ver minguar o robusto patrimônio de hoje se não exibirem desempenho à altura dos 40% de José Serra nas pesquisas.

Por enquanto, o eleitorado dá sua impressão sobre um jogo parado, com o juiz sozinho em campo e a bola debaixo do braço.

Lula faz a diferença Merval Pereira


 O GLOBO

As pesquisas de opinião divulgadas nos últimos dias, da CNT/Sensus e do Datafolha, têm boas notícias para todos, dependendo da leitura que se faça. O crescimento da candidatura da ministra Dilma Rousseff a coloca como uma candidata consolidada, não fossem os problemas de saúde, que continuam sendo uma barreira para que o PT e os partidos aliados do governo fechem acordos definitivos.

Mas o fato de a candidata de Lula ainda estar abaixo do nível que se convencionou ser o patamar básico do petismo, de cerca de 30% do eleitorado, indica que ela é uma candidata difícil de carregar. A ministra Dilma, apesar de toda a exposição dos últimos dois anos, reforçada pelo clima de consternação popular em torno de sua doença, está em uma faixa entre 16% e 23%, dependendo do instituto e de sua metodologia.

Os analistas da oposição não duvidam que ela chegue, porém, ao patamar de 30% até o fim do ano, começando a campanha eleitoral formal em 2010 em boa posição, a não ser que a doença a impeça de se empenhar numa campanha presidencial tão desgastante.

Na verdade, a dianteira do governador de São Paulo, José Serra, se mantém mais ou menos inalterada, e ele ainda tem margem de manobra à frente, pois, segundo a pesquisa Sensus, ele é conhecido por 52% dos entrevistados, tendo ainda campo para crescer durante a campanha.

Ciro Gomes e Dilma Rousseff são conhecidos por 36,1% e 32,8% respectivamente, o que demonstra primeiro que ambos têm chance de ampliar seu nível de conhecimento, e que a ministra Dilma, embora nunca tenha sido candidata a nada, está mais popular que Ciro e que o governador de Minas, Aécio Neves, que tem o menor nível de conhecimento de todos, 26,1%.

Dilma está com 16% na pesquisa Datafolha. Cresceu cinco pontos de março para cá. A diferença entre ela e José Serra (PSDB) diminuiu de 30 para 22 pontos. Serra ficou com os mesmos 38% que tinha em março de 2008, e Dilma não passava de 3%. No Sensus, Serra tem 40,4% das intenções de voto, contra 23,5% de Dilma.

A oposição espera que as viagens de seus dois presidenciáveis, os governadores de José Serra e Aécio Neves, possam neutralizar a exposição da ministra Dilma Rousseff.

Na sexta-feira, eles vão juntos a Foz do Iguaçu para uma reunião sobre agricultura. Serra vai a Belo Horizonte para conversar antes com o governador Aécio. Mais adiante, os dois vão a Fortaleza, e a Belém do Pará, em novos encontros regionais.

É majoritária a opinião no PSDB de que o partido tem que usar essas movimentações para marcar presença, mas o governador Serra continua achando que não tem que fazer nada, e reafirma a estratégia de se dedicar ao governo de São Paulo para só pensar no assunto no próximo ano.

Ao mesmo tempo em que aparece à frente nas pesquisas para a Presidência, Serra também melhora sua avaliação junto ao seu eleitorado primário, o de São Paulo, onde as pesquisas mostram uma aprovação ascendente.

A oposição admite que sua margem de ação, de exposição, é mais restrita que a do governo. Assim como os partidos aliados do governo, também a oposição acompanha o processo de tratamento de Dilma, aguardando sinais sobre sua real capacidade de recuperação para uma campanha política acirrada a que não está acostumada.

O fato é que a doença no mínimo atrasou o processo, na direção contrária do que Lula queria, que era chegar agora ao meio do ano com a candidatura dela consolidada, sem contestação no PT e entre os aliados, já montando chapas regionais.

Agora, está todo mundo com pé atrás. O processo ficou congelado, e os aliados estão em estado de alerta, enviando sinais para todos os lados.

O presidente Lula tem dito que só se preocupa com a união efetiva de Serra com Aécio, mas, até o momento, não há sinais de que haja mudança na disposição do governador de Minas de fazer parte da chapa dos tucanos como candidato a vice-presidente. Mas essa hipótese já foi mais inviável do que é hoje.

O PMDB tem enviado sinais para a oposição, e há três situações regionais que, bem resolvidas, podem jogar o partido na oposição.

Na Bahia, o ministro Geddel Vieira Lima precisa do apoio do PSDB contra o governador petista Jaques Wagner. O problema que existe lá é Paulo Souto, que é o único democrata que tem chances de se eleger governador.

No Paraná, o atual governador, Roberto Requião, pode compor uma chapa para o Senado com a oposição. Em Minas, há que se resolver a situação do ministro Hélio Costa, que quer disputar o governo do estado, mas se defronta com forças políticas importantes no PT - como o ex-prefeito Fernando Pimentel e o ministro Patrus Ananias -, mas também não tem grandes chances no PSDB, onde o governador Aécio Neves quer fazer seu vice, Antonio Anastasia, seu sucessor.

Esse conjunto de fatores, junto com as pesquisas, vai ser colocado na mesa em setembro, quando o PSDB deve definir seu candidato.

O único dado novo que atrapalha a análise da oposição é a popularidade de Lula se manter em patamar tão elevado durante uma crise tão severa quanto a que o mundo está atravessando.

Na última rodada, divulgada em março, 76,2% dos brasileiros aprovavam o desempenho dele, contra 19,9% que desaprovavam. Agora, a aprovação subiu para 81,5% contra 15,7%. O recorde de aprovação de Lula foi em janeiro deste ano, quando alcançou 84%.

