sábado, dezembro 29, 2007

Chaves é criticado por negligenciar onda de seqüestros na Venezuela

Folha de S.Paulo

DE CARACAS

Os intensos esforços feitos por Chávez nos últimos meses para conseguir a libertação dos reféns mantidos pelas Farc na Colômbia têm provocado críticas dentro do país sobre a ineficiência do governo venezuelano diante da crescente indústria do seqüestro no país.
Segundo a ONG Por uma Venezuela Livre de Seqüestros, foram registrados crimes desse tipo em 20 dos 24 Estados do país. Um dos mais afetados é o de Táchira, na fronteira com a Colômbia. Em geral, os raptos acontecem na zona rural e são atribuídos pelo governo venezuelano a grupos armados ilegais do país vizinho, inclusive guerrilheiros das Farc.
Um dos casos mais conhecidos é o do fazendeiro Juan Pabón. Em 2003, sua mãe e seu irmão teriam sido levados e até hoje não foram liberados. "Nós nos sentimos tristes porque gostaríamos que a mesma prioridade que há para esses seqüestros colombianos ocorresse com nossos familiares. Nós nos sentimos praticamente abandonados", disse Pabón ontem a emissoras de TV locais.
Segundo a ONG, apenas em Táchira havia 25 seqüestrados no início deste mês, dos quais 11 foram raptados em 2003.
Questionado sobre os seqüestros em território venezuelano, Chávez disse ontem que se trata de uma prioridade do seu governo: "Diferentemente de algumas vozes, que não se cansam de pregar mentiras, estamos ativos, trabalhando todos os dias para solucionar os casos de seqüestro".
"Há pouco, em Barinas [Estado natal de Chávez], chegou um menino dizendo que seu pai estava seqüestrado. Prometi libertá-lo. Por sorte, algumas semanas mais tarde foi solto. Mas é constante o nosso esforço, sabemos como nos afeta a delinqüência organizada, o paramilitarismo, movimentos armados, sobretudo nessa fronteira", disse Chávez, durante o lançamento da missão para resgatar os colombianos seqüestrados pelas Farc, em Táchira.
Segundo várias pesquisas, a delinqüência é a principal preocupação dos venezuelanos desde o ano passado. (FM)