sábado, março 04, 2006

CLÓVIS ROSSI Orfandade

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SÃO PAULO - A pesquisa Ibope sobre a eleição em São Paulo expõe elevado grau de orfandade no eleitorado. A líder, Marta Suplicy, não consegue mais que um quarto dos votos. A soma dos dois primeiros não atinge a metade dos votos, qualquer que seja o cenário pesquisado.
E não é por falta de conhecimento dos presumíveis candidatos. Estamos falando de um ex-governador e ex-prefeito (Paulo Maluf), de um ex-governador e ex-senador (Quércia), de um senador e, ainda por cima, líder do governo (Aloizio Mercadante), de um ex-ministro da Educação (Paulo Renato), para não mencionar a própria Marta, ex-prefeita, candidata há apenas dois anos.
Até os menos expostos à mídia (os vereadores José Aníbal e Carlos Apolinário) têm muitíssimos quilômetros rodados na política.
A maior parte da explicação tem a ver com o encerramento de um ciclo histórico: as lideranças que comandaram o voto paulista desde o período ditatorial ou morreram fisicamente (Franco Montoro, Mario Covas) ou estão morrendo politicamente (Maluf e Quércia).
É o vício clássico do sistema partidário: o voto vai para personalidades, para caudilhos, não para idéias, projetos, ideologia, coerência programática do partido. Morre o líder, morre a corrente que o apoiava.
Não há herdeiros nem no covismo, nem no malufismo, nem no quercismo, embora seus líderes fossem adversários até virulentos em determinados momentos, o que poderia induzir os liderados a adotar comportamentos divergentes entre eles.
O caso do PT não é muito diferente. Nem quando parecia ter consistência ideológica (transformada em pó assim que chegou ao poder central) o partido tinha força eleitoral relevante no seu Estado-berço. Nem com Lula como candidato chegou perto do Palácio dos Bandeirantes.
Agora, o cenário caminha para uma escolha na pobre base de "não tem tu, vai tu mesmo".