O fato de Lula continuar tendo uma popularidade em torno de 80%, e ser o nome preferido quando colocado em uma lista de candidatos junto com Serra e Dilma, indica sua força eleitoral e coloca uma incógnita para a oposição.

Como atuar em uma campanha para substituir um presidente tão popular e com um governo tão bem avaliado pela grande maioria do eleitorado?

segunda-feira, junho 01, 2009

Clipping de 01/06/2009


Primeira Página
Correio Braziliense
Edição 16815 Dinheiro sob o colchão?
O MAPA DA PROSTITUIÇÃO INFANTIL NO DF E ENTORNO
Salário para políticos derrotados
Folha de S. Paulo
Edição 29279 Há excesso de otimismo sobre a crise, diz Arida
Pacientes de gripe suína sobem de 9 para 20 em 4 dias
VANTAGEM DE ALCKMIN AUMENTA EM SÃO PAULO
Jornal de Brasília
Edição 12147 A COPA É DE BRASÍLIA ANÚNCIO DAS SUBSEDES DO MUNDIAL DE 2014 INCLUI A CAPITAL DO PAÍS. BATALHA AGORA É PARA ABRIGAR A PARTIDA INAUGURAL.
Jornal do Brasil

Engenheiro nega erro em represa
Estado luta para adiar lei de cotas
PAÍS ENCARA DESAFIO DE R$ 5,7 BI
O Estado de S. Paulo
Edição 42230 Assembleias Legislativas reivindicam mais poder
Congresso vai discutir legalização dos bingos
Estatais investiram R$ 5,8 bi a mais até abril
GM PEDE CONCORDATA HOJE E SE SUBMETE A CONTROLE ESTATAL
Obama quer interferência leve
O Globo
Edição 27692 Barragem recebia remendos há 1 ano
COPA NO BRASIL VAI MOVIMENTAR R$ 155,7 BI
Greenpeace: governo financia desmatamento
Valor Econômico
Edição 2269 CONSTRUÇÃO CIVIL VIVE FASE DE REDUÇÃO GERAL DE CUSTOS
Recuperação da indústria avança, mas segmentada
Notí­cias do Dia
Artigo
60 anos da Abap (Folha de S. Paulo)
1969 errou (Folha de S. Paulo)
A esquerda e a crise (Folha de S. Paulo)
A família da bolsa (Jornal do Brasil)
A PEC 12/06 institui o calote (Jornal do Brasil)
A Suprema Corte e a saúde dos brasileiros (Correio Braziliense)
Acabou a farsa (Folha de S. Paulo)
As cotas e a lei (Jornal do Brasil)
Autópsia de outro fracasso (O Estado de S. Paulo)
Bons princípios ante um futuro incerto (O Globo)
Bons ventos podem trazer energia (Correio Braziliense)
Dilma vai bem (O Globo)
Eles não falaram (Folha de S. Paulo)
Garantia de direitos e cidadania (Folha de S. Paulo)
Montadora paga um alto preço por erros estratégicos (O Estado de S. Paulo)
O atendimento ao planejamento familiar (O Estado de S. Paulo)
O Bolsa-Mídia (Folha de S. Paulo)
O velho e bom capitalismo (O Estado de S. Paulo)
Omissão (O Globo)
Planalto põe fim aos vazamentos (O Estado de S. Paulo)
Política na Corte (O Globo)
Políticas de desenvolvimento municipal (Valor Econômico)
Retenção de Imposto de Renda na fonte (Jornal do Brasil)
Surpresa agradável (O Globo)
Tiro no pé (O Estado de S. Paulo)
Totalitarismo e intolerância (O Estado de S. Paulo)
Welcome back! Bem-vindos de volta ao Rio (Jornal do Brasil)
Brasil
Embrapa enriquece dieta alimentar dos brasileiros (Jornal de Brasília)
Fundo da Mata Atlântica será lançado hoje no Rio (Jornal de Brasília)
Temporão lança projeto de reestruturação de hospitais federais no Rio (Jornal de Brasília)
UNE faz manifestação no Rio em defesa da Lei de Cotas (Jornal de Brasília)
Cidades
A COPA É DE BRASÍLIA ANÚNCIO DAS SUBSEDES DO MUNDIAL DE 2014 INCLUI A CAPITAL DO PAÍS. BATALHA AGORA É PARA ABRIGAR A PARTIDA INAUGURAL. (Jornal de Brasília)
Acidente entre três carros deixa seis feridos próximo à Papuda (Jornal de Brasília)
Celebração leva 400 mil ao Parque Leão (Correio Braziliense)
Folia do Divino Espírito Santo reune fiéis em Planaltina (Jornal de Brasília)
Colunas
Aposentado quer laptop (Jornal de Brasília - Ponto do Servidor)
Conversa com Patrícia (Correio Braziliense - Brasil S.A)
CPI foi presente da oposição ao PMDB (Jornal do Brasil - Coisas da Política)
De Kim Jong-il à reforma política (Valor Econômico - Política)
De olho nas leis eleitorais (Jornal de Brasília - Do Alto da Torre)
Dólar sem piso dispensa freio no juro (Valor Econômico - Por dentro do mercado)
Encontro de contas (Folha de S. Paulo - Painel)
Esse Congresso parece, mas não é (Jornal do Brasil - Informe JB)
Formação de gestores (Jornal de Brasília - Ponto do Servidor)
Força-tarefa (Folha de S. Paulo - Monica Bérgamo)
Indicativo de greve no GDF (Jornal de Brasília - Ponto do Servidor)
Lula, certeza única (Folha de S. Paulo - Fernando Rodrigues)
Mais uma visita de Palhares, o canalha (Correio Braziliense - Nas Entrelinhas)
Meio ambiente faz assembleia (Jornal de Brasília - Ponto do Servidor)
