sábado, junho 27, 2009

VEJA Carta ao Leitor


Um país melhor que seus políticos

Celso Junior/AE
O SENADO EM CRISE
A sociedade e a economia avançaram, enquanto a política patina em escândalos e corrupção

A crise da vida pública nacional vive agora sua fase aguda no Senado. O epicentro já esteve na Câmara dos Deputados. Por muito tempo se encarapitou no Executivo federal. Se há algo de positivo nesse espetáculo de autofagia, é a consciência crescente na nação de que as regras do jogo precisam mudar rapidamente e ser respeitadas. Fora da política, o Brasil tem dado ao mundo lições constantes de resiliência, coragem, inventividade, organização, disciplina e arrojo. As conquistas brasileiras são sempre destacadas no exterior. Na semana passada, Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, ressaltou o papel civilizatório do Brasil em relação a seus vizinhos e a condução impecável da política econômica dentro de nossas próprias fronteiras. Recentemente, o sistema brasileiro foi lembrado como exemplo a ser imitado quando presidentes de bancos centrais dos principais países do mundo discutiam na Basileia como regular os mercados financeiros. Em todos os fóruns ambientais globais, a vanguarda brasileira no domínio dos combustíveis limpos é reconhecida e invejada.

Nesse contexto, a política clientelista e coronelista de Brasília é um contrassenso em termos, herança de atraso e privilégios que já foi superada em outros campos da vida nacional. Houve momentos no passado em que parecia que as mazelas da corrupção oficial tinham sofrido um golpe fatal e que, dali para a frente, a situação melhoraria. Foi assim com o impeachment do presidente Fernando Collor e o desbaratamento da quadrilha dos "anões do Orçamento", no começo da década de 90. Melhorou pouco ou nada, como demonstram os atuais escândalos. Mas naquele tempo a corrupção era apenas mais um entre tantos torvelinhos desestabilizadores de um país corroído pela inflação, pela dívida externa e pelo isolamento internacional. Agora a politicagem e a corrupção se agigantam como nosso único grande entrave.

Nascida sob o signo da modernidade, Brasília se aproxima de seu 50º aniversário, infelizmente, como um museu vivo das más práticas públicas. Já passou da hora de a classe política se engajar no processo de mudança de comportamento, tão fundamental para entrar em sintonia com as exigências, expectativas e necessidades do país.