O general Dwight Eisenhower olha para o horizonte longínquo, bem além das árvores de galhos secos, como é próprio do inverno, que, ainda assim, enfeitam a Grosvenor Square. Na base de sua estátua, trecho do pronunciamento que fez às tropas, como comandante aliado, ao lançar o que chamou de "cruzada" para derrotar o nazismo. "As preces e esperanças dos amantes da liberdade em todas as partes marcham com vocês", disse o general, que, depois, cumpriria dois mandatos como presidente dos Estados Unidos (1953/61). Pena que o general esteja na mais absoluta solidão. A Grosvenor Square é a praça em que fica a embaixada dos Estados Unidos em Londres, a passos da Oxford Street, a rua de comércio mais movimentada da Europa, talvez do mundo. Faz 30 anos exatos que venho a Londres em missões profissionais, e a cada vez que passo pela praça ela está mais e mais fortificada para proteger a embaixada. Começaram tomando a calçada do próprio prédio, foram invadindo o leito da rua e, hoje, nem carro passa diante dos olhos de Eisenhower. Causa a nítida sensação de que os "amantes da liberdade" ganharam uma guerra quente (contra o eixo Alemanha/Japão/Itália, em 1939/45), ganharam a "guerra fria" contra o comunismo, mas não sabem como lidar com o inimigo invisível, o terrorismo, a não ser erguendo bunkers como o da Grosvenor Square. Há 30 anos, quando o general Ernesto Geisel cumpriu as pompas da visita de Estado ao Reino Unido, idênticas as que Luiz Inácio Lula da Silva seguirá de hoje até quinta-feira, a Downing Street, em cujo número 10 moram os primeiros-ministros do Reino Unido, era aberta ao público. Dava para ir da margem do Tâmisa até, por exemplo, o "Cabinet War Rooms", de onde Winston Churchill liderava o esforço de guerra de outros "amantes da liberdade". Hoje, altos portões de ferro fecham a rua. Estranho mundo esse. |