Negociações até sexta-feira (Jornal de Brasília - Ponto do Servidor)
Omissão na regulamentação (Jornal de Brasília - Ponto do Servidor)
Perdas levam milionários a contratar gestores próprios (Folha de S. Paulo - Mercado Aberto)
Preocupações com a Argentina (Valor Econômico - Brasil)
Previdência (IV): a aposentadoria das mulheres (Valor Econômico)
Proposta da Conab alterada (Jornal de Brasília - Ponto do Servidor)
Servidor do DF consegue benefício (Jornal de Brasília - Ponto do Servidor)
Será que eles sabem o que estão fazendo? (Valor Econômico - De Olho na Bolsa)
União "desvia" verbas da Educação (Jornal de Brasília - Cláudio Humberto)
Vida dura (O Globo - Ancelmo Gois)
Economia
''Argentina lidera ranking de países candidatos à falência'' (O Estado de S. Paulo)
''Real forte permite queda de juros'' (O Estado de S. Paulo)
Al Koch assume reestruturação (O Estado de S. Paulo)
AutoFest fomenta venda de zero km (Correio Braziliense)
Banco corta taxa e acirra disputa no Tesouro Direto (Folha de S. Paulo)
Banco do Brasil cria carteiras de DPGE (Valor Econômico)
Bancos médios estendem prazos (Valor Econômico)
Calotes nas exportações preocupam setor no Brasil (Jornal do Brasil)
Cautela com eleições no Brasil pode conter valorização do real (Valor Econômico)
Chrysler pode sair da concordata nesta semana (O Estado de S. Paulo)
Com impulso de emergentes, consumo global de leite cresce (Valor Econômico)
CONSTRUÇÃO CIVIL VIVE FASE DE REDUÇÃO GERAL DE CUSTOS (Valor Econômico)
Contra a corrente, BNDES vê investimento de 19% do PIB (Valor Econômico)
CPI, eleição e medidas provisórias atrapalham (O Globo)
Criação de plano de carreira (O Dia)
Crise adia meta de investimentos em 2 anos (Folha de S. Paulo)
Crise atrasa desembolsos da iniciativa privada (O Estado de S. Paulo)
Crise expõe fim de uma era nos EUA (Folha de S. Paulo)
Curtas - Frango para a China (Valor Econômico)
CVM discute novas regras para a adoção de ''poison pills'' nas empresas (O Estado de S. Paulo)
Defesa eleva pedidos de compensação em licitações (Valor Econômico)
Depois da recessão, PIB reage no 2º tri (Valor Econômico)
Disputa acirrada no HRSM (Correio Braziliense)
Emprego nos EUA e dados da indústria são destaques (Folha de S. Paulo)
Estatais investiram R$ 5,8 bi a mais até abril (O Estado de S. Paulo)
Estrangeiro na Bovespa é a grande incógnita de junho (Valor Econômico)
Executivo brasileiro assume comando da Helibrás (Valor Econômico)
Expansão e alongamento preocupam a Fitch (Valor Econômico)
GM deve pedir concordata (Correio Braziliense)
GM espera concordata rápida nos EUA (Folha de S. Paulo)
GM PEDE CONCORDATA HOJE E SE SUBMETE A CONTROLE ESTATAL (O Estado de S. Paulo)
Governo Obama avança no controle de empresa nos EUA (Folha de S. Paulo)
Granol vence 1º leilão após 'reforço' dado ao biodiesel (Valor Econômico)
Há excesso de otimismo sobre a crise, diz Arida (Folha de S. Paulo)
Indústria deve puxar alta do PIB no 2º trimestre, projetam analistas (O Estado de S. Paulo)
Karsten corta custos para compensar a perda cambial (Valor Econômico)
Marfrig obtém crédito para exportações (Valor Econômico)
Para Chrysler, parte difícil virá após concordata (Folha de S. Paulo)
Para governo, desempenho de empresas ainda é fraco (O Estado de S. Paulo)
Pior já passou, mas crise vai até 2011, diz Embraer (Valor Econômico)
Produção de linha branca volta ao nível pré-crise (O Estado de S. Paulo)
Projetos confirmados chegam a R$ 650 bilhões até 2012 (Folha de S. Paulo)
Queda do dólar faz turista reavaliar férias (Folha de S. Paulo)
Receita aperta cerco a PIS e Cofins dos bancos (Jornal do Brasil)
Recuperação da indústria avança, mas segmentada (Valor Econômico)
Recuperação nos EUA deve ter impacto na GM Brasil (Folha de S. Paulo)
Rota do almoço barato (Correio Braziliense)
Setor de intermediários ainda faz ajustes (Valor Econômico)
Setor eletroeletrônico quer trocar conteúdo local por benefício fiscal (Valor Econômico)
Soja lidera altas na BM&FBovespa (Valor Econômico)
Taxa depende do cronograma da Petrobras (Folha de S. Paulo)
Um passo em direção à nova relação (Jornal do Brasil)
Uma fila que começa a andar (O Globo)
Órfãos do Tesouro (Valor Econômico)
Editorial
A vez dos profissionais (Folha de S. Paulo)
Cobertor curto (Correio Braziliense)
Defesa comercial (Folha de S. Paulo)
Exportadores necessitam mais que um Eximbank (Valor Econômico)
