As companhias aéreas atrasam muito, não avisam nada e tascam overbooking (vendem mais passagens do que as cadeiras do avião). Eu mesma já fiz bons escândalos em aeroportos. No caso do comandante do Exército, general Francisco Albuquerque, contado por Elio Gaspari, a TAM diz que não houve overbooking, e o Exército diz que houve. O fato é que só dois passageiros com passagem marcada recuperaram a vaga: justamente Albuquerque e a mulher, que, segundo a TAM, chegaram 15 a 20 minutos antes do vôo ("nosotros" temos de chegar uma hora antes...). É daquelas coisas feias, que a gente chama de "carteirada" e que, quando é um político, já é um vexame. Para um general, é um vexame multiplicado por dez. E sem explicação. Tanto que o Exército fez o que pior poderia fazer diante do desastre: mudo estava, mudo continuou. A história vem à tona num momento de queda-de-braço pelo controle da aviação civil. Setor historicamente comandado pelos militares, vem sendo entregue aos civis. A nova Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) demorou anos para sair. Saiu e foi parar nas mãos de Milton Zuanazzi, do Ministério do Turismo. E agora a disputa é na rica Infraero, que administra aeroportos. Seu presidente, Carlos Wilson, do PT, vai concorrer a deputado no Estado de Pernambuco. E os candidatos à vaga são um brigadeiro da reserva, J. Carlos, um dos cinco diretores da empresa, e o advogado Airton Soares, que foi um dos primeiros deputados do PT, mas rompeu com o partido nos anos 80. Uma lembrança: o embaixador José Viegas caiu em desgraça no Ministério da Defesa porque, entre outras coisas, autorizou a reforma de uma casa que tinha goteiras até na sala. E se ele desse uma carteirada para um avião dar meia-volta na pista, abrir novamente a porta e desalojar um casal de civis? Imagine só o que o general Albuquerque e a tropa diriam?! |