Entrevista:O Estado inteligente

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Lucia Hippolito na CBN:Para não esquecer as peripécias de João Paulo Cunha

BLOG DO Ricardo Noblat



 

" Dezembro é tempo de relembrar o que foi feito e o que foi dito. É tempo de retrospectivas nas TVs, rádios, revistas e jornais.
E foi justamente revendo o que falei ao longo do ano que me deparei com um comentário a respeito de um personagem que periga escapar de toda a lambança do mensalão, embora esteja envolvido em mil e umas.


Trata-se do deputado João Paulo Cunha, ex-presidente da Câmara, que está sendo processado no Conselho de Ética porque mandou sua mulher sacar 50 mil reais das contas de Marcos Valério.


Em 11 de julho, comentei na CBN que João Paulo Cunha candidatou-se a presidente da Câmara em 2003 e contratou uma agência de publicidade para fazer sua campanha.


Por que cargas d'água alguém contrata uma agência para fazer uma campanha em que não há competidores? Isso mesmo. João Paulo concorreu em chapa única. E quem foi o publicitário escolhido? Ele mesmo, Marcos Valério.


Sem adversários, João Paulo Cunha foi eleito presidente da Câmara dos Deputados. E qual era a agência que cuidava da imagem da Câmara? Ela mesma, a agência de Marcos Valério, que tinha feito aquela campanha eleitoral inteiramente desnecessária, isto porque João Paulo era candidato único à presidência da Câmara.


Em 2004, segundo ano de mandato de João Paulo na presidência, a agência de Marcos Valério recebeu dez milhões e 500 mil reais para fazer propaganda da Câmara dos Deputados. Será que os 513 deputados tinham conhecimento disso? E será que os 513 deputados sabiam que João Paulo encomendou ao amigão Marcos Valério pesquisas sobre suas chances na disputa pelo governo de São Paulo? Tudo pago pela Câmara, naturalmente.


Por que a Câmara precisa fazer propaganda de sua imagem, se tem a TV Câmara, a Agência Câmara de Notícias, site na Internet, espaço diário na Voz do Brasil e o presidente e pode requisitar cadeia de rádio e TV a qualquer momento?


Pois bem. Apanhado com a boca na botija no caso do valerioduto, primeiro João Paulo declarou que sua mulher tinha ido ao Banco Rural pagar a conta de uma TV a cabo. Depois, reclamou que tinham garantido a ele que o saque não ia aparecer, porque o Coaf só acusa movimentações acima de cem mil reais.
E agora, circulam histórias na Câmara dando conta de que João Paulo pode escapar da cassação porque, como presidente da Casa, fez muitos amigos entre os deputados.


Será que essas pessoas pensam que a opinião pública é boba e desmemoriada? Estão brincando com fogo."


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