Entrevista:O Estado inteligente

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Editorial da Folha de S Paulo PT CONTRA PALOCCI

 O Diretório Nacional do PT aprovou no último sábado uma resolução que sinaliza a mudança ocorrida na composição de forças do partido. O documento vitorioso faz uma série de objeções à política econômica do governo, tornando oficiais críticas que até recentemente não seriam consagradas pelas instâncias superiores da legenda.
O texto considera que o país não pode adotar a política de juros altos como único remédio para combater a inflação e propõe a redução das metas de superávit primário das contas públicas. É uma clara indicação de que o "novo" PT pende mais para as posições defendidas pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, do que para as sustentadas pelo ministro da Fazenda, Antonio Palocci.
A perda de prestígio do grupo identificado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após a crise deflagrada pelo escândalo do "mensalão", pode não ter propiciado uma guinada radical no partido, mas fortaleceu as correntes de esquerda e centro-esquerda. Nesse contexto -e em meio às más notícias econômicas- tornou-se mais difícil para o PT assimilar o conservadorismo de Palocci e sua equipe. Um sinal da crescente animosidade contra o ministro foi a intensa movimentação do assessor presidencial Marco Aurélio Garcia para aprovar o documento.
Embora pressione por alterações e pretenda que a campanha pela reeleição aponte para uma nova gestão da economia, o PT dificilmente levará o presidente a promover mudanças que possam ser interpretadas como uma reviravolta na política econômica. Uma queda de braço com os mercados -em meio à crise política e em ano de eleições- não parece ser a melhor estratégia para o Planalto.
O mais provável é que Lula, como vem fazendo, procure manter Palocci como uma "garantia" de que não haverá aventuras. Ao mesmo tempo, valendo-se das pressões exercidas contra o ministro, poderá aumentar gastos e exigir resultados mais positivos e vistosos, que lhe ofereçam algum alento eleitoral. Quanto a mudanças mais sólidas e duradouras na economia, elas só seriam factíveis no bojo de um processo de reformas que esse governo já não tem nenhuma condição de liderar.

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