O cadastro de jovens infratores (O Estado de S. Paulo)
O guardião (O Globo)
Os ciclos econômicos mais bem avaliados (O Estado de S. Paulo)
Previsões para o trânsito (O Estado de S. Paulo)
Especial
Transferência de tecnologia deve definir seleção de novo caça (Valor Econômico)
Geral
Anúncio das cidades da Copa abre corrida por investidores privados (Valor Econômico)
Barragem recebia remendos há 1 ano (O Globo)
Bônus de emergentes sinalizam maior alta em sete anos (Valor Econômico)
Comitê vai cobrar rigor nos prazos, diz Langoni (Valor Econômico)
COPA NO BRASIL VAI MOVIMENTAR R$ 155,7 BI (O Globo)
Curta - Exército no Piauí (Valor Econômico)
Engenheiro nega erro em represa (Jornal do Brasil)
Estado luta para adiar lei de cotas (Jornal do Brasil)
Governo "infla" novo plano de safra em R$ 12 bilhões (Valor Econômico)
Greenpeace: governo financia desmatamento (O Globo)
Hospitais ajudarão na gestão de rede pública (Valor Econômico)
O MAPA DA PROSTITUIÇÃO INFANTIL NO DF E ENTORNO (Correio Braziliense)
Pacientes de gripe suína sobem de 9 para 20 em 4 dias (Folha de S. Paulo)
PAÍS ENCARA DESAFIO DE R$ 5,7 BI (Jornal do Brasil)
Internacional
Amorim defende "enterro burocrático" do caso Cuba (Folha de S. Paulo)
Argentina já registra 115 casos de gripe (Jornal de Brasília)
Brasil já investiu R$ 577 mi em cinco anos de missão no Haiti (Folha de S. Paulo)
Casa Branca confirma que GM se declarará amanhã em quebra (Jornal de Brasília)
Com teto e verba, eles ainda reclamam (O Globo)
Haitiano faz uso de know-how brasileiro para reflorestar país (Folha de S. Paulo)
Hillary chega a El Salvador em visita estratégica (O Globo)
Maratona de Chávez sai do ar antes do tempo (O Globo)
Obama quer interferência leve (O Estado de S. Paulo)
"Guarda-chuva nuclear" a Seul (Correio Braziliense)
Política
"TV pública é contraponto à caloria vazia da TV comercial" (Folha de S. Paulo)
''Deputados jamais aprovarão reforma política'' (O Estado de S. Paulo)
''É um momento histórico'', diz analista inglesa (O Estado de S. Paulo)
154 são libertados em carvoaria de Minas (O Estado de S. Paulo)
Alencar volta dos EUA e assume Presidência (O Estado de S. Paulo)
Aprovação dos paulistas a Serra atinge 56% (Folha de S. Paulo)
Assembleias Legislativas reivindicam mais poder (O Estado de S. Paulo)
Brasil não registra candidatura à Unesco (O Estado de S. Paulo)
Cabral luta para ser candidato único de partidos que apoiam o governo federal (Valor Econômico)
Congresso vai discutir legalização dos bingos (O Estado de S. Paulo)
Critérios para investimento vão mudar, diz Minc (O Globo)
Câmara quer explicação de Minc para multa (O Estado de S. Paulo)
Deputado brasileiro tem mais benefícios (O Estado de S. Paulo)
Deputados reivindicam procuradoria exclusiva (O Estado de S. Paulo)
Dilma cresce no retrovisor de Serra (Jornal do Brasil)
Dilma mantém agenda lotada e acelerada (Correio Braziliense)
Dilma: 'Se falar muito, me comovo' (O Globo)
Dinheiro prometido para recuperação não chega (Jornal do Brasil)
Dinheiro sob o colchão? (Correio Braziliense)
Fundo de pensão opõe PMDB do Rio a TCE (Valor Econômico)
Governo usa nova reserva de gás contra CPI (Folha de S. Paulo)
Líderes governistas desafinados (Correio Braziliense)
Ministra reduz diferença em relação a Serra (O Globo)
Na hora de ''bater o ponto'', São Paulo segue na era do papel (O Estado de S. Paulo)
Operação Navalha está na origem da tensão com o STF (Valor Econômico)
Oposição mira Petrobrás na CPI das ONGs (O Estado de S. Paulo)
PEC do divórcio e CPI na pauta do Congresso (Jornal do Brasil)
Piauí apresenta fatura dos prejuízos (Jornal do Brasil)
Pioneira no sistema de cotas preenche só 28% das vagas (O Estado de S. Paulo)
Plataforma de candidatos preserva atribuições (Valor Econômico)
Pré-candidatura de Tarso recebe apoio (O Estado de S. Paulo)
Ritmo de trabalho interno de Dilma é reduzido (Folha de S. Paulo)
Rivais enfrentam situações opostas em seus partidos (Folha de S. Paulo)
Salário para políticos derrotados (Correio Braziliense)
Segurança pública tem a pior avaliação (Folha de S. Paulo)
Sucessão coloca em xeque poder investigatório do MP (Valor Econômico)
Tapetão julga vestibular estadual (Jornal do Brasil)
Um mês e meio após assumir o MA, Roseana encara sua 21ª cirurgia (Valor Econômico)
VANTAGEM DE ALCKMIN AUMENTA EM SÃO PAULO (Folha de S. Paulo)
Verba oficial para todos os elos da cadeia (O Globo)

