Muito já se sabe acerca do esquema montado por setores do PT em associação com o operador Marcos Valério com o propósito de arrecadar fundos para subornar parlamentares, "complementar salários" de apaniguados e sustentar o projeto político do partido e do governo. A vasta movimentação financeira irregular não se limitou aos alegados empréstimos que beneficiaram a legenda -tidos por muitos, aliás, como operações fictícias.
Já se sabe que ao menos parte da campanha petista de 2002 foi paga com dinheiro transferido para o exterior, tornando-se claro que há recursos "não-contabilizados" mantidos em contas fora do país. Descobriu-se também que Valério já havia operado com políticos do PSDB e do PFL de Minas Gerais, que se beneficiaram de dinheiro de caixa dois.
É justamente a origem dessa verdadeira fortuna administrada clandestinamente um dos aspectos que ainda não foram esclarecidos pelas diversas instâncias encarregadas de investigar o escândalo. Ao que parece, a dinheirama teria provindo de companhias públicas e privadas sob a forma de comissões, superfaturamento de contratos ou doações eleitorais disfarçadas por artifícios como a falsa contratação de serviços de empresas criadas para este fim.
Por mais espinhosos que possam ser os desdobramentos, é indispensável que a sociedade brasileira conheça os fatos. Não há razão para proteger aqueles que tenham deliberadamente alimentado essa fantástica economia paralela da política nacional. Da mesma forma, é inaceitável que a investigação acerca do papel dos fundos de pensão no esquema PT-Valério tenha sido relegada a segundo plano ou simplesmente abandonada em razão de acordos de bastidores. Esses conluios acomodatícios, que, em conjunto, caracterizariam o chamado "acordão", foram repelidos com veemência pelos diversos atores políticos, do governismo à oposição. Mas isso não significa que acertos não possam estar sendo realizados à sombra.
Se o Brasil tem condições de sair dessa crise como um país mais republicano e transparente, isso dependerá em muito da decisão de levar as apurações às últimas conseqüências.
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