Entrevista:O Estado inteligente

terça-feira, março 21, 2006

JANIO DE FREITAS Dúvidas recuperadas

FOLHA
 

As interpretações que deram alta significação eleitoral à "recuperação de Lula", a partir de pesquisas do mês passado, estão agora confrontadas com indicações que não se encaixam em suas conclusões.
O destaque no atual Datafolha foi a subida de Geraldo Alckmin, por motivos óbvios, mas o gráfico menos chamativo é o mais relevante para considerações eleitorais. Indica a opinião pesquisada sobre o desempenho de Lula, base de exame da recuperação apontada.
Nos quatro meses, entre 21 de outubro passado e 21 de fevereiro deste ano, o conceito bom/ótimo dado a Lula subiu de 40% para 53% das opiniões recolhidas pelo Datafolha, motivando as interpretações da "recuperação" e uma chuveirada de otimismo no lulismo cabisbaixo.
Do mesmo 21 de fevereiro a 17 deste março passaram-se 24 dias. Nessas três semanas e meia, em contraste com os quatro meses dos índices anteriores, o conceito ótimo/bom dado a Lula caiu daqueles 53% para 44%. Nove pontos que representariam uma queda abrupta em qualquer intervalo de pesquisa, quanto mais em um período exíguo.
Há, nesses índices, uma sugestão eleitoral importante em circunstâncias eleitorais: a opinião aparentemente mais favorável a Lula é inconsistente e errática em pelo menos 20% a 30% do seu total captado no último meio ano. O que representa uma margem de instabilidade excessiva para a candidatura Lula nas suas atuais circunstâncias e, em perspectiva, um indício problemático para a contenção de possíveis subidas de adversário(s) seus.
Não há indicação de causas da gangorra de Lula. Mas se pode notar uma coincidência inconveniente para a limpidez eleitoral. A pesquisa anterior captou a opinião coincidente com o período em que Lula deslanchou sua atividade propagandística pelo país afora, sob o pretexto de "fiscalizar obras" que nem sempre chegavam sequer a ser obras. A pesquisa de agora segue-se a um período de certo recesso na transgressão às leis eleitorais, fosse por maior permanência de Lula em Brasília, fosse pela viagem à Inglaterra para acarinhar sua fatuidade fernandista.
Hoje Lula está partindo para mais uma etapa de propaganda eleitoreira nas costas do governo e do Estado. À falta de coisa melhor do seu governo para promover-se em Salvador, vai "fiscalizar" para a TV e jornais as obras do metrô que pararam há nove meses, até o mês passado, por falta do dinheiro devido pelo governo Lula. Assim é o governo obreiro de Lula, assim parece fazer-se o seu conceito e talvez se faça sua reeleição.

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