Entrevista:O Estado inteligente

sábado, dezembro 10, 2005

Lula compara adversários a venezuelanos que agiram contra governo de Hugo Chávez

FOLHA DE S PAULO

Oposição promove "golpismo", afirma presidente no Uruguai

Jorge Araújo/Folha Imagem
No sentido horário: presidentes Lula, Vásquez (Uruguai), Kirchner (Argentina), Chávez (Venezuela) e vice Albuquerque (Rep. Dominicana)


CLÁUDIA DIANNI
FLÁVIA MARREIRO
ENVIADAS ESPECIAIS A MONTEVIDÉU

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que seus adversários estão "tentando fazer golpismo" contra ele, a exemplo da ação que resultou na queda momentânea de Hugo Chávez na Venezuela, em 2002.
Ao deixar a 29ª Cúpula do Mercosul ontem, em Montevidéu, que incorporou a Venezuela ao bloco, Lula disse que seus adversários dizem que ele age como o presidente Chávez, mas que, na realidade, são eles que se comportam como a Fedecámaras, instituição empresarial que orquestrou o golpe contra Chávez em 2002.
A comparação foi motivada por uma entrevista dada pelo presidente à revista "Carta Capital" que começou a circular ontem. "O Chávez é o Chávez, e eu sou eu. Agora, eles estão agindo no Brasil como a Fedecámaras agiu na Venezuela, sem respeitar o jogo da democracia", disse Lula à revista.
Depois de conversar com os jornalistas sobre a entrada da Venezuela no Mercosul, Lula respondeu a uma pergunta sobre a comparação feita à "Carta Capital".
"Eu não li a revista", disse, mas, diante da insistência dos jornalistas, completou: "[Fiz a comparação] porque é verdade. Tem alguns que ficam dizendo que eu, quando vou fazer um ato público, ajo como se fosse o Chávez. Digo sempre, eu não estou agindo como o Chávez. Agora, meus adversários estão agindo como agiu a Fedecámaras contra o Chávez, ou seja, tentando fazer golpismo".
A Fedecámaras é a união nacional das indústrias venezuelanas, equivalente à CNI (Confederação Nacional da Indústria) no Brasil. Em 2002, o então presidente da instituição, Pedro Carmona Escanga, organizou uma greve geral no país que culminou com um golpe contra o governo de Chávez com a colaboração dos generais da Força Armada Nacional.
Chávez foi enviado a uma ilha no Caribe, onde foi preso, e seria enviado para fora do continente por seus opositores. Mas o golpe durou apenas 48 horas. A população saiu às ruas para protestar e militares de baixa patente desobedeceram às ordens dos superiores. Um helicóptero resgatou Chávez da prisão na ilha e o venezuelano voltou ao poder. Carmona está exilado na Colômbia.

Coteminas
O presidente Lula aproveitou a entrevista também para defender a Coteminas, empresa do vice-presidente José Alencar. Para ele, o único problema do negócio foi o PT não ter pago a dívida com a empresa do vice.
"Eu queria aproveitar e fazer justiça não apenas ao José Alencar mas à Coteminas, que fez um acordo comercial com o PT, vendeu camisetas, e o PT tem que pagar à Coteminas. E não caberia à Coteminas querer saber quem é que deu dinheiro para o PT pagar a Coteminas", afirmou.
"O PT deve e tem que pagar, e a Coteminas fez o que tinha que ser feito: foi atrás para receber em uma negociação comercial totalmente normal em qualquer lugar do mundo", disse o presidente. "Agora, qual é a anormalidade?", perguntou. "É que o PT ainda não pagou a Coteminas", completou.
Em 2004, a Coteminas forneceu 2,7 milhões de camisetas ao partido, que totalizaram R$ 12 milhões, para serem usadas como material de campanha eleitoral.
O PT pagou apenas R$ 1 milhão, em espécie. O dinheiro não foi contabilizado no partido, apesar de constar dos registros contábeis da Coteminas. O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares disse que o dinheiro faz parte do caixa dois montado pelo partido com o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza.

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