FOLHA DE S PAULO
BRASÍLIA - Enquanto só se fala num acordão na CPI, passa despercebido um outro bem mais poderoso: o de Marcos Valério com os principais envolvidos, como o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP).
A CPI não tem dúvidas de que a turma anda acertando listas, versões e valores, para tumultuar as investigações e confundir a opinião pública. Tanta informação vira contra-informação e protege os réus.
É por isso que o presidente da CPI, Delcídio Amaral (PT-MS), recusa, uma a uma, as ofertas de Valério para depor novamente. "Ele só volta aqui quando a gente quiser. Aí, é ele quem não vai querer".
A CPI está convencida de que vai explodir o "acordão do mal" a partir de amanhã, quando os dados do curioso Banco Rural começam a chegar -aliás, com muito (e estranho) atraso. A mesma "mão invisível" que produz listas faltas atrasa os dados.
Contra fatos não há argumentos. E, contra o cruzamento de dados bancários, não há versão combinada que se sustente. É nisso, pelo menos, que os homens da CPI estão se fiando.
Além de toda a arena, eles têm dois touros a enfrentar à unha: os milionários e confusos saques de Duda Mendonça (que podem expor Lula) e o papel do onipresente Daniel Dantas nisso tudo e na desgraça do governo. Onde se vê Dantas, leiam-se "Opportunity", inclusive em português, e "Kroll", a agência que investigava meio governo, aparentemente em conluio com a outra metade.
Ou seja, além de muuuuuiiiiiito dinheiro e de senso de oportunidade, Dantas tem informação de tudo e de todos. Neste momento de crise aguda, é uma combinação explosiva, com conseqüências imprevisíveis.
E tem mais: se comprovado que a lista da cafetina Geane se confunde com as de sacadores de Valério, só vai faltar o rock and roll.
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