O velho e bom capitalismo Carlos Alberto Sardenberg



O Estado de S. Paulo - 01/06/2009
 
Pode ser que a crise não tenha sido superada, mas é preciso admitir que muitas coisas importantes estão encaminhadas - e bem encaminhadas.

Os maiores bancos americanos, não por acaso os que se encontravam em maiores dificuldades, estão conseguindo levantar capital novo com a venda de ações e bônus e com a transformação de dívida em ações.

E todo mundo dizia que era crucial a recapitalização dessas instituições, para que pudessem voltar a emprestar a empresas e a pessoas.

Outra encrenca grande, formada por General Motors (GM) e Chrysler, também parece bem administrada. Aqui, o caso é mais simbólico, pois o eventual desaparecimento das montadoras não deixaria os Estados Unidos sem automóveis e sem suas fábricas. Mas levaria boa parte de seu orgulho.

Barack Obama representa esse orgulho nacionalista, o que, aliás, como muitos temem, pode levá-lo a atitudes protecionistas. De certo modo, o esforço e a quantidade de dinheiro público colocado na GM já configuram uma política de proteção aos campeões nacionais. Mas, como todos os governos estão fazendo a mesma coisa com "suas" montadoras, ficam elas por elas.

Mesmo que a GM entre em concordata, continua sendo um processo organizado, sob a total e completa direção do governo Obama, como ocorre com a Chrysler.

Nos dois casos - bancos e montadoras - o governo sairá dessa história como grande acionista. No caso da GM, será majoritário.

E é assim que a coisa termina, com o capitalismo liberal americano cedendo lugar ao capitalismo de Estado?

Aí já não é tão simples. Perguntaram ao presidente Obama o que ele pretendia fazer com as companhias de que se tornava o controlador. E ele respondeu: livrar-me delas o mais rápido possível.

Então por que pôs dinheiro público nelas a ponto de se tornar acionista majoritário?

Resposta simples: porque sem isso as companhias quebrariam e desapareceriam. Seria o caminho de mercado. No caso das montadoras, de novo, sem problemas. Outras empresas ou a outra indústria automobilística americana (a sadia: Honda, Toyota e Hyundai, por exemplo, mais as europeias e as chinesas que estão querendo chegar) simplesmente ficariam com as partes boas de GM e Chrysler - e seguiria a vida.

Com os bancos, não. Uma quebradeira no sistema financeiro levaria ao naufrágio pessoas e empresas, comprometendo toda a economia americana e, daí, a mundial.

Assim, na falta de dinheiro privado, se tornou necessário colocar dinheiro do contribuinte para evitar uma catástrofe maior, no caso dos bancos, e para evitar um ferimento maior no coração americano.

Mas a continuidade, nos dois casos, será o governo vender suas ações e deixar que as empresas sigam no mercado privado. Até a próxima quebra, diriam os céticos.

Isso à parte, voltamos ao início: então, terminou a crise?

Depende do que se entende por terminar.

Se por isso se entende a volta ao crescimento espetacular do início deste século, é evidente que não estamos nem perto. Na verdade, uma boa discussão está aqui: quando o mundo conseguirá engrenar um processo de expansão global tão intenso e diversificado quanto na abertura dos anos 2000?

Gente, o produto mundial crescia a 5% ao ano; o comércio total, a 10%! Tão sensacional que muitos acham que passarão muitos anos antes que se repita algo parecido.

É verdade que alguns fatores da base daquela expansão continuam por aí. A Tecnologia da Informação, essa bela combinação de telefones com computadores, ainda tem muito a dar para elevar a produtividade das economias nacionais.

A globalização continua por aí. Embora as medidas protecionistas apareçam um pouco por toda parte, têm sido episódicas e limitadas. Nenhum governo, nenhuma região, nenhum bloco pensou em fechar fronteiras.

Assim, o Brasil, por exemplo, se animou com alguma retomada das exportações e com a perspectiva de abertura de novos mercados, como frangos para a China.

A GM diz que uma das saídas é vender, nos Estados Unidos, carros produzidos por ela mesma, mas... na China.

Falou-se muito na morte do capitalismo, mas, como não apareceu nada para substituí-lo, as soluções seguem por aí. Com mais intervenção do Estado por toda parte. Mas podem anotar: a recuperação só virá de verdade quando o setor privado pegar no embalo.

Mais exatamente, a volta do crescimento virá quando o sistema financeiro, privado, estiver de novo em condições plenas de distribuir capital barato pelo mundo afora.

Assim, pode-se dizer que o mundo escapou da crise neste sentido: o pior já passou, a catástrofe não se deu e há sinais de recuperação por toda a parte. Mas é claro que não se sai de uma crise assim, sem cicatrizes.

Haverá mudanças e a mais imediata é a elevação da intervenção do Estado, tanto direta, no controle de empresas e de setores, quanto indireta, na forma das regulações e dos controles.

A intervenção direta será a primeira a ser abandonada, a começar por Obama. Quanto à segunda, vai depender da escolha entre uma economia mais regulada, com menos risco, mas também com menos crescimento, e uma economia mais aberta, com mais risco e mais capacidade de inovar e se expandir.

Como tem sido ao longo da história do capitalismo.

Totalitarismo e intolerância Carlos Alberto Di Franco



O Estado de S. Paulo - 01/06/2009
 
Dois episódios recentes, em Brasília e em São Paulo, desnudam a visão totalitária e a intolerância ideológica que dominam estratégias de longo alcance na formação das novas gerações.

Comecemos por Brasília. O governo quer que seja incluída nos livros didáticos a temática de famílias compostas por lésbicas, gays, travestis e transexuais. Ainda na área da educação, recomenda cursos de capacitação para evitar a homofobia nas escolas e pesquisas sobre comportamento de professores e alunos em relação ao tema. Essas são algumas das medidas que integram o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT), documento firmado por representantes de 18 Ministérios do governo Lula.

O texto traz 50 propostas que deverão transformar-se em política de governo até 2011. São medidas em diversas áreas. Na saúde, o grupo prevê acesso universal a técnicas de reprodução assistida a LGBT em idade fértil e recomenda o fim da restrição imposta a essa população para doação de sangue.

