Entrevista:O Estado inteligente
Feijoada radical - RUY CASTRO
FOLHA DE SP - 14/12
RIO
DE JANEIRO - No Rio, em 1960, Jean-Paul Sartre foi levado a uma
feijoada no apartamento do jornalista José Guilherme Mendes. A folhas
tantas, resolveu ir à cozinha e inspecionar o famoso prato brasileiro,
que não conhecia. Pediu licença e destampou a panela. Contemplou aquela
sarabanda de carnes indefinidas borbulhando no feijão preto e exclamou:
"Mais... C'est la merde!".
É por essas e outras que o prestígio
de Sartre não para de cair, e o de seu rival e desafeto Albert Camus, de
subir. Camus era "pied-noir", habituado às agrestias da Argélia --deve
ter comido coisa até pior na Casbah, a megafavela de Argel. Já Sartre
era esnobe, só comia carne branca e jovem, e não se passava nem pela
Simone de Beauvoir. Bem, pior para Sartre. Com ou sem a sua opinião, a
feijoada está prestes a se tornar patrimônio cultural pelo Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
O espantoso é
que ainda não fosse. Com tudo que já fez por nós nos últimos 200 anos,
por que nos esquecemos de elegê-la fundamental na nossa cultura? Será
porque, ao contrário da capoeira, do jongo e da Folia de Reis --todos
entronizados--, ela não corra risco de extinção e inunde o país a cada
sábado e quarta-feira? Pois, até por isso, a feijoada deveria ser
louvada --ela não precisa de subsídio.
Quanto a mim, toda semana,
em casa ou na rua, debruço-me sobre o grande prato nacional.
Principalmente --que minha médica não me leia-- se, em vez dos
rotineiros paio, linguiça e carne-seca, ele vier enriquecido com
costela, pé, orelha, focinho ou bochecha.
Sou íntimo de algumas
das maiores feijoadas cariocas: a de Leila, na quadra do Salgueiro; a de
Tia Surica, na Portela; e a de Jorge Ferraz, no Renascença. Mas, neste
verão, pretendo radicalizar: a qualquer hora dessas, vou encarar uma
feijoada vegetariana.
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