sexta-feira, maio 25, 2007

Estilistas fazem moda beneficente com cobertores

O quente da moda

Por uma boa causa, estilistas criam
roupas a partir de um cobertor


Suzana Villaverde

Fotos Otavio Dias de Oliveira
O casaco-urso de Simone e o vestido Patachou: coberta com grife

Acostumados a trabalhar com tecidos finos e caros, 24 estilistas encararam na semana passada uma missão digna de um reality show sobre moda: transformar um cobertor do tipo mais popular em uma roupa sofisticada. O produto do esforço criativo vai a leilão nesta quarta-feira, 30, como ponto alto da terceira edição da Noite do Cobertor, festa beneficente organizada pela empresária paulista Valéria Baraccat em favor de dezoito instituições. Disposta a dar um choque de gestão à festa até então restrita a doações de cobertores (que continuam a existir), Valéria pediu ajuda a Amir Slama, dono da Rosa Chá e presidente da Associação Brasileira de Estilistas (Abest), para atrair voluntários à causa. "Convidamos as marcas e elas ficaram entusiasmadas", diz Slama, que montou um elenco estrelado por nomes como Alexandre Herchcovitch, Cris Barros, Lino Villaventura, Clô Orozco (da Huis Clos), Patachou e Cavalera.

Cada um com seu cobertor – o azulão predominou; o bege teve pouca saída; Herchcovitch optou pelo xadrez, que se encaixa à perfeição em seu estilo –, os criadores de moda viram-se às voltas com questões inusitadas. "Quando recebi o cobertor levei um susto. Era um bege peludo. Devolvi na hora, porque costurar aquilo seria o mesmo que fazer um casaco do meu golden retriever", brinca Clô Orozco. "Com o azul, conseguimos criar uma pelerine confortável." No mesmo cobertor azul, a equipe de estilo da Patachou modelou um vestido de gola alta e costas de fora que é um verdadeiro triunfo da imaginação sobre a realidade. "É bem conceitual. Deu um trabalho danado", informa a estilista Beth Torres. Lino Villaventura fez do onipresente cobertor azulão uma capa com amarrações, "para não ter de passar o tecido grosso pela máquina de costura". Simone Nunes encarou o bege peludo e o transformou num casacão. "O maior perigo era deixar quem usasse com cara de urso de pelúcia. Fiz um acabamento fino, apliquei um botão de Murano e ficou muito bonito", relata. Com lances iniciais na faixa dos 300 reais ("Muito menos do que os estilistas cobram nas lojas"), Valéria espera arrecadar o suficiente para a compra de 10.000 cobertores. Daqueles simples, para dormir mesmo.