quinta-feira, março 16, 2006

EDITORIAL DE O GLOBO Pelo debate



A escolha do candidato tucano à disputa pelo Planalto começa a definir o cenário das eleições de 2006, onde já trafega em campanha não-declarada o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Se o PMDB fizer como promete as prévias no fim de semana, mais definições estarão a caminho — embora, tratando-se do PMDB, nada garanta que o ungido nas primárias de domingo sobreviva. Nem se haverá mesmo prévias.

Muita coisa vai depender da definição do STF sobre a verticalização, a ser mantida como decidido pela Justiça eleitoral — espera-se. Nesse caso, os caciques regionais peemedebistas, os donos da legenda, deverão cristianizar o vitorioso no escrutínio interno para fazerem aquilo em que se especializaram durante tantos anos: barganhar a alto preço o apoio ao vitorioso nas urnas.

A definição tucana sobre quem enfrentará Lula é mais um passo para que se construa uma agenda pertinente de temas a serem discutidos até outubro. A vitória do governador de São Paulo Geraldo Alckmin na corrida travada com o prefeito paulistano José Serra pela primazia de enfrentar o presidente nas urnas em outubro deverá garantir um certo tom ao discurso tucano, diferente daquele que assumiria o prefeito. Sem entrar no mérito de qual a melhor estratégia, aposta-se, com Alckmin, numa campanha tucana mais centrada nas críticas à indiscutível incapacidade administrativa do governo Lula, deixando em plano inferior aspectos da polícia econômica, como câmbio e juros, que teriam mais destaque e ênfase se no palanque tucano subisse o prefeito de São Paulo.

Só no andamento da campanha se saberá qual a arma mais efetiva. O PSDB, agora, precisa se dedicar à formulação de propostas concretas para tratar dos grandes problemas nacionais. Entre eles, o crescimento desmesurado e fiscalmente suicida dos gastos correntes, questão ligada ao desequilíbrio estrutural do sistema previdenciário.

A campanha será relativamente curta. Por isso, todos os partidos devem se concentrar nos assuntos estratégicos, para que os debates sejam produtivos e o eleitorado possa votar com o conhecimento mais claro possível do que os candidatos pensam sobre questões-chave. A ética na política será tema inevitável e necessário dos debates e na campanha. Mas não pode ser o único.