DA REDAÇÃO
O tom político anti-Israel da Cúpula América do Sul-Países Árabes surpreendeu negativamente a comunidade judaica e foi, na prática, oposta ao que o governo brasileiro e o chanceler Celso Amorim haviam prometido.
Essa é a visão de Jayme Blay, presidente da Federação Israelita do Estado de São Paulo, que também entende ser inócuo o efeito geopolítico da cúpula. (MS)
Folha - O caráter político, e não comercial, da cúpula foi motivo de surpresa?
Jayme Blay - Sim, todos ficamos surpresos. Aparenta ter sido, por parte dos países árabes, um palco para as lideranças fazerem críticas contra os governos de Israel e dos Estados Unidos.
Folha - O ministro Celso Amorim havia dito que não censuraria os discursos...
Blay - O ministro declarou, na presença de três altos representantes do governo, em uma reunião na [Associação] Hebraica, que o intuito era uma aproximação econômica e cultural com a qual estamos absolutamente de acordo. Portanto, não era política. A primeira declaração de um dos presidentes árabes foi de uma virulência incompatível com o que o Brasil propagou.
Folha - Como o senhor vê o documento final da cúpula?
Blay - Sobre o documento, emitimos uma nota [leia texto ao lado], mas, sem dúvida, faltou a questão da democracia, que não poderia ter faltado. A única democracia do Oriente Médio é Israel. Em Israel, existe diversidade religiosa, há mesquitas e igrejas cristãs. Isso não foi nem de longe tocado.
Blay - Na prática, o efeito, apesar da boa intenção provável do governo, será inócuo. Como diria Shakespeare, "much ado about nothing" [muito barulho por nada]. Se pensarmos de maneira objetiva, a cúpula chegou fora de hora. Está em curso um processo de pacificação do conflito. Desde o falecimento do [líder palestino Iasser] Arafat, já houve negociações de paz e os atentados diminuíram.
folha de s paulo
Nenhum comentário:
Postar um comentário