Entrevista:O Estado inteligente

domingo, dezembro 11, 2005

ELIANE CANTANHÊDE José Serra

FSP
BRASÍLIA - Quem conversa sobre política e gosta de política sabe que os dois nomes hoje levados a sério são Lula, declinante, e Serra, ascendente. Falar de sucessão é automaticamente falar de Lula e de Serra. Lembra-se pouco de Alckmin. Mau sinal.
O maior obstáculo de Serra -além da óbvia dificuldade em largar a prefeitura para o polêmico Kassab- é que ele é considerado de esquerda pela direita e de direita pela esquerda. Os EUA e o grande capital interno temem as mudanças que ele certamente fará na economia. E os movimentos sociais têm lealdade a Lula e ao PT. Ou seja: Alckmin é "mais confiável", e Lula tem o governo, o Bolsa-Família e as bases sociais.
Mas, nas conversas, parlamentares de esquerda e de direita que nunca simpatizaram com Serra têm crescentemente esquecido seus notórios defeitos, como o autoritarismo e o egocentrismo, para cada vez mais admitirem suas qualidades, como a consistência, a determinação e o conhecimento da máquina pública.
Isso -frise-se- não corresponde a apoio deles a Serra. Os de esquerda dizem continuar com Lula. E, mesmo tendendo para Serra, o pefelista Bornhausen considera muito a pressão da ala jovem do PFL, que quer candidatura própria para puxar votos, fazer governos e bancadas. Mas a mudança no tom é significativa.
Alckmin tem São Paulo, simpatias em setores do capital e está viajando pelo país em busca de sustentação no próprio PSDB. Mas a questão eleitoral não é de nomes; é de perfil. Collor em 89, FHC em 94 e 98, Lula em 2002, todos eles foram os homens certos na hora certa. Cabiam no figurino.
Dizia-se que, em 2006, o contraponto à "aventura" Lula seria "o bom-mocismo, a segurança e a competência", traduzidos como Alckmin. A discussão, porém, avançou. O contraponto será a ousadia, a guinada, o desenvolvimento, o nacionalismo.
Conclusão: Serra está se consolidando como o candidato de oposição. Talvez, até, cedo demais. O risco é perder o fôlego antes de chegar lá.

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