Entrevista:O Estado inteligente

segunda-feira, março 20, 2006

EDITORIAL DA FOLHA SEIS MESES PARA ALCKMIN

A pesquisa sobre a intenção de voto para presidente da República divulgada ontem por esta Folha é o flagrante de uma longa disputa em seu momento inaugural. Foi a primeira vez que se mediu o pulso do eleitorado após terem se estabelecido os nomes daqueles que são, por ora, os dois principais postulantes.
O Datafolha foi a campo apenas três dias depois do anúncio de que Geraldo Alckmin será o candidato do PSDB. Apesar do breve lapso de tempo, a notícia repercutiu intensamente nos principais veículos de comunicação e seus efeitos já se fizeram sentir na opinião dos eleitores.
O governador de São Paulo assimilou parte do apoio antes destinado a José Serra e atingiu 23% das intenções de voto para primeiro turno. Na simulação de uma rodada final contra Luiz Inácio Lula da Silva, Alckmin obtém 38%, diminuindo sua desvantagem ante o petista de 18 para 12 pontos percentuais. O tucano iguala, com esses índices, seu melhor resultado anterior, que coincidiu com o auge da crise do "mensalão".
Já a trajetória de recuperação do presidente da República, o Datafolha mostra que foi interrompida. No final de fevereiro, Lula perfizera o caminho de volta ao patamar -acima dos 40% das preferências- que ocupava antes do escândalo de corrupção. Mas as 3.801 entrevistas realizadas na sexta-feira passada indicam que o petista estacou. E houve sensível diminuição da parcela que julga ótimo ou bom o seu desempenho pessoal na Presidência.
Pelos dados de hoje, a disputa se concentra mais em um terço do eleitorado. Essa é a diferença entre os que se recusam a votar em Lula (sua rejeição) e a fatia dos eleitores que, sem ser confrontada com alguma lista de postulantes, afirma preferir o petista (intenção de voto espontânea). Alckmin, que demonstrou capacidade de somar apoios e tem metade da rejeição de Lula, precisa ser bastante convincente perante essa parcela dos eleitores se quiser diminuir o favoritismo do presidente.
A seis meses da eleição, nada garante que esses parâmetros perdurem. As definições sobre o destino do PMDB e sobre que regra de coligações prevalecerá -para citar duas incógnitas próximas da elucidação- têm potencial de alterar perspectivas. Além disso, o estoque de fatos oriundos da crise do ano passado e a possibilidade de irromperem novos escândalos tornam prematuro qualquer exercício de previsão sobre quem ostentará a faixa presidencial em 1º de janeiro de 2007.

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