sábado, dezembro 13, 2014

O custo da espera Miriam Leitão

http://m.oglobo.globo.com/economia/miriam/posts/2014/12/13/o-custo-da-espera-556907.asp
O GLOBO
Se a confiança na economia começa pela bolsa de valores, as notícias atuais não são boas. Os investidores são os primeiros a farejar sinais de mudança, mas não é o que indica o Ibovespa, que voltou a 48 mil pontos. Há fatores externos para explicar a queda, como o fortalecimento da moeda americana no mundo e a redução de preço das commodities. Internamente, a nova equipe econômica segue no banco de reservas.
Segundo o economista Álvaro Bandeira, da Órama Corretora, não há nada de novo na economia brasileira, apesar do anúncio de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda. O que se vê é a continuação das políticas implementadas pela dupla Mantega/Augustin. O Tesouro fez nova emissão de títulos para emprestar ao BNDES, no valor de R$ 30 bilhões. Também virou fiador de uma operação envolvendo a Petrobras e a Eletrobras, no valor de R$ 8,5 bi. A dívida de estados e municípios foi recalculada retroativamente, e o superávit primário este ano foi praticamente extinto. Tudo isso vai aumentar a dívida pública.
— Estamos vendo uma enorme gastança do governo neste final de ano. O novo ministro foi anunciado, mas ainda não assumiu. Esse quadro interno intensifica as incertezas, num contexto de aumento da aversão ao risco, que vem de fora — explicou Bandeira.
A ausência de notícias novas na política econômica dá margem a ruídos e boatos. Um exemplo é a ameaça de volta da cobrança da CPMF, que tem afetado as ações dos bancos. A recriação do imposto, se acontecer, vai desestimular operações financeiras. A sangria da Petrobras e seus desdobramentos imprevisíveis complementam o quadro.
De fora, os efeitos vêm do crescimento mais forte dos EUA, que intensifica a valorização do dólar no mundo, e a desaceleração da China, que derruba os preços das commodities. Assim como o Brasil, outros emergentes, como a Rússia e a Austrália, estão vendo suas moedas perderem valor. Os títulos públicos americanos estão tendo forte procura, num sinal de que o fluxo de crédito está se invertendo, deixando mercados arriscados em busca de rentabilidade segura.
A nomeação de Joaquim Levy e seu primeiro pronunciamento deram esperança de que o Brasil começasse a corrigir o rumo. Mas a repetição dos métodos neste fechamento de ano, os temores sobre escolhas de pessoas inadequadas para bancos públicos, e o aprofundamento da crise da Petrobras estão minando a pouca confiança que Levy injetou. Com o ambiente externo adverso, a hora é mais séria do que o governo parece se dar conta.
Balanço atrasado antecipou dívidas
Por divulgar o balanço fora do prazo, a Petrobras foi punida com o vencimento antecipado de R$ 7 bi em dívidas, conta o analista da XP Investimentos Celson Plácido. Esse é o montante que a petroleira pretende captar com a negociação dos recebíveis esta semana. Para ajudar a empresa, o governo fez a Eletrobras reconhecer uma dívida de R$ 2 bi com a petroleira. Da CDE, fundo mantido pelo consumidor de luz, serão transferidos mais R$ 6,5 bi. Para ter o dinheiro agora, a Petrobras vai vender os créditos (garantidos pelo Tesouro) com desconto. Mais dívidas vencerão caso o balanço anual não saia até abril de 2015.
Tecnologia se salva
Na indústria eletroeletrônica, que deve fechar o ano com queda real de 6% nas receitas, o único segmento que cresce é o de telecomunicação, graças às vendas de smartphones e tablets. Humberto Barbato, presidente da Abinee, explica que o baixo crescimento do país tem a ver com a indústria. A atual política industrial, calcada em subsídios, não deu certo. A associação pede mais acordos comerciais para abrir mercados em outros países. 
BOM SINAL. O PIB mensal calculado pelo Itaú Unibanco subiu 0,6% em outubro, indicando um quarto trimestre melhor que o terceiro.
PRESSÃO NO FED. A confiança do consumidor nos EUA chegou ao maior nível dos últimos sete anos, pelo indicador da Universidade de Michigan.

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