FSP
É sabido que a Justiça é cara e elitista no Brasil. O trabalho divulgado nesta semana pelo ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e que está disponível em www.mj.gov.br, tem o mérito de mostrar o custo de um Judiciário inoperante em termos de crescimento econômico. As soluções para o problema não são triviais, e seus efeitos ocorrem no longo prazo. Mas, por isso mesmo, as providências precisam ser tomadas imediatamente.
O documento preparado pela Secretaria de Reforma do Judiciário contém um diagnóstico de quais são os principais problemas e uma estratégia de como atenuá-los. Isso é raro no governo. A maioria dos programas não estabelece sequer o objetivo a ser atingido e muito menos a maneira pela qual se pretende alcançá-lo. Trata-se, muitas vezes, do mesmo programa rebatizado com outro nome e logo.
A proposta do Ministério da Justiça é diferente. Representa uma continuidade de esforços passados de reforma do Judiciário e de preocupação com aquilo que se costumava chamar de "custo Brasil". Mas vai muito além: sua implementação representaria salto institucional. Um bom governo não reinventa a roda, mas é capaz de corrigir rumos e multiplicar ações corretas de administrações anteriores.
O Judiciário brasileiro infelizmente contribui para o "custo Brasil". De uma forma distinta, encontra-se tão afastado daquilo que a sociedade almeja quanto o Judiciário retratado no filme de 1971 do diretor italiano Dino Risi, "Esse Crime chamado Justiça" ("In Nome del Popolo Italiano", no original). É um Poder congestionado, moroso e caro. Um pleito na Justiça é algo para ser deixado para os netos. O custo da demora inibe o crédito, que, como se sabe, desde o economista austríaco Schumpeter, é um dos motores do crescimento. A lentidão da Justiça gera insegurança jurídica, deprime a rentabilidade esperada das inversões produtivas, prejudicando a produção e o emprego.
Segundo estudo citado pelo Ministério da Justiça, a recuperação judicial de uma dívida de R$ 50 mil demora em média oito anos. A disputa judicial consome nada menos do que 76% do valor da causa. Depois de toda dor de cabeça, restariam pouco mais de R$ 12 mil. Para ter um serviço tão ineficiente, o contribuinte brasileiro dedica uma proporção 3,7 vezes maior da despesa pública do que a média de uma amostra de 35 países.
O Ministério da Justiça identifica o processo de execução como o ponto de estrangulamento para a cobrança de uma dívida. Em quase metade dos casos, o credor simplesmente desiste ou o devedor não é encontrado. Ou, quando é localizado, não há bens a serem penhorados. Tais litígios ocorrem em um Judiciário com milhares de causas repetitivas e que dão margem a número excessivo de recursos.
Não há soluções fáceis para os problemas do Judiciário brasileiro. O conjunto de projetos de lei que está no Congresso e tem sido chamado de reforma infraconstitucional representa avanço. Esta semana foi produtiva. O Senado aprovou nova lei de execução judicial. Embora alguns especialistas ainda estejam céticos quanto aos seus efeitos práticos, as alterações apontam na direção correta da decisão em tempo econômico.
Além da execução judicial, a Secretaria de Reforma do Judiciário tem destacado outros projetos na mesma linha desburocratizante, como o de matérias repetitivas, súmulas impeditivas de recursos e do divórcio e partilha consensual. Por sua vez, o senador José Jorge (PFL-PE) apresentará na próxima semana o relatório final da Comissão de Regulamentação da Reforma do Judiciário. É curioso como tais mudanças, destinadas a alterar a forma de funcionamento da economia nas próximas décadas, passam despercebidas, perdidas em meio aos factóides da conjuntura.
Seria ilusório imaginar que uma reforma processual tenha o condão de fazer o Brasil crescer como a China ou a Índia no presente ou como o próprio país cresceu no passado. A reforma do Judiciário constitui ingrediente fundamental de um programa de governo, mas não é garantia de crescimento. Contribui, por exemplo, para reduzir o "spread" bancário, mas não substitui uma política macroeconômica adequada para reduzir a taxa de juros.
