Entrevista:O Estado inteligente

sábado, março 18, 2006

CLÓVIS ROSSI A sublimação

FOLHA DE S PAULO
SÃO PAULO - O caso Palocci vai dar em nada. Não creio que tenha chances de, com essa afirmação, ganhar o Prêmio Nobel de Jornalismo, se houvesse um.
Mas é sempre bom fazê-la, porque o noticiário (e não apenas sobre Palocci) anda produzindo mais calor que luzes (e não muito calor).
Não vai dar em nada porque deixou de ser necessário proteger Palocci em nome da estabilidade da economia. Todos os agentes de mercado -os únicos em condições de criar instabilidades- já perceberam que não há, nem no presidente da República, nem no PT, nem no governo qualquer hipótese, ainda que longínqua, de uma política diferente.
Se Palocci for fuzilado ou demitir-se, a política continuará a mesma, até porque qualquer burocrata devidamente alfabetizado está em condições de tocá-la.
A proteção a Palocci se limita, agora, a evitar que o escândalo cause prejuízos à campanha re-eleitoral de Lula, nada mais. Ninguém, no PT, no governo ou no Planalto, está preocupado com valores republicanos. Estão preocupados apenas com as "boquinhas" de que já desfrutam ou as que ainda querem conquistar nas eleições de outubro.
Rifar o ministro ou preservá-lo é, pois, apenas uma questão de saber qual das duas atitudes produz mais benefício que custo para a candidatura Lula. O resto é bobagem.
Aliás, pensando bem, é bobagem até supor que o caso Palocci possa causar prejuízos à campanha presidencial. O brasileiro, como diria Roberto Jefferson, "sublimou" a questão da corrupção.
Colou a versão de Lula de que o PT fez o que todo mundo "sistematicamente" faz (ou seja, trambique).
Se todo o mundo faz, então o voto é decidido por outros fatores, seja qual for o grau de corrupção que se apure no atual governo (como no anterior, aliás).

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