"É um marco na busca da garantia dos direitos e cidadania", afirmou o secretário de Direitos Humanos, Paulo Vanucchi, durante o lançamento do plano. Das propostas apresentadas, algumas estão em andamento. É o caso do reconhecimento da união civil de pessoas do mesmo sexo e da criminalização da homofobia. Projetos com essas propostas tramitam no Congresso. "Se elas não forem aprovadas neste governo, serão no futuro. É só questão de tempo", avaliou Vanucchi.

Vamos, caro leitor, a São Paulo. A Secretaria Estadual da Educação distribuiu a escolas um livro com conteúdo sexual e palavrões, para ser usado como material de apoio por alunos da terceira série do ensino fundamental (faixa etária de 9 anos).

O livro (Dez na Área, um na Banheira e Ninguém no Gol) é recheado com expressões chulas, de baixo calão. São 11 histórias em quadrinhos, feitas por diferentes artistas, que abordam temas relacionados a futebol - algumas usam também a conotação sexual. Uma das histórias faz uma caricatura de um programa de mesa-redonda de futebol na TV. Enquanto o comentarista faz perguntas sobre sexo, jogadores e treinadores respondem com clichês de programas esportivos, como o "atleta tem de se adaptar a qualquer posição".

O governo de São Paulo afirmou que houve "falha" na escolha, pois o material é "inadequado para alunos dessa idade". Ótimo. Reconhecer o erro é importante. Mas, aparentemente, o governo entende que o conteúdo seria adequado para alunos de outra faixa etária. Lamentável! É assim que se pretende melhorar a qualidade de ensino? São Paulo, que foi capaz de produzir uma USP, assiste hoje à demissão do dever de educar. A pedagogia do palavrão e a metodologia da obscenidade estão ocupando o lugar da educação de qualidade. Espero, sinceramente, que o episódio seja pontual e que o governador José Serra, homem de sólida formação acadêmica, e seu secretário de Educação, o ex-ministro Paulo Renato, tomem providências definitivas.

Na verdade, amigo leitor, uma onda de intolerância avança sobre a sociedade. Discriminados assumem a bandeira da discriminação. O tema da sexualidade passou a gerar novos dogmas e novos tabus. E os governos, num espasmo de totalitarismo, querem impor à sociedade um modo único de pensar, de ver e de sentir.

Uma coisa é o combate à discriminação, urgente e necessário. Outra, totalmente diferente, é o proselitismo de uma opção de vida. Não cabe ao governo, com manuais, cartilhas e material didático, formatar a cabeça dos brasileiros. Tal estratégia, claramente delineada no discurso do secretário Paulo Vanucchi, tem nome: totalitarismo. O governo deve impedir os abusos da homofobia, mas não pode impor um modelo de família que não bate com as raízes culturais do Brasil e nem sequer está em sintonia com o sentir da imensa maioria da população.

Se tivessem aprovado o Conselho Federal de Jornalismo, uma frustrada tentativa de garrotear a liberdade de imprensa e de expressão, eu certamente não publicaria este artigo. Não conseguiram. Felizmente. Escrevo com absoluta liberdade. E outros que de mim discordem podem defender seus pontos de vista com a mesma liberdade.

A intolerância atual é uma nova "ideologia", ou seja, uma cosmovisão - um conjunto global de ideias fechado em si mesmo -, que pretende ser a "única verdade", racional, a única digna de ser levada em consideração na cultura, na política, na legislação, na educação, etc. Tal como as políticas nascidas das ideologias totalitárias, a atual intolerância execra - sem dar audiência ao adversário nem manter respeito por ele - os pensamentos que divergem dos seus "dogmas" e não hesita em mobilizar a "inquisição" de certos setores para achincalhar - sem o menor respeito pelo diálogo - as ideias ou posições que se opõem ao seu dogmatismo. Alegará que são interferências do pensamento conservador e liberal, quando um verdadeiro democrata deveria pensar apenas que são outros modos de pensar de outros cidadãos, que têm tantos direitos como eles.

Aborrece-me a intolerância dos "tolerantes". Incomoda-me o dogmatismo das falanges autoritárias. Respeito a divergência e convivo com o contraditório. Sem problema. Mas não duvido que é na família, na família tradicional, mais do que em qualquer outro quadro de convivência, o "lugar" onde podem ser cultivados os valores, as virtudes e as competências que constituem o melhor fundamento da educação para a cidadania.

Editoriais

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RUY CASTRO 1969 errou

da Folha de S Paulo
RIO DE JANEIRO - Era 1968, 69, por aí. Ia nascer uma nova consciência, uma nova cultura, uma nova era, diziam. Todos teriam o direito de ficar na sua, chamar uns aos outros de bicho e nunca mais tomar banho. Uma geração que até bem pouco se deliciava com Ovomaltine e Grapette estava agora descobrindo a maconha, o ácido, a mescalina, o cogumelo, o ópio e outras substâncias proibidas.
Os novos heróis eram escritores como Carlos Castaneda, Timothy Leary, William Burroughs. Até o venerando Aldous Huxley, morto desde 1963, fora "redescoberto". Em seus livros, eles demonstravam como as drogas abriam as "portas da percepção" e revelavam fabulosos mundos interiores, tornando seus usuários pessoas especiais, talvez até superiores.
A certeza de que as drogas seriam privilégio de uma plêiade adulta e responsável fez com que muitos pregassem sua liberação, mesmo que pessoalmente não se interessassem por nada mais radical do que fumar cachimbo ou mascar chicletes. Mas, para a imaginação liberal daquele tempo, era irresistível o argumento de que ninguém, muito menos o Estado, poderia proibir o cidadão de dispor de seu corpo e de "expandir sua mente".
Bem, isso foi há 40 anos. Por mais mentes "expandidas", ninguém então imaginou as cenas que vemos hoje pelo Brasil: gerações convertendo-se ao tráfico para sustentar sua dependência, crianças de 8 anos fumando crack nas esquinas e morrendo à luz do Sol, e bocas de fumo controladas até por patuscas e insuspeitas mães de família.
Quem poderia prever que aquele sonho mágico se tornaria um negócio de bilhões -o narcotráfico-, responsável pelo esgarçamento do tecido social, a destruição de famílias em massa, a corrupção da polícia, os assassinatos sem conta, a vitória do submundo? Decididamente, 1969 errou longe.

