Os resultados fracos do mercado de trabalho em janeiro reafirmam a perspectiva de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficará longe de cumprir a promessa de criar 10 milhões de empregos ao longo de seu mandato.
De dezembro a janeiro, o desemprego nas seis maiores regiões metropolitanas do país subiu de 8,3% para 9,2%, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O resultado reflete em parte a dispensa de trabalhadores temporários do comércio, típica na virada do ano, e o aumento da procura de trabalho, também comum nas férias escolares.
O aumento do desemprego, embora associado a fatores temporários, foi acompanhado por outro movimento adverso: a renda média do trabalhador ocupado nas principais metrópoles do país caiu de R$ 998,26 para R$ 985,90 na passagem de dezembro para janeiro, uma queda de 1,2%.
A notícia positiva foi que o contingente de empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado, que representa 41,6% da população ocupada das metrópoles, ficou estável em janeiro, segundo o IBGE.
Esse dado parece confirmar levantamento do Ministério do Trabalho, denominado Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) e realizado em âmbito nacional, que apurou acréscimo de 86,6 mil vagas no emprego com carteira assinada em janeiro. Foi uma alta de 0,33% sobre o estoque de dezembro.
Incorporados os números de janeiro, o Caged aponta para um aumento no número de empregados com registro pela CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) de 3,5 milhões nos 37 meses do atual governo federal.
A perspectiva de aceleração do mercado interno, com a redução da taxa de juros básica e o aumento do salário mínimo, aponta para uma reversão, ao longo do ano, do desempenho pouco favorável do mercado de trabalho em janeiro. Ainda assim, terá sido muito pouco diante das promessas demagógicas de Lula da campanha eleitoral de 2002.