| Correio Braziliense |
| 2/9/2008 |
O afastamento de toda a diretoria da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) esfria mas não acaba com a crise entre os poderes da República. Da parte do Congresso, por exemplo, ninguém gostou de, na reunião no Planalto, algumas autoridades da área de inteligência terem insinuado que o grampo estaria no Senado. “A central fica numa sala-cofre, tem senha de acesso e, quem quiser entrar, tem que deixar a digital”, contou o diretor-geral, Agaciel Maia, ao presidente da Casa, Garibaldi Alves. Do hospital onde está internado, o senador Pedro Simon também não está convencido de que a crise acabou: “Foi uma decisão importante, somos solidários com o presidente Lula, mas agora é que se vai verificar o que está acontecendo. Da minha parte, não me passa pela cabeça que o Paulo Lacerda esteja envolvido nisso”. Pelo visto, o tema grampo ainda vai render.
Não colou/ Na reunião com os políticos ontem o presidente Lula aproveitou para comentar a eleição paulistana. “É, o Kassab falou que é meu amigo, que gosta de mim. Também gosto dele. Mas eu sou Marta”, comentou Lula, referindo-se aos elogios que tem recebido do prefeito-candidato de São Paulo, Gilberto Kassab. Avisos de Lula e dos céus/ Antes do anúncio oficial do afastamento de Paulo Lacerda da chefia da Abin, políticos que estiveram com Lula disseram ter tido a impressão de que os elogios do presidente ao delegado eram do tipo “visita da saúde”, aquela que ocorre às vésperas da morte. Foi tanta tensão no fim de semana para decidir o que fazer que até choveu em Brasília, depois de 123 dias sem cair uma gota d’água. Em forma I/ O senador Pedro Simon (PMDB-RS, foto) se recuperou rápido da queda em frente ao Ministério de Minas e Energia, na semana passada, que até já faz piada do incidente: “Tem duas versões para o meu tombo: a primeira é a que eu caí de velho. A segunda é que, quando souberam que eu ia ao Ministério, tentaram me derrubar antes de eu chegar lá”. Em forma II/ Em tempo: Simon tem fama de ser craque em discursos que levam ministros a pedir demissão dos respectivos cargos. Foi assim com Luiz Carlos Mendonça de Barros, quando era ministro das Comunicações do governo Fernando Henrique Cardoso. |