FERNANDO RODRIGUES Lula, certeza única

da Folha de S Paulo
 BRASÍLIA - Quando a popularidade de Lula caiu cinco pontos percentuais, há dois meses, frequentou os céus de Brasília a hipótese do "ponto de inflexão" para o petista. Pela análise propagada, legítima, estaria em curso a inexorável trajetória crepuscular na taxa de aprovação de todo o presidente rumo ao fim do seu mandato.
A julgar pela pesquisa Datafolha publicada ontem, a inflexão, se é que houve, foi só um soluço. Por ora, está abortada. A popularidade de Lula segue como uma das únicas certezas sobre o cenário sucessório de 2010. Há dúvidas sobre quem serão os candidatos do PT e do PSDB e se a tese do terceiro mandato tem ainda alguma chance remota de prosperar. Mas inexistem pontos de interrogação sobre o poder de influência do atual presidente no processo de escolha do próximo ocupante do Planalto.
Certeza em política, manda a prudência, é algo a ser tomado com muito cuidado ou desdém. Um fator extra campo, para emprestar uma metáfora futebolística ao gosto de Lula, poderia muito bem ceifar a popularidade presidencial. Mas é necessário reconhecer que a gordura acumulada pelo petista confere a ele resistência para atravessar um eventual deserto. O momento, como se sabe, era outro, mas não custa recordar que nesta mesma época, em 2001, Fernando Henrique Cardoso tinha 19% de "ótimo" e "bom" no Datafolha. Lula está com 69%.
A resiliência inaudita do petista não surge por geração espontânea. Tampouco é fruto apenas da capacidade de comunicação do ex-sindicalista. Tudo é resultado de uma complexa estratégia de marketing. O governo brasileiro pré-PT sempre foi o maior anunciante do país. Agora, sob Lula, elevou essa condição ao paroxismo. Chega sozinho a 5.297 veículos de mídia impressa e eletrônica. O sabão em pó Omo ou políticos de oposição, por enquanto, não são páreo para Lula.

ENTREVISTA da Folha:PERSIO ARIDA



Regulação mais rígida não evitaria crise, afirma economista

Articulador do Plano Real, Persio Arida diz que estabilidade artificial do pré-crise alimentou riscos e que as altas da Bolsa não significam que crise acabará em breve

"A CRISE não desaparecerá em breve; talvez, estejamos começando a ter excessivo otimismo quanto à solução." A opinião, expressa a uma plateia de psicanalistas, é de Persio Arida, articulador do Plano Real. Arida participou, há cerca de 20 dias, de um seminário sobre o colapso nos mercados na SBP (Sociedade Brasileira de Psicanálise) de São Paulo.
Indagado pela plateia, Arida disse que não vê uma dimensão ética do capitalismo. "Vejo Estados mais ou menos assistencialistas, ou que incentivam a livre iniciativa, mas são opções de políticas públicas, não de Estados malévolos ou benévolos." Por fim, não espera que a crise prenuncie uma nova ordem capitalista.

Carol Carquejeiro/"Valor"



MARIA CRISTINA FRIAS
DA REPORTAGEM LOCAL

O economista Persio Arida conversou com a Folha, por e-mail e por telefone, de Londres, onde vive e é responsável pelas operações da companhia de investimentos BTG, da qual é sócio-fundador. Leia a seguir trechos da entrevista.

 

FOLHA - Se a ajuda dos governos a bancos e empresas reforça o comportamento de risco, à medida que se tem a percepção de que o Estado sempre salva quem foi incompetente ou irresponsável, qual é a saída?
PERSIO ARIDA
- Não há saída fácil. A pressão política para socorrer os sobre-endividados é da dinâmica da sociedade. E é ingênuo achar que se pode brecar o sobre-endividamento via regulação porque os agentes são mais competentes, são mais hábeis, são melhor remunerados.
Regular os riscos que o setor privado incorre funciona a curto prazo, mas ao longo do tempo os agentes conseguem driblar os reguladores se houver incentivos para correr risco. Todo período longo de estabilidade leva ao excesso de endividamento e a bolhas especulativas. A estabilidade prolongada termina em instabilidade.
E uma vez explicitado o problema do excesso de endividamento, a dinâmica política das sociedades faz com que o governo seja forçado a entrar para minimizar suas consequências, socorrendo depositantes de bancos, companhias que empregam muitas pessoas, agricultores ou consumidores endividados nas hipotecas residenciais. O caminho mais fácil é aumentar a dívida pública e jogar o problema para as futuras gerações. Os que ainda não nasceram não podem protestar.

FOLHA - Toda crise de endividamento privado leva a um aumento na dívida pública?
ARIDA
- A resposta é sim, porque é assim que transcorre o jogo da economia política. No momento em que ocorre a ruptura da bolha especulativa, todo o sistema político da sociedade pressiona para que governos socorram os endividados. O lado ruim, além do aumento da dívida pública, é a sensação de que o Estado provê uma rede de proteção e estabilidade. É essa sensação que leva à repetição do mesmo padrão irresponsável que criou o problema do endividamento excessivo.