Entrevista:O Estado inteligente
- Índice atual:www.indicedeartigosetc.blogspot.com.br/
- INDICE ANTERIOR a Setembro 28, 2008
Arquivo do blog
-
▼
2005
(4606)
-
▼
dezembro
(535)
- Mariano Grondona Sobre el síndrome anárquico-autor...
- Vozes d’África REINALDO AZEVEDO
- Merval Pereira Estranha aliança
- FERNANDO GABEIRA Globalização e as sementes do equ...
- O que sobrou de 2005? GESNER OLIVEIRA
- FERNANDO RODRIGUES Perdas e danos em 2005
- CLÓVIS ROSSI Férias?
- Editorial da Folha de S Paulo
- Editorial de O Estado de S Paulo
- CELSO MING Mudou o foco
- Rodovias - a crise anunciada por Josef Barat*
- A saúde que faz mal à economia Robert Fitch
- Villas-Bôas Corrêa Do alto o governo não vê
- Merval Pereira Os números do impasse
- Celso Ming - Bom momento
- Não contem ao presidente LUIZ CARLOS MENDONÇA DE B...
- As limitações da política econômica FERNANDO FERRA...
- NELSON MOTTA Barbas de molho
- ELIANE CANTANHÊDE Emergência
- CLÓVIS ROSSI Emprego e embuste
- Editorial da Folha de S Paulo
- Editorial da Folha de S Paulo
- Editorial da Folha de S Paulo
- Não na frente...
- Wagner faz da Viúva militante- claudio humberto
- Sharon, o homem do ano Por Reinaldo Azevedo
- Brasil - Idéias para tirar o Estado do buraco
- Editorial de O Estado de S Paulo
- Negócio da China? PAULO NOGUEIRA BATISTA JR.
- JANIO DE FREITAS Votar para quê?
- DEMÉTRIO MAGNOLI O fator BIC
- MARTA SALOMON Quem tem medo do caixa um?
- CLÓVIS ROSSI O risco-empulhação
- Editorial da Folha de S Paulo
- CELSO MING A âncora da economia
- Editorial de O GLOBO
- Merval Pereira Soy loco por ti, América
- Tiro no pé abriu o 'annus horribilis' Augusto Nunes
- Sem perder a pose - Blog do Noblat
- Zuenir Ventura Louvado seja o Pan
- Editorial de O GLOBO
- ALI KAMEL Feliz ano novo
- Merval Pereira A turma do mensalão
- ELIO GASPARI O Ano da Pizza começou no Ceará
- Ação brasileira gera importante avanço JOSEPH E. S...
- FERNANDO RODRIGUES Legado do "mensalão"
- CLÓVIS ROSSI A empulhação, em números
- Editorial da Folha de S Paulo
- Editorial da Folha de S Paulo
- Editorial da Folha de S Paulo PÉSSIMA IMAGEM
- Editorial de O Estado de S Paulo
- Faltou o espetáculo Celso Ming
- O Banco Central e o paradoxo do dólar Sonia Racy
- Augusto Nunes - Essa candidatura parece provoção -
- Cuecão de ouro: absolvição cara - Claudio Humberto...
- Distorções Celso Ming
- Feliz ano novo ALI KAMEL
- RUBENS BARBOSA Crise de identidade
- ARNALDO JABOR Só nos restam as maldições
- Merval Pereira Símbolos e realidade
- O procurador procura toga AUGUSTO NUNES
- Sinais alarmantes ROBERTO BUSATO
- CLÓVIS ROSSI PT x PSDB, perde o Brasil
- Editorial da Folha de S Paulo
- Editorial da Folha de S Paulo
- Editorial da Folha de S Paulo
- Lula tentou abafar investigações, diz presidente d...
