Entrevista:O Estado inteligente

sábado, dezembro 10, 2005

VEJA Roberto Pompeu de Toledo Perón, Bolívar, Dirceu, Aldo, Tevez etc.


Notas que vão da nova composição
do Mercosul
à síndrome da criação
do mundo que ataca o presidente

A Argentina teve em Carlos Menem um fiel seguidor da economia de mercado e, como dizia seu chanceler Di Tella, um aliado "carnal" dos Estados Unidos. Menem era peronista. Eduardo Duhalde foi menos entusiasta, tanto da economia de mercado quanto dos EUA. Era peronista, igualmente. Néstor Kirchner não gosta dos EUA e, com a nomeação da nova ministra da Economia, Felisa Miceli, prepara uma reação contra o império da globalização e da economia de mercado. Mais um peronista. Antes deles o país conheceu o movimento dos Montoneros, guerrilheiros de esquerda dos anos 70. Peronistas. E, durante o governo de Isabelita, a viúva de Perón, o mais influente ministro, José López Rega, dirigia nos bastidores a organização paramilitar Aliança Anticomunista Argentina (AAA). Em nome do peronismo, claro.

A explicação está na velha anedota que começa com o próprio Juan Domingo Perón explicando a um estrangeiro o quadro político argentino: "Temos à direita desde golpistas até um civilizado movimento conservador. Importante setor é o dos liberais. Não esqueçamos os social-democratas, que juntam o desejo de eficácia com a preocupação social. Temos ainda um centro, uma democracia cristã, um forte núcleo nacional-desenvolvimentista... A esquerda divide-se entre os revolucionários e aqueles, mais moderados, que já se dispõem a integrar o jogo eleitoral e parlamentar. Nomes expressivos integram todos esses...". O interlocutor o interrompe: "Mas... e os peronistas?". "Como, os peronistas?!", surpreende-se o caudilho. "Peronistas son todos."

Com o ingresso da Venezuela no Mercosul, sob o alto patrocínio da Argentina, ao peronismo junta-se o bolivarianismo. Agora vai.

O presidente da Câmara, Aldo Rebelo, questionado se a Casa não devia reagir diante das sucessivas interferências do Supremo Tribunal Federal no processo a que era submetido o deputado José Dirceu, respondeu que longe dele querer desafiar as determinações dos magistrados. "Sou um homem temente a Deus e respeitador da Justiça", argumentou. Segundo contabilidade do colunista Jorge Bastos Moreno, de O Globo, Rebelo, desde que assumiu seu atual cargo, já participou de três novenas (sendo que em uma puxou o terço), presidiu sessão em homenagem aos 80 anos do arcebispo emérito de Brasília, dom José Freire Falcão, esteve à frente de dois cultos ecumênicos e, no Dia de Ação de Graças, se fez presente a um culto e a uma missa. Rebelo é comunista, como se sabe. Ah, se aquelas senhoras soubessem... aquelas senhoras que, terço nas mãos, se manifestavam nas ruas contra o comunismo ateu, algum tempo atrás... se elas soubessem, teriam logo entregado tudo aos comunistas, de uma vez.

Da mesma série "Ah, se eu soubesse", temos a reação daquele empresário diante da performance do governo Lula: "Se eu soubesse que o PT iria adotar a política econômica do Malan e depois se suicidar, teria votado nele".

O ex-deputado José Dirceu, numa entrevista à revista Fórum, disse que o presidente Lula é uma pessoa difícil. Suas palavras: "O personagem (Lula) é difícil. Está ficando claro isso". Meses atrás, quando o senador Eduardo Suplicy, contrariando a posição do governo, assinou o pedido de constituição da CPI dos Correios, Dirceu dissera que Suplicy era "um caso à parte, hors-concours". E acrescentara: "(Suplicy) é um pouco estranho". Dirceu é aquele que adotou outro nome e durante anos não revelou sua identidade à mulher com quem vivia e com quem teve um filho. E ainda acha que esquisitos são os outros.

Ainda bem que, para contrabalançar a aliança Kirchner-Hugo Chávez, temos a aliança Lula-Carlitos Tevez, formalizada durante a visita dos jogadores do Corinthians ao Palácio do Planalto, na semana passada. Lula fez elogios ao craque argentino, acariciou-lhe a curiosa cabeleira e atribuiu seu sucesso às relações com a Argentina, que "nunca foram tão boas". "Imagine há dez anos um jogador argentino fazer esse sucesso no Brasil", acrescentou. Mais uma vez atacava-o a síndrome da criação do mundo, segundo a qual nada de bom ocorreu antes de sua chegada à Presidência. De Sastre, companheiro de Leônidas numa histórica formação do São Paulo, a Sorín, ídolo da torcida do Cruzeiro, são inúmeros os jogadores argentinos bem-sucedidos no Brasil.

A greve nas universidades federais completou 100 dias na quarta-feira passada. Passou a ter pleno direito ao anátema do senador e ex-ministro da Educação Cristovam Buarque: "Uma greve que ultrapassa os 100 dias mostra que a universidade não é mais necessária, da forma como está estruturada. Imagine um banco parado por 100 dias".

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