Entrevista:O Estado inteligente
CELSO MING Trombada à vista
O ESTADO DE S PAULO
É assustadora a velocidade com que vai aumentando o rombo da Previdência Social. Como o salário mínimo deste ano foi reajustado em 16,7% (para R$ 350) e este é também o piso mínimo para o benefício dos aposentados, vai ser quase inevitável que o déficit deste ano atinja os R$ 48,5 bilhões.
Déficit (ou, como o povo prefere dizer, rombo) é a diferença, a menor, entre receitas e despesas. Há quem se revolte quando ouve falar em déficit da Previdência Social, por duas razões.
Primeira, porque na sua criação (anos 40) previa-se que o setor público pagaria ao menos um terço da contribuição e não faria sentido contabilizar como déficit o que fosse obrigação. Segunda, mais de 25% das despesas da Previdência atendem a beneficiários que nunca contribuíram e, assim, deveriam ser considerados gastos com assistência social e não com previdência.
Infelizmente, essas razões não passam de questões de semântica contábil, digamos assim. O fato é que as receitas da Previdência andam de carroça e as despesas, de caminhão. Se nada for feito, a trombada é inevitável. O gráfico desta página mostra como o déficit evolui desde 2001. Medidas em tamanho do PIB, a arrecadação está estacionada em torno dos 5,2% e a despesa, que era de 5,2% em 1998 deverá atingir este ano os 7,9%, conforme projeções do especialista Fábio Giambiagi, economista do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea).
Há três dias, causou espanto a revelação do Banco Central de que apenas a dívida do governo federal em títulos públicos ultrapassou em fevereiro a marca de R$ 1 trilhão. E, no entanto, este não é o mais importante passivo público. Bem maior é o passivo previdenciário, que não figura em contabilidade nenhuma. Se o déficit do Sistema Geral da Previdência previsto para este ano, de R$ 48,5 bilhões, se mantivesse estagnado nesse valor (é claro que vai continuar crescendo), em pouco mais de 20 anos o governo federal terá de arranjar outro R$ 1 trilhão apenas para cobrir essa diferença.
As contas da Previdência são um desafio à matemática; não fecham nunca. Começa pelo fato de que a maioria dos segurados da Previdência passa cerca de 30 anos de sua vida profissional contribuindo com uma fração do salário previdenciário futuro para passar depois outros 30 anos (como aposentado) ganhando salário previdenciário integral. E tem mais: a economia informal impede o crescimento das receitas; o emprego em empresas, com carteira assinada e tudo, é um animal em extinção, o que reduz a contribuição do empregador; e o aposentado está vivendo cada vez mais, o que significa que as aposentadorias têm de ser pagas por mais tempo.
A questão previdenciária é mais grave do que a própria dívida pública mobiliária, que já é considerada um dos maiores problemas da economia brasileira, porque paralisa tudo.
Enfim, a encrenca da Previdência é o principal problema fiscal do Brasil. E não consola em nada a afirmação tantas vezes repetida de que todos os grandes países do mundo enfrentam a mesma situação.
Isto posto, fazer o quê? Não há solução indolor. O ex-ministro José Cechin insiste em que é preciso desvincular os reajustes do INSS do reajuste do salário mínimo: o aposentado teria direito só ao reajuste de acordo com a inflação. O especialista em Contas Públicas Raul Velloso sugere que se separe lé de cré: o que for aposentadoria segue com os direitos de lei; o que for assistência social ficará com o que sobrar das receitas orçamentárias. O professor Fábio Giambiagi entende que não haverá solução enquanto a idade mínima para aposentadoria não subir para 65 anos. Outras sugestões combinam as opções anteriores.
Em toda rota de colisão há um tempo máximo em que ainda se pode evitar o desastre. Se o próximo governo não encaminhar uma solução, poderá ser tarde demais. ?
Arquivo do blog
-
▼
2006
(6085)
-
▼
março
(569)
- Dá Lulla
- A saída única do beco VILLAS BÔAS CORRÊA
- A ordem saiu do Planalto
- O CORDEL DO MINISTRO
- CLÓVIS ROSSI De vis, boçais e cínicos
- ELIANE CANTANHÊDE Revolução
- NELSON MOTTA '"Dancin" Days'
- LUÍS NASSIF A qualidade total e a política econômica
- A economia sem Palocci LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS
- JANIO DE FREITAS O salto
- CELSO MING
- È arrivato il baritono?
- Iniqüidade penal
- Uma conta de chegar
- DORA KRAMER Oposição fecha cerco ao PT
- Só queria a Presidência, mas já gosta da idéia de ...
- "FHC acha que pode dar jeito no Brasil; eu tenho c...
- Odisséia no espaço João Mellão Neto
- Comentário da cientista política Lucia Hippolito n...
