Entrevista:O Estado inteligente

segunda-feira, dezembro 12, 2005

FERNANDO RODRIGUES Verticalização e bigamia

FSP
BRASÍLIA - O argumento mais simples a favor da verticalização é que Lula, Sarney, ACM, PMDB e PFL são contra a manutenção dessa diretriz. Se uma tropa assim tão distinta é contra, a regra só pode ser boa.
A verticalização, como se sabe, determina que as alianças eleitorais na disputa para presidente devem ser seguidas nos pleitos estaduais. Ou, pelo menos, não desrespeitadas.
Muita gente deseja derrubar a verticalização por uma razão bem clara: querem liberdade para traficar o tempo de TV e rádio a que cada partido tem direito durante a eleição.
O PMDB, por exemplo, tem uma ala a favor de apoiar Lula para presidente em 2006. Mas não vê com simpatia entrar na chapa petista para o governo de São Paulo ou do Rio Grande do Sul. Com a verticalização, PT e PMDB ficam amarrados em todos os Estados.
Lula e Sarney falam sobre derrubar a verticalização usando um raciocínio manco. "Casamento tem de ser por amor, não pode ser obrigatório", disse Lula. "Não se pode evitar que a política regional tenha suas peculiaridades", completou Sarney.
Não se trata de casamento forçado. É uma questão de eqüidade. A Constituição fala em partidos nacionais, até porque o tempo de TV e rádio no horário eleitoral é calculado com base nas bancadas de cada sigla na Câmara dos Deputados.
Se o cálculo desse tempo é nacional, nada mais correto que as alianças atendam também a uma lógica nacional. De outra forma, o ideal seria estabelecer tempos diferenciados de propaganda eleitoral em cada Estado, de acordo com as bancadas de deputados nas Assembléias Legislativas. Nas eleições municipais, seria seguido o número de vereadores de cada partido nas 5.600 cidades.
Seria o caos, mas seria respeitada a lógica lula-sarneysista. Só que dividir o butim do tempo de TV e rádio regionalmente ninguém quer. A idéia é só liberar geral. Ou, como poderia dizer Lula, oficializar a bigamia na propaganda eleitoral televisiva.

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