Entrevista:O Estado inteligente

quinta-feira, março 09, 2006

Editorial da Folha de S Paulo CONFISSÃO DE FRACASSO

"Abrimos a caixa de Pandora, e a questão agora é como sair dessa." A frase acerca da situação no Iraque foi pronunciada por Zalmay Khalilzad, embaixador dos EUA em Bagdá. Nunca uma importante autoridade norte-americana esteve tão perto de admitir que a invasão do Iraque foi um grande erro.
O presidente George W. Bush viu ruir todas as razões que alegou para iniciar uma guerra sem o apoio da ONU. As armas de destruição em massa que serviram de pretexto para a intervenção não existiam; não era real a relação entre o ditador Saddam Hussein e a rede terrorista Al Qaeda. O Iraque "libertado" é que acabou se tornando um grande pólo de atração e campo de treinamento para terroristas internacionais.
Numa segunda fase, verificou-se que a intervenção militar, que deveria levar aos iraquianos paz, democracia e respeito a direitos humanos, vai degenerando num terrível caos, marcado pela violência dos ataques terroristas, em meio a infames imagens da prisão de Abu Ghraib, onde militares dos EUA foram flagrados submetendo detentos a maus-tratos.
Como Khalilzad admitiu, é grande o risco de o país cair numa guerra civil que poderia fazer "o Afeganistão do Taleban parecer brincadeira de criança". Aos atentados veio agora somar-se a violência inter-reliogiosa. As desavenças entre xiitas e sunitas nunca foram tão explícitas. E a demora para formar um governo de união a partir das eleições parlamentares favorece os piores cenários.
A essa altura, qualquer atitude que tomem os EUA no Iraque parece fadada ao fracasso. Se saírem de lá declarando "vitória", estarão lavando as mãos sobre o barril de pólvora que criaram. E a opção por permanecer inocula cada vez mais ódio na sociedade iraquiana.

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