Entrevista:O Estado inteligente

quarta-feira, maio 18, 2005

Operações sem resultados (por Chico Bruno)


A opinião pública vira e mexe se depara com operações gigantescas da Polícia Federal, apresentadas sempre com exclusividade pela Rede Globo de Televisão, preferencialmente na abertura do Jornal Nacional.
Na maioria dos casos são operações de combate aos crimes de colarinho branco. Autoridades em todos os níveis aparecem na telinha da Globo algemados, sendo empurrados nos camburões da PF. Os advogados dos suspeitos criticam os excessos cometidos pelos policiais, afirmam que não existem provas substanciais para tal espetáculo e tratam de providenciar a soltura de seus clientes.
Passado o impacto inicial da notícia e nada mais se sabe sobre as operações. As informações sobre a continuidade das investigações são sonegadas a opinião pública, imediatamente após ingressarem nos ministérios públicos. Nem ao menos se sabe se a Justiça aceitou ou não as denúncias.
O que mais intriga é que soltos, a maioria volta ao exercício do cargo, como é o caso do prefeito petista de Macapá João Henrique, entre outros exemplos.
Em 2003, a Polícia Federal efetuou 16 operações com nomes estranhos - Águia, Sucuri, Praga do Egito, Anaconda, entre outros. Prendeu 223 suspeitos, entre os quais 97 servidores públicos. Em 2004 foram 42 operações - Pororoca, Vampiro, Matusalém, Shogun, Catuaba, Chacal, etc... Foram efetuadas 703 prisões, sendo 134 de servidores públicos. Em 2005, já foram realizadas 14 operações - Alcatéia, Big Brother, Clone, Ajuste Fiscal... Foram presos 195 suspeitos, entre eles 56 servidores públicos.
Na estatística do site da Polícia Federal ainda não consta a última, denominada de Guabiru, que prendeu ontem 11 prefeitos e ex-prefeitos em Alagoas.
Isso demonstra que a Polícia Federal está cumprindo com sua obrigação, mas coloca em cheque o Judiciário, que parece não ter a mesma velocidade e empenho dos policiais federais.
Talvez isso explique uma queda brutal da atuação da Polícia Federal no combate ao narcotráfico. Quem acessar o site da PF, vai ser informado que em 1999 foram instaurados 2035 inquéritos e indiciadas 2652 pessoas; em 2000 foram 2212 inquéritos e 2699 indiciados; em 2001 mais 2472 inquéritos e 3049 indiciados; em 2002 2851 inquéritos e 3901 indiciados; em 2003 os inquéritos subiram para 3228 com 3904 indiciados; e para o espanto de quem está navegando, em 2004 foram apenas 319 inquéritos, com 410 indiciados.
Isso quer dizer que ano passado a PF só instaurou 10% de inquéritos em relação ao ano anterior. Porque uma queda tão brutal? Qual a explicação? Será a fadiga pela frustração da impunidade? Essas respostas só poderão ser dadas pelo diretor geral da PF ou pelo ministro da Justiça, mas cumpre a mídia indagar.
Infelizmente, nem no caso dos crimes do colarinho branco, nem no do combate às drogas a imprensa se esforça em exercer o seu papel de perseguir a informação para levá-la à opinião pública. A mídia brasileira se contenta com o espetáculo das operações. Os resultados das investigações, ao que parece, não atraem audiência. Com a palavra os editores.
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