Entrevista:O Estado inteligente

sexta-feira, dezembro 09, 2005

ROGÉRIO GENTILE São Paulo de bandeja

FSP
 SÃO PAULO - Na disputa entre José Serra e Geraldo Alckmin pela candidatura à Presidência da República, só há uma certeza: em qualquer hipótese, o PSDB vai entregar São Paulo de bandeja para o PFL de Antonio Carlos Magalhães e Jorge Bornhausen.
Dependendo de quem vier a ser o candidato ao Planalto dos tucanos, o governo paulista ou a prefeitura da capital ficará de herança para um partido que não tem uma única liderança consistente no Estado e que nunca conseguiu ser mais do que uma linha auxiliar fisiológica, ora do malufismo, ora do próprio PSDB.
Se Alckmin for o escolhido, Cláudio Lembo, que teria dificuldades para se eleger vereador em São Paulo, assumirá em abril o segundo maior orçamento do país, com a desincompatibilização do governador.
Se o candidato for Serra, Gilberto Kassab, cujo aprendizado em administração pública foi adquirido no secretariado da gestão Celso Pitta, comandará até 2008 o terceiro maior orçamento, ou seja, mais de R$ 16 bilhões por ano.
Neste caso, com o agravante de que os eleitores do tucano terão sido sumariamente enganados. Na campanha, Serra prometeu e repetiu que, se fosse eleito, não deixaria o cargo para disputar a Presidência da República. Agora, afirma que é "precipitado falar em candidatura".
Pior, se a disputa entre os tucanos ferver e terminar numa improvável convenção, o PFL poderá engolir os dois cargos, passando a ser, de uma hora para outra, o principal partido do Estado, ainda que não tenha recebido voto algum para tanto.
Em qualquer situação, o PFL terá a possibilidade de estabelecer raízes em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país. Passará a dispor de uma caneta poderosa nas mãos para arrebanhar prefeitos, deputados e vereadores e assumir o espólio nada modesto do malufismo.

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