- Corrupção estatal
- Luiz Garcia Um buquê e tanto
- MERVAL PEREIRA Trapalhadas tucanas
- MIRIAM LEITÃO BC ajuda Lula
- AUGUSTO NUNES Toga vira escudo de amigo suspeito
- CORA RONAI Um país em queda livre
- CARLOS ALBERTO SARDENBERG Não mudará, já mudou
- Lucia Hippolito na CBN:CPI valeu
- CELSO MING Fazenda e Banco Central
- DORA KRAMER Garotinho, um vice em gestação
- MERVAL PEREIRA Técnico x político
- MIRIAM LEITÃO No hay futuro
- CLÓVIS ROSSI Além de pirata, com vírus
- ELIANE CANTANHÊDE Cobertor curto e imagem puída
- SERGIO COSTA Nos olhos dos outros
- DEMÉTRIO MAGNOLI Uma nação de corruptos?
- LUÍS NASSIF Bastos e a CPI do Fim do Mundo
- ‘O MENSALÃO FOI UMA REALIDADE’
- O mantra de Mantega
- Dada a partida
- Boa surpresa
- Lucia Hippolito na CBN:CPI valeu
- Lulinha está lá, sim
- IMPORTANTE !!!
- Lucia Hippolito na CBN:Lula fica só
- MIRIAM LEITÃO O dia seguinte
- MERVAL PEREIRA Crise potencial
- A MISSÃO DE MANTEGA
- CLÓVIS ROSSI Ópera-bufa na republiqueta
- FERNANDO RODRIGUES A história oficial
- PLÍNIO FRAGA A esperteza embute a mentira
- JANIO DE FREITAS Algumas sobras
- LUÍS NASSIF A economia sem Palocci
- De Antonio a Guido PAULO RABELLO DE CASTRO
- Truculência e desrespeito às leis
- DORA KRAMER Muito riso e pouco siso
- Usurpação entre Poderes
- Desafio para o novo ministro
- Uma crise de governo
- Celso Ming - O rei solitário
- A Posse de Mantega - Clima bom, hein?
- IMPEACHMENT DE LULA JÁ!
- Pergunta que não quer calar
- A queda de Palocci
- PALOCCI SAI, A CRISE FICA EDITORIAL DA FOLHA
- PROTESTOS NA FRANÇA EDITORIAL DA FOLHA
- CLÓVIS ROSSI A nudez de Lula
- ELIANE CANTANHÊDE Fim de festa
- SERGIO COSTA Do circo ao cerco social
- É uma vergonha! BORIS CASOY
- Temor de crime de Estado motivou queda
- JANIO DE FREITAS No país indignado
- LUÍS NASSIFLUÍS NASSIF Um mestre do mimetismo
- AUGUSTO NUNES Lula tem culpa nesse cartório
- Febeapá rural:: Xico Graziano
- Desafio a Lula
- Apurar toda a verdade
- Míriam Leitão - Nova direção
- Merval Pereira - O aparelhamento
- Luiz Garcia - Fator Joaquim Levy
- Dora Kramer - Caso de Polícia
- Celso Ming - Tampão ou não tampão
- Fernando Henrique Cardoso: "Não vamos repetir os e...
- Lucia Hippolito na CBN:O fim do popstar
- Tão podre, tão cedo
- Reforma da gestão
- Serra: sair ou sair
- O que quer a esquerda
- Da dança ao lixão
- FHC diz que violação de conta o deixou 'perplexo'
- FH se diz cansado do governo Lula
- Pesquisas, marketing e jornalismo
- Já não podemos dizer nada! Sandra Cavalcanti
- Lucia Hippolito :Para coração forte
- Mastigar cana e assoviar CELSO MING
- À merda qualquer escrúpulo
- Vale a pena ler de novo
- Robert Samuelson Não precisamos de trabalhador con...
- Mailson da Nóbrega A ignorância de Stédile
- João Ubaldo Ribeiro Tem governo aí, não?
- daniel piza
- Gaudêncio Torquato A Novíssima República dos coronéis
- Paulo Renato Souza Governo ditatorial
- DORA KRAMER Segurança e democracia
- EDITORIAL DA FOLHA EFEITOS DA VERTICALIZAÇÃO
- CLÓVIS ROSSI Quando calar é pecado
- ELIANE CANTANHÊDE Além de tudo, burrice
- SERGIO COSTA Dança sem par
- JANIO DE FREITAS Estado de calamidade
- FERREIRA GULLAR Último ato
- República de “pelegos” FRANCISCO C. WEFFORT
- EDITORIAL DE O GLOBO Tradição negativa
- MIRIAM LEITÃO Entre riscos
- MERVAL PEREIRA O arco da oposição
- AUGUSTO NUNES Lula comanda o ataque ao caseiro
- Fronteiras com a República de Saló Fernando Gabeira
- Na casa de Francenildo
- A dançarina entende de impunidade
- veja Entrevista: Bob Iger
- Roberto Pompeu de Toledo O futuro – uma visão virt...
- MILLÔR
- Diogo Mainardi Marcelo Netto, Marcelo Netto
- André Petry O Estado policial
- Uma sucessão de escândalos banaliza a corrupção
- Como a crise moral na política afeta nosso dia-a-dia
- Auditoria comprova favorecimento à GDK
- PFL e Alckmin negociam o vice na chapa tucana
- Até o logotipo do dossiê era falso
- O que restará da floresta em 2050