O GLOBO
No Peru, na última semana antes das eleições, é proibido divulgar pesquisa. Jornal que fizer isso corre risco de multa alta. Mas as pesquisas continuam sendo feitas por empresas e pelos partidos, e circulam rumores. Os que correram em Lima dão conta de que continua diminuindo a diferença entre os dois candidatos do segundo turno: Alan Garcia e Ollanta Humala. Um jornal publicou uma manchete dizendo que está tudo bem no mercado cambial e na bolsa de valores. Foi entendido como um desmentido dos boatos.
Uma semana depois da eleição na Colômbia, a América Latina passa amanhã por nova eleição presidencial. Este ano tem sido temporada de eleições presidenciais. Ainda existem muitas pela frente, como México, Brasil e Venezuela.
A última pesquisa havia mostrado dez pontos de vantagem de Alan Garcia — um ex-presidente que saiu do governo com fama de ineficiente e sob denúncias de corrupção. No seu último comício, pediu:
— Votem em mim. Eu errei, mas aprendi com os erros e amadureci.
A vantagem vinha caindo nas últimas sondagens. O segundo colocado é o coronel Ollanta Humala, o polêmico protegido do coronel Hugo Chávez. Na semana passada, Chávez foi para a fronteira entre a Bolívia e o Peru e, dirigindo-se ao eleitorado peruano, pediu votos para Humala, avisando que cortará relações com o Peru caso Garcia seja eleito.
Ollanta Humala tem tentado se desvencilhar um pouco dessa imagem de chavista, elogiando o Brasil. Aliás, quanto a isso, os dois candidatos falam a mesma coisa, com ênfase maior de Garcia: querem ter boas relações e acordos comerciais com o "gigante" Brasil. A dúvida é: se por acaso for Ollanta Humala o eleito, que risco existe de a Petrobras — que lá está produzindo petróleo e gás — enfrentar o mesmo problema sofrido na Bolívia?
Humala prometeu baixar o preço da gasolina em 30% e o do gás em 25%. Isso significa que terá que negociar com as empresas produtoras o tal "preço justo". Há outras empresas brasileiras lá; como a Vale, que produz fosfato, e a Votorantim, que produz zinco. Humala tem tentado se mostrar mais moderado que Morales, mas a vantagem dele no primeiro turno foi o suficiente para assustar o empresariado e a classe média peruana e, assim, apagar o passado de Alan Garcia. É curioso ver Garcia no papel de mocinho.
Logo depois do primeiro turno, Garcia subiu mais de 20 pontos nas pesquisas, mas depois foi caindo. O fenômeno que pode ter acontecido é que muita gente que estava fazendo voto útil, ao ver a grande vantagem, decidiu não votar. Por isso, nos últimos dias, ele fez declarações dizendo que não está eleito ainda e precisa do apoio de cada eleitor.
Os caminhos escolhidos pela América Latina estão atraindo a atenção. Recentemente a revista "Economist" publicou uma reportagem de capa sobre a região: "A batalha pela alma da América Latina". Contou que o então presidente Richard Nixon disse para o então jovem Donald Rumsfeld: "A América Latina não importa. As pessoas não dão a mínima para a região." A revista comenta que foi isso mesmo que aconteceu, com a exceção de algumas guerras sangrentas na América Central nos anos 80, mas que, de repente, a região voltou a captar a atenção do mundo. Curioso esse ponto de vista britânico-americano. Só é interessante se eles suspeitam de alguma ameaça.
A região tem sido desconcertante também para outros países. Um embaixador brasileiro, num dos países da área, recebeu um telefonema de fim de semana de um embaixador chinês pedindo uma conversa informal. O embaixador chinês lhe perguntou diretamente: "O que está acontecendo com a América Latina? Não estou entendendo nada." O melhor caminho para não entender coisa alguma é tentar traçar uma explicação única para um mosaico de realidades distintas e nacionalidades específicas. Analisados em pacote, não seremos entendidos mesmo.
Quem ganhar a eleição de amanhã no Peru receberá uma economia em ótimo estado. No primeiro trimestre, ela cresceu 7%. No ano passado, 6,6%. A inflação não ameaça, o câmbio é flutuante e o risco está estável. Mesmo assim, a grande crítica ao presidente que encerra seu mandato, Alejandro Toledo, é não ter conseguido transformar um bom momento de crescimento econômico em melhoria das condições de vida da população.
Pode ser uma disputa mais acirrada do que se esperava na última semana. As autoridades eleitorais prometem informar 60% da apuração às 21h de domingo, mas é bom lembrar que, no primeiro turno, demorou muito a sair o resultado sobre quem iria para a disputa com Humala.
No México, a emoção aumentou nas últimas semanas. O candidato de oposição, de esquerda, Andrés Manuel López Obrador, e o candidato do governo, Felipe Calderón, estão em empate técnico, depois de cair a diferença em favor de Calderón nos últimos dias. López Obrador liderou por mais de ano a corrida presidencial. Depois do debate ao qual não foi, caiu para o segundo lugar. A última pesquisa apontou 36 a 34 a favor de Calderón. O debate da próxima terça-feira, dia 6, será decisivo. Neste, López Obrador vai comparecer. Emoções abertas na América Latina.
Entrevista:O Estado inteligente
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