Entrevista:O Estado inteligente

sábado, dezembro 10, 2005

VEJA Tales Alvarenga Entrevista



"Só falam em redução dos juros e aumento
dos gastos do governo. Você quer saber
por quê? Ah, volúpia eleitoreira, cegueira
ideológica e interesses corporativos"

ELA – Como devo tratá-lo nesta entrevista, você, senhor, doutor?

EU – Pode me chamar de vossa majestade.

ELA – O senhor é cínico?

EU – Não, essa eu aprendi com um colega intelectual.

ELA – O senhor é mais velho e eu me sinto constrangida de chamá-lo de você.

EU – O Viagra acabou com o fosso entre as gerações.

ELA – O senhor é insolente.

EU – Sua falta de humor restaura o fosso entre as gerações. Do que quer falar?

ELA – Juros.

EU – Isso não! Ninguém mais agüenta.

ELA – O senhor irritou alguns poderosos ao afirmar que estão errados todos os que pensam diferente do senhor. Agora precisa explicar tanta pretensão.

EU – Não é pretensão. Acontece que estou certo, o que é diferente.

ELA – A ministra Dilma Rousseff, o vice-presidente José Alencar, líderes empresariais e outras eminências deste país acham que o governo deve alterar a política econômica do ministro Antonio Palocci. Estão todos eles errados e só o senhor é que está certo?

EU – Sim.

ELA – O senhor é contra a redução dos juros, a menos que haja corte de gastos do governo. Por quê?

EU – Queda forçada de juros sem corte de gastos produz euforia no curto prazo. No médio, leva à retração do investimento e à retomada da inflação. O Brasil gasta mais do que arrecada, e qualquer dona-de-casa sabe que isso é mortal.

ELA – Lula, Dilma e outros querem aumentar os gastos governamentais aproveitando o ano eleitoral. Como o senhor define essa escolha?

EU – Oportunista. Irresponsável. Ambos.

ELA – Se o governo cortar os próprios gastos, se reduzir a dívida que tem e se mantiver o déficit nominal zerado, pode reduzir os juros?

EU – Sim. Para a metade, pelo menos.

ELA – Mas os ministros dizem que é impossível cortar os gastos mais ainda.

EU – É mentira. Ou incompetência. Ou ambos.

ELA – Que tal reduzir o número de ministérios?

EU – São 35. Precisamos de uns quinze.

ELA – Que tal a extinção dos 25.000 cargos de confiança entregues a petistas?

EU – Yes!

ELA – Que tal uma seleção mais inteligente dos investimentos?

EU – Yes! Yes! Yes!!!

ELA – Que tal a tomada de preços para compras e vendas governamentais por meio de leilões na internet?

EU – Aécio Neves e Geraldo Alckmin transformaram déficit em superávit através dessas medidas, em Minas e São Paulo.

ELA – Só isso basta?

EU – É preciso ainda criar medidas que aumentem a produtividade da economia. Combater a burocracia, diminuir a sonegação, baixar a carga tributária, simplificar as leis trabalhistas. Com isso, o próprio mercado produzirá automaticamente o crescimento.

ELA – Então, por que ficam aí, como monomaníacos, só falando em redução dos juros?

EU – Volúpia eleitoreira, cegueira ideológica e interesses corporativos, minha cara.

ELA – Vamos discutir agora o fosso entre as gerações?

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