Entrevista:O Estado inteligente

sexta-feira, dezembro 09, 2005

ELIANE CANTANHÊDE O novo Cristiano

FOLHA DE S PAULO
BRASÍLIA - A coisa não anda tão bem assim para os lados da candidatura de Lula à reeleição, e só isso pode explicar os últimos movimentos da banda governista do PMDB. Leia-se: José Sarney, Renan Calheiros e Ney Suassuna, que dão sinais de estarem pulando do barco.
Depois de três anos apoiando Lula e atualmente com os ministérios das Comunicações e da Saúde, Sarney e Renan já avisaram a Lula (e a quem mais interessar possa) que apoio de governo é uma coisa e que apoio na eleição é outra coisa. Ou seja: sem compromissos. Principalmente com Lula caindo nas pesquisas.
É por isso que, enquanto todo mundo dá de barato que vai ser Lula e Serra ou, no máximo, Lula e Alckmin, o PMDB e o PFL começam a se coçar. E estão conversando muito mais do que se imagina. Entre outras coisas, para dizer que rejeitam o "prato feito" e para preparar não só a eleição mas o futuro.
Enquanto PT e PSDB se matam em torno da eleição, os pragmáticos e experientes PMDB e PFL estão pensando muito mais longe: no novo governo de 2007. Sem presidenciáveis com chances reais, eles têm um cronograma mais cauteloso: primeiro turno é hora de ter candidato próprio para cristianizar e conferir quem é mais forte entre os competidores reais; segundo turno é hora de fazer a aliança certa; e governo é hora de governar -de garantir fatias de poder em troca da governabilidade alheia.
Nessa, os tucanos levam vantagem. É até razoável imaginar a reprodução de frente PSDB-PFL-PMDB contra o PT, mas é absolutamente impossível pensar numa grande aliança PT-PMDB-PFL contra o PSDB.
E o que se vê é não só o PMDB governista pulando do barco e ficando à espreita como o PFL querendo negociar bem caro o apoio ao PSDB já no primeiro turno. A moeda de ouro é São Paulo. Tem cara: Afif Domingos. E coroa: a vice.
PS - O deputado Vadão Gomes avisa que vai depor na quarta no Conselho de Ética. Somos todos ouvidos.

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