Entrevista:O Estado inteligente

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Lula outra vez? Há controvérsias José Negreiros

BLOG DO NOBLAT



Vou arriscar um palpite na contramão da média dos analistas: acho a reeleição de Lula complicada. A maioria discorda argumentando que o presidente tem a seu favor um enorme patrimônio eleitoral constituído pela preservação do mito Lula na cabeça do povão e pela multidão de beneficiários do Bolsa-Família.


Pode ser verdade. Mas quem pensa assim, que peso atribui ao escândalo do mensalão e ao aumento da rejeição ao presidente, que atingiu a 60% na classe média? Nenhum? Segundo especialistas, um candidato com imagem negativa tão forte não ganha disputa nem em Cuba, com partido único.


Recuso-me a acreditar que durante aqueles dois meses de propaganda do horário eleitoral, decisivos para o resultado do pleito, os eleitores reagirão de forma olímpica ao compacto com denúncias da roubalheira envolvendo Lula-Palocci-PT&Cia sob o argumento de que corrupção é um assunto que não comove os grotões.


Além disso, por que a mesma política econômica de arrocho permanente que vitimou Serra na última eleição faria de Lula um mocinho, apenas porque ela interessa ao capital financeiro? O perigo é maior se aparecer um adversário capaz de tocar a alma do eleitor ou um dos adversários de plantão consiga tal feito, o que não é difícil com a tecnologia de marquetagem disponível na praça.

 

Lula não foi capaz de iludir uma população que já havia sido enganada por Collor? O PT não teve a cara de pau de se autoproclamar campeão da ética e convencer 60% dos eleitores?


Não vejo porque, justamente num julgamento sobre a conveniência de manter essa dupla, a população diria "sim", pois o mito Lula e o Bolsa-Família são imbatíveis. Os chamados analistas políticos adoram racionar com o status quo e sem consulta aos eleitores. Em 1974, eles gargalharam quando o dr. Ulysses Guimarães fez uma reunião do MDB e distribuiu uma cartilha sobre como ganhar a eleição da Arena, tarefa considerada quixotesca em plena ditadura.

 

No dia da apuração, a oposição elegeu 16 senadores para as 22 vagas em jogo, entre eles um que chegaria à Presidência (Itamar Franco). Os analistas encontraram uma boa explicação. Os analistas encontram explicação para tudo.

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