- FERNANDO RODRIGUES Ingenuidade ou farsa
- VINICIUS TORRES FREIRE Ano novo, vida velha
- Editorial da Folha de S Paulo
- Editorial da Folha de S Paulo
- Carlos Alberto Sardenberg A culpa é do governo
- dívida externa e risco Brasil
- AUGUSTO NUNES Nunca se viu nada parecido
- FERREIRA GULLAR Um Natal diferente
- LUÍS NASSIF O "príncipe" dos jornalistas
- História de Natal RUBENS RICUPERO
- Força de Lula deve definir candidato do PSDB
- ELIO GASPARI Um novo estilo: o minto-logo-desminto
- ELIANE CANTANHÊDE Enquanto março não vem
- CLÓVIS ROSSI O sinal e o bocejo
- Editorial da Folha de S Paulo
- Editorial da Folha de S Paulo
- Desigualdade e transferência de renda
- Pobres se distanciam de ricos e dependem mais do g...
- Daniel Piza História da ilusão
- João Ubaldo Ribeiro A qualidade de vida ataca nova...
- CELSO MING De três em três
- Governo amplia Bolsa Família, mas não ajuda benefi...
- VEJA Mensalão:Marcos Valério processa o PT
- VEJA Eduardo Giannetti da Fonseca O fim do ciclo d...
- VEJA Tales Alvarenga O nosso Muro de Berlim
- VEJA MILLÔR
- VEJA Diogo Mainardi Uma anta na minha mira
- Além do Fato: A polarização PT e PSDB Bolívar Lamo...
- 2006 não será 2002 GESNER OLIVEIRA
- FERNANDO RODRIGUES Visão de dentro da crise
- CLÓVIS ROSSI A confissão
- Editorial da Folha de S Paulo
- Editorial da Folha de S Paulo
- Estridência (2) CELSO MING
- A FAVOR - Desprivatizando os pobres
- Editorial de O Estado de S Paulo
- Editorial de O Estado de S Paulo
- Razões de esperança Mauro Chaves
- O mapa do mensalão
- Zuenir Ventura Vinicius de presente
- Lucia Hippolito na CBN:Sabatina obrigatória
- Lucia Hippolito na CBN:Sabatina obrigatória
- Rio - O governo federal,Não tapa nem deixa tapar
- EDITORIAL DA FOLHA DE S PAULO
- Barbaridade! Eduardo Graeff
- A empulhação Fábio Santos
- CLÓVIS ROSSI Os búzios e a economia
- Ferreira Gullar "Contava com fracasso; com roubo, ...
- EDITORIAL DA FOLHA
- EDITORIAL DA FOLHA DE S PAULO
- LUÍS NASSIF A TV digital e a Casa Civil
- Brasil: afogado em dólares POR LUIZ CARLOS MENDONÇ...
- VALDO CRUZ Avançou, mas não chegou lá
- CELSO MING Estridência (1)
- EDITORIAL DE O ESTADO DE S PAULO
- EDITORIAL DE O ESTADO DE S PAULO
- As águas turvas da transposição POR Ipojuca Pontes
- ENTEVISTA Delcídio sugere a Lula que leia relatóri...
- O ano do espanto DORA KRAMER
- EDITORIAL DE O GLOBO
- LUIZ GARCIA Depressa como Edmundo
-
▼
dezembro
(535)
- Blog do Lampreia
- Caio Blinder
- Adriano Pires
- Democracia Politica e novo reformismo
- Blog do VILLA
- Augusto Nunes
- Reinaldo Azevedo
- Conteudo Livre
- Indice anterior a 4 dezembro de 2005
- Google News
- INDICE ATUALIZADO
- INDICE ATE4 DEZEMBRO 2005
- Blog Noblat
- e-agora
- CLIPPING DE NOTICIAS
- truthout
- BLOG JOSIAS DE SOUZA