FOLHA - O sr. comentou como não se percebeu os problemas que estavam surgindo...
ARIDA
- Quando eu estava em Oxford, vi o que aconteceu com alguns professores que não compravam casas financiadas. A casa subia de preço ano após ano. O sujeito se achava um tolo diante de seus colegas que trocaram o aluguel pela amortização da casa própria e ainda por cima tinham um ganho de capital no seu imóvel.
Impossível resistir, mais cedo ou mais tarde quase todos acabaram comprando, e os que se deram pior foram os que compraram por último. O fato é que é impossível saber com certeza se um aumento de preço nos ativos é uma bolha ou não. Há indícios típicos de bolha como o aumento contínuo de preços, graus cada vez maiores de endividamento e volumes crescentes de transação, mas não se pode ter certeza antecipadamente se o aumento de preços dos ativos é uma bolha ou não.
Por isso é tão importante que os Banco Centrais não tentem, nos períodos de alta de preços dos ativos, reduzir a volatilidade da economia e amortecer suas flutuações. Toda vez que a economia americana ameaçava desacelerar, Greenspan [ex-presidente do Fed, o banco central dos EUA] reduzia rapidamente a taxa de juros. Acabou por criar a sensação de que havia uma rede de segurança -podemos correr muito risco porque se algo complicar o Banco Central evitará que a complicação seja muito séria.
O resultado foi induzir os agentes a correrem mais risco, indo de uma bolha especulativa para outra maior ainda.

FOLHA - Houve falha na regulação?
ARIDA
- Houve uma gigantesca falha regulatória. O erro é achar que tudo poderia ser evitado se a regulação tivesse sido melhor. Todos que associam o Estado ao grande pai que nos protege têm a ideia de que a responsabilidade pela débâcle é da falta de normas e regras.
O problema, no entanto, foi além dos reguladores ineptos, estava nas políticas macroeconômicas que buscaram conscientemente suavizar as flutuações do produto e estabilizar artificialmente a economia. O fato é que toda vez que a constelação macroeconômica fica artificialmente estável os agentes passam a incorrer riscos excessivos porque não percebem que a estabilidade é artificial. A conta vem mais cedo ou mais tarde.
Sistemas capitalistas, justamente por sua dinâmica inovadora, tendem a criar ciclos e volatilidade. Qualquer tentativa de aplainar a volatilidade natural das economias capitalistas leva à assunção de riscos excessivos e de mais instabilidade do que precisaria existir.

FOLHA - Como o mundo reagiu à crise?
ARIDA
- Bem, ao evitar o pesadelo da década de 30 -a crise bancária generalizada, sistêmica; ao reduzir rapidamente a taxa de juros e introduzir políticas expansionistas de liquidez. Mal na política fiscal, expandindo os déficits públicos; e na ideia de aumentar a regulamentação estatal.

FOLHA - O sr. acredita que os Estados Unidos possam, depois da crise, mudar muito? Há alguma possibilidade de que o capitalismo saia estruturalmente diferente?
ARIDA
- Não acredito em nenhuma mudança estrutural do capitalismo. Pode ser que venhamos a ter mais protecionismo, o que é ruim, mas dificilmente uma mudança estrutural. O que vai mudar com certeza é o balanço geopolítico. Os países que ficaram muito tempo na festa do sobre-endividamento sairão mais enfraquecidos do que os países que chegaram tarde na festa, como a China, primordialmente, mas Brasil também. Acredito que os países que tiveram graus baixos de sobre-endividamento privado tenderão a ter um papel mais preponderante do que tinham anteriormente, e o Brasil é um deles, apesar dos brasileiros pensarem mal de si mesmos.

FOLHA - Há quem critique no Japão os riscos da ajuda dos governos. Qual é a sua opinião?
ARIDA
- As similaridades da crise atual com a crise japonesa são enormes. O Japão fez inúmeros erros que aprendemos a evitar. Uma das intervenções mais interessantes sobre a crise atual foi feita em abril pelo presidente do BC do Japão no sentido de que devemos evitar criar uma sensação artificial de estabilidade. Quando a estabilidade é artificialmente sustentada, tenha certeza que alguém estará mais cedo ou mais tarde correndo mais risco do que deveria e vai acabar quebrando.

FOLHA - Que lições se pode tirar?
ARIDA
- Como eu acho que essa crise é mais prolongada do que parece, talvez estejamos começando a ter excessivo otimismo quanto à solução mundial. Na experiência japonesa houve muitos falsos começos. A percepção de que a crise será águas passadas em breve é equivocada. Boa parte do problema ainda não foi resolvida e o processo de socialização das perdas, de transferência do excesso de dívida privada para o setor público, ainda está ocorrendo.

FOLHA - O governo brasileiro está agindo bem?
ARIDA
- O Brasil, paradoxalmente, está se saindo relativamente bem na crise. Digo paradoxalmente porque foi justamente nossa história de instabilidades institucionais que fez com que os níveis de endividamente do setor privado ficassem baixos. O Brasil não tem crise em "subprimes" porque não tem "primes"; qualquer agente, bancário ou não bancário, que tivesse tido os graus de endividamento norte-americanos já teria falido há tempos.
No essencial, a resposta do Brasil à crise tem sido muito boa. Mas nossa política fiscal está criando um problema enorme para o futuro, e a taxa de juros certamente poderia ter sido cortada mais radicalmente no momento mais agudo da crise, criando outro patamar de referência.
Mas é fácil falar de fora ou depois que tudo passa. Muito do mérito da boa gestão econômica sequer aparece, está mais nas bobagens que se evita do que no que se consegue fazer.

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