É comum ler nos quadros de "quem ganha e quem perde" que Lula é um perdedor com a manutenção da verticalização. As alianças nos Estados terão de respeitar os acertos nacionais. O PMDB não vai nem querer pensar em dar o vice para Lula. Tudo verdade. Mas a conta está incompleta. O PMDB corre o risco de ficar sem candidato a presidente. Partidos médios e nanicos, como o PDT e o PPS (ex-partidão), também podem não lançar nomes para o Planalto. Ótimo para Lula, que terá menos opositores a atacá-lo no rádio e na TV. O PSDB também pagará um preço alto para ter o PFL ao seu lado. De novo, excelente para o petista. Lula terá seu principal adversário em meio a uma aliança conflagrada e mal ajambrada. Política não é uma ciência, mas os números ajudam a clarear o cenário. Em 1998, havia três candidatos competitivos: FHC, Lula e Ciro Gomes. Deu FHC no primeiro turno. Em 2002, havia quatro candidatos no páreo: Lula, Serra, Garotinho e Ciro Gomes. A disputa foi para o segundo turno. Quem será o Ciro Gomes desta vez? E o Garotinho? Ninguém sabe. Os nomes de maior relevância depois de Lula e de um tucano podem acabar sendo os de Heloísa Helena (PSOL) e Enéas (Prona). Dificilmente ambos serão capazes de dividir o eleitorado a ponto de levar a eleição para o segundo turno. Como se sabe, o primeiro turno é quase inútil para o confronto de idéias e de projetos. O candidato favorito se recusa a ir a debates -basta lembrar FHC e Lula. A chance de o eleitor conhecer um pouco mais duas propostas diferentes é haver segundo turno. Só que a manutenção da verticalização, por enquanto, torna mais provável um cenário de fatura liquidada no primeiro round. Lula não poderia desejar um ambiente melhor para ganhar mais quatro